PF aponta envolvimento de suplente de senadora em tentativa de Golpe de Estado; Tenente Portela é investigado

A Polícia Federal (PF) está aprofundando as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado que visava a abolição violenta do Estado Democrático de Direito no Brasil. De acordo com o relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do diretório do PL em Mato Grosso do Sul e suplente de senador, Aparecido Andrade Portela, também conhecido como Tenente Portela, é apontado como um dos principais intermediários entre o governo do então presidente Jair Bolsonaro e os financiadores das manifestações antidemocráticas. Essas manifestações visavam impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e de seu vice, Geraldo Alckmin, em janeiro de 2023.

A PF detalha, no relatório, que Portela teria desempenhado um papel crucial ao intermediar a comunicação entre o ex-presidente Bolsonaro e os financiadores de atos de violência e desestabilização política no estado de Mato Grosso do Sul. A partir das análises de celulares apreendidos durante a investigação, foram identificados novos envolvidos, embora Portela ainda não tenha sido formalmente indiciado.

Os agentes federais destacam que Portela e Bolsonaro mantêm uma amizade desde os anos 1970, período em que ambos serviram no 9° Grupo de Artilharia de Campanha, em Nioaque, cidade situada a cerca de 184 quilômetros de Campo Grande. Em 2022, Portela foi indicado por Bolsonaro para ocupar a vaga de suplente de Tereza Cristina no Senado. Durante o período crítico de dezembro de 2022, quando membros do setor militar supostamente planejavam um atentado contra Lula, Alckmin e o ministro do STF, Alexandre de Moraes, Portela esteve ao menos 13 vezes no Palácio do Alvorada, em Brasília, conforme registros oficiais.

A investigação também revelou mensagens trocadas entre Portela e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e um dos principais envolvidos nas investigações. Em uma dessas mensagens, de 26 de dezembro de 2022, Portela faz referência a um “churrasco” que estaria sendo organizado, termo que os investigadores acreditam ser uma metáfora para o golpe planejado. A PF interpreta essas conversas como evidências de que Portela e outros aliados de Bolsonaro estavam comprometidos com a realização de ações antidemocráticas, tentando viabilizar a ruptura do regime constitucional.

As mensagens trocadas entre os envolvidos, muitas vezes cifradas, indicam que os conspiradores ainda acreditavam na possibilidade de concretizar o golpe, mesmo após o segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Quando Portela expressou dúvidas sobre a viabilidade do plano, Cid procurou manter o ânimo, afirmando que “nada ainda está acabado”. Essa comunicação continuou até o início de janeiro de 2023, quando a invasão do Congresso Nacional e de outros prédios das instituições democráticas confirmou o fracasso da tentativa de golpe. No entanto, as preocupações de Portela se intensificaram após os eventos de 9 de janeiro, e ele relatou dificuldades financeiras em mensagens enviadas a Cid, indicando que estava sendo pressionado pelos financiadores dos atos golpistas.

No caso de Portela, o relatório da PF não apenas revela sua proximidade com figuras chave do bolsonarismo, mas também lança luz sobre o envolvimento de outras figuras políticas e militares no movimento que visava subverter a ordem democrática. O STF agora analisará o conteúdo do relatório, que pode resultar em novas denúncias ou no prosseguimento das investigações pela Procuradoria-Geral da República.


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