As planilhas de José Marcos de Moura: Documentos apreendidos na Operação Overclean revelam suposto esquema Ilícito na Bahia e em outros 16 estados; Sociedade com irmã de ACM Neto é revelada

José Marcos de Moura, conhecido como Rei do Lixo, preso no Centro de Observação Penal em Salvador.
José Marcos de Moura, o 'Rei do Lixo', supostamente lidera rede de corrupção que desviou R$ 1,4 bilhão em 17 estados, com contratos superfaturados e vínculos políticos de destaque. A operação da PF resultou em 16 prisões e no bloqueio de R$ 162 milhões, expondo a ligação entre o empresário e lideranças do União Brasil.

Reportagem de Malu Gaspar — publicada nesta quarta-feira (18/12/2024) no Jornal O Globo — revela que a Polícia Federal (PF) desmantelou uma suposta rede de corrupção com abrangência nacional, liderada por José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. O esquema operava em 17 estados e envolvia desvios de recursos públicos, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro. Moura, sócio da MM Limpeza Urbana, mantinha laços estreitos com políticos de destaque e, inclusive, uma sociedade com a irmã de ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União Brasil. A Operação Overclean foi deflagrada em 10 de dezembro de 2024.

Contexto da Operação

Investigação inicial

A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou irregularidades no uso de emendas parlamentares destinadas a obras públicas, repassando informações à Polícia Federal. Monitoramentos detectaram movimentações suspeitas, como o transporte de documentos para Brasília, indicando tentativas de ocultação de provas.

Estados envolvidos

A operação revelou o alcance do esquema em estados como Bahia, Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. Moura liderava um consórcio de empresas que garantiam contratos superfaturados por meio de influência política e administrativa.

Detalhes do Esquema

Estrutura organizada

O esquema detalhado em documentos apreendidos incluía planilhas que relacionavam estados, municípios, valores de contratos e nomes de envolvidos. Moura utilizava empresas de fachada para vencer licitações fraudulentas.

Empresas e atividades

Além de operar a MM Limpeza Urbana, Moura participou de licitações em diversas áreas, como:

  • Coleta de lixo: Atividade central do esquema, com contratos bilionários.
  • Dedetização e obras públicas: Expansão para setores estratégicos.
  • Fornecimento de materiais escolares: Uma frente secundária para justificar despesas inflacionadas.

Lavagem de dinheiro

O grupo lavava o dinheiro por meio de transferências entre empresas de fachada, compra de bens de alto valor e transações financeiras complexas.

Envolvimento Político

Relação com lideranças

José Marcos de Moura mantinha laços estreitos com lideranças do União Brasil, incluindo ACM Neto e Bruno Reis. Ele integrava o diretório nacional do partido e tinha acesso a lideranças em Brasília, Salvador e outras capitais.

Sociedade com a irmã de ACM Neto

Em 2022, Renata Magalhães Correia, irmã de ACM Neto, adquiriu 33,4% da propriedade de um jato Hawker 400, pertencente a Moura, por R$ 1 milhão. Outra parte da aeronave (33,3%) pertence a João Gualberto, ex-prefeito de Mata de São João e aliado próximo de Neto. O avião foi utilizado por Neto em campanhas políticas, embora isso não tenha sido declarado diretamente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Impacto político

O envolvimento de Moura no União Brasil e suas relações com figuras proeminentes geraram constrangimentos, especialmente para ACM Neto, potencial candidato ao governo baiano em 2026. Correligionários temem que as investigações atinjam outros líderes do partido.

Consequências Legais

Prisões e bloqueios

A operação resultou na prisão de 16 pessoas, incluindo Moura e seus principais associados, além do bloqueio de R$ 162 milhões em bens.

Documentos apreendidos

As autoridades apreenderam mais de 50 páginas de documentos detalhando o esquema, que continuam sob análise e podem levar a novos indiciamentos.

Desdobramentos futuros

A investigação aponta para a possibilidade de novos alvos políticos e empresariais, dada a abrangência e a sofisticação do esquema.

Dimensão do esquema

  • Estados afetados: 17.
  • Valor movimentado: R$ 1,4 bilhão em quatro anos.
  • Contratos firmados em 2024: R$ 800 milhões.

José Marcos de Moura

  • Empresas principais: MM Limpeza Urbana e empresas de fachada.
  • Áreas de atuação: Coleta de lixo, dedetização, obras públicas e fornecimento de materiais escolares.
  • Sociedade: Propriedade compartilhada de um jato com a irmã de ACM Neto.

Operação

  • Prisões realizadas: 16.
  • Bloqueio de bens: R$ 162 milhões.
  • Documentos apreendidos: 50 páginas detalhando o esquema.

Impacto político

  • Partido afetado: União Brasil.
  • Laços políticos: Proximidade com o ex-prefeito ACM Neto, prefeito Bruno Reis e senador Davi Alcolumbre.

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