Feira de Santana se destaca como o segundo maior centro de gestão do território na Bahia, atrás apenas de Salvador, segundo o estudo Gestão do Território 2024, divulgado nesta quarta-feira (26/03/2025) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa avalia o grau de centralidade dos municípios com base na presença simultânea de unidades de empresas multilocalizadas e instituições públicas descentralizadas.
Com base nos critérios definidos pelo IBGE, Feira de Santana figura entre os municípios baianos com maior capacidade de comando e articulação territorial, tanto na esfera empresarial quanto na gestão pública. Esta posição de destaque reforça o papel histórico do município como polo de intermediação econômica e administrativa entre o interior e a capital do estado.
A classificação dos centros de gestão considera a intensidade das ligações empresariais — medida pelas conexões entre sedes e filiais de empresas — e a distribuição de órgãos públicos federais e estaduais descentralizados. Feira de Santana apresenta desempenho relevante em ambos os critérios, consolidando-se como um centro regional estratégico.
Gestão empresarial: relevância no setor privado
Feira de Santana integra o grupo de municípios com forte presença de empresas multilocalizadas, característica que reforça sua posição como centro logístico e comercial no interior da Bahia. Com destaque para setores como atacado, varejo, serviços e transporte, o município funciona como ponto de convergência de fluxos econômicos, não apenas da Região Metropolitana de Feira de Santana, mas também de diversas microrregiões vizinhas.
A posição de Feira na hierarquia empresarial reflete sua infraestrutura urbana diversificada, com centros industriais, rede bancária estruturada e acesso rodoviário privilegiado, por meio das BRs 101 e 116, além de ligações com Salvador.
Gestão pública: presença institucional e articulação estadual
Na dimensão da gestão pública, Feira de Santana também ocupa posição de destaque. O município abriga unidades locais de instituições federais como INSS, Receita Federal, Justiça do Trabalho, Justiça Federal e Justiça Eleitoral, além de representações estaduais nas áreas de educação e saúde. Essa densidade institucional qualifica a cidade como um dos principais centros administrativos do interior baiano.
A presença dessas entidades é estratégica para o atendimento à população de diversos municípios circunvizinhos, que recorrem à cidade para acessar serviços públicos especializados. Isso reforça o papel estruturador de Feira de Santana na organização do espaço regional.
Comparativo com outros municípios baianos
De acordo com o estudo, depois de Salvador e Feira de Santana, os municípios com maior centralidade territorial na Bahia são, em ordem decrescente: Vitória da Conquista, Juazeiro e Camaçari. Salvador lidera tanto a gestão empresarial quanto a gestão pública, mas é em Feira que se observa uma consolidação firme como centro intermediário de gestão no estado.
A cidade também se destaca entre os poucos municípios baianos a apresentar nível relevante de centralidade dupla (empresarial e pública), o que a coloca em posição diferenciada frente à maioria das cidades do interior baiano — 227 dos 417 municípios da Bahia (54,4%) não possuem qualquer centralidade de gestão, segundo o IBGE.
Perspectivas e desafios para o futuro
A consolidação de Feira de Santana como centro de gestão do território aponta para a necessidade de políticas públicas voltadas à modernização da infraestrutura urbana, à qualificação dos serviços públicos e à ampliação da conectividade intermunicipal. O fortalecimento de sua posição pode atrair novos investimentos empresariais e maior presença do Estado, ampliando sua função de articulação regional.
Contudo, para sustentar essa centralidade, será necessário enfrentar desafios como a pressão sobre os sistemas de mobilidade urbana, a gestão metropolitana desarticulada e a demanda crescente por serviços públicos de qualidade. O planejamento territorial integrado, em conjunto com os entes estadual e federal, será essencial para garantir a continuidade desse protagonismo.
Dados em destaque sobre Feira de Santana
Principais dados do estudo “Gestão do Território 2024” com foco em Feira de Santana, organizados por categorias temáticas para facilitar a análise e a aplicação em reportagens, apresentações ou políticas públicas:
Centralidade Territorial
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Feira de Santana é o 2º maior centro de gestão do território na Bahia, atrás apenas de Salvador.
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A cidade figura entre os centros com dupla centralidade: empresarial e pública.
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Está classificada no grupo intermediário de centralidade nacional, abaixo das capitais regionais.
Gestão Empresarial
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Apresenta intensa presença de empresas multilocalizadas, com atuação em setores como comércio, serviços e logística.
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Infraestrutura econômica robusta, com forte integração viária (BR-101, BR-116) e centros industriais.
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É um dos principais polos de distribuição e intermediação econômica do interior baiano.
Gestão Pública
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Sedia unidades locais de instituições públicas federais e estaduais, como:
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INSS
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Receita Federal
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Justiça Federal, Justiça Eleitoral e Justiça do Trabalho
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Secretarias Estaduais de Saúde e Educação
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Atende a população de municípios vizinhos, funcionando como centro de serviços públicos regionais.
Comparativo com Outros Municípios Baianos
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1º lugar: Salvador (maior centralidade geral)
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2º lugar: Feira de Santana
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3º a 5º lugares: Vitória da Conquista, Juazeiro e Camaçari
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Apenas 5 cidades baianas possuem centralidade significativa no estado.
Ausência de Centralidade
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227 dos 417 municípios baianos (54,4%) não possuem nenhum nível de centralidade territorial.
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Proporção inferior à média nacional: 60,9% dos municípios brasileiros não têm centralidade.
Evolução Histórica (2014–2024)
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O estudo atual atualiza a versão anterior de 2014 (dados de 2011).
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Feira de Santana mantém posição de destaque, consolidando sua centralidade ao longo da última década.
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A capital Salvador perdeu posições em centralidade empresarial, mas Feira se manteve entre os polos relevantes.










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