Mudanças climáticas intensificam impactos socioeconômicos e ambientais na África, alerta relatório da OMM

Segunda-feira, 12/05/2025 — A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou o relatório Estado do Clima na África 2024, alertando para o agravamento dos impactos das mudanças climáticas no continente africano. O documento destaca o ano de 2024 como o mais quente ou o segundo mais quente já registrado, com efeitos diretos sobre agricultura, segurança alimentar, saúde, migração e infraestrutura.

A análise indica que a temperatura média no continente africano ficou 0,86°C acima da média de 1991–2020, enquanto o norte da África apresentou um aumento de 1,28°C, configurando-se como a sub-região com maior ritmo de aquecimento. As altas temperaturas da superfície oceânica, especialmente no Atlântico e no Mar Mediterrâneo, contribuíram para a intensificação de eventos climáticos extremos, como secas severas, inundações generalizadas e ciclones tropicais.

Efeitos do aquecimento global no continente africano

1. Seca e perdas agrícolas no sul da África

  • Malaui, Zâmbia e Zimbábue enfrentaram as piores estiagens em 20 anos, com a produção agrícola 16% abaixo da média dos últimos cinco anos.

  • Em Zâmbia e Zimbábue, as perdas superaram 43% da média histórica, afetando diretamente a segurança alimentar e a economia rural.

2. Enchentes no leste, centro e oeste africanos

  • Chuvas prolongadas no Quênia, Tanzânia e Burundi causaram centenas de mortes e mais de 700 mil pessoas afetadas entre março e maio de 2024.

  • No oeste e centro da África, mais de 4 milhões de pessoas foram atingidas por enchentes devastadoras, com destaque para Nigéria, Camarões, Chade, Níger e República Centro-Africana.

3. Redução da produção agrícola

  • O ano de 2024 foi o terceiro consecutivo com colheitas abaixo da expectativa.

  • No Marrocos, a produção agrícola caiu 42% abaixo da média dos últimos cinco anos, após seis anos consecutivos de seca.

Fenômenos oceânicos e ciclones tropicais

  • Quase todo o oceano ao redor da África foi atingido por ondas de calor marinhas de intensidade forte a extrema.

  • A área afetada por essas ondas de calor ultrapassou 30 milhões de km² entre janeiro e abril de 2024, o maior índice desde 1993.

  • Os efeitos diretos incluíram danos a ecossistemas marinhos, colapsos de cadeias produtivas pesqueiras e aumento na frequência de tempestades tropicais.

Ciclone Chido e eventos inéditos

  • O ciclone Chido, considerado o mais destrutivo em 90 anos, impactou Mayotte, Moçambique e Malaui, deixando milhares de desabrigados e comprometendo o acesso à água potável.

  • Pela primeira vez na era dos satélites, dois ciclones, Hidaya e Ialy, formaram-se em maio e atingiram as costas da Tanzânia e do Quênia, demonstrando alterações na dinâmica climática regional.

Transformação digital e inteligência artificial como resposta à crise

O relatório destaca o papel crescente da transformação digital e da inteligência artificial como ferramentas para ampliar o acesso a previsões meteorológicas, especialmente em comunidades agrícolas e costeiras.

  • A Agência Meteorológica da Nigéria utiliza plataformas digitais para emitir avisos climáticos e orientações agrícolas.

  • No Quênia, pequenos agricultores e pescadores recebem previsões via aplicativos móveis e SMS.

  • Na África do Sul, foram integrados radares modernos e modelos baseados em IA para aprimorar a precisão das previsões meteorológicas.

Apelos e recomendações da OMM

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, defendeu a necessidade de ações coletivas e investimentos coordenados para lidar com os efeitos do clima. Segundo o relatório, é urgente:

  • Fortalecer os sistemas de alerta precoce com infraestrutura e tecnologia.

  • Promover a partilha de dados meteorológicos de forma inclusiva.

  • Mobilizar governos, agências multilaterais e setor privado para aumentar os investimentos em resiliência climática.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da CMFS: Campanha de abril de 2026 2.
Banner do Governo da Bahia: Campanha sobre Feiras Literárias.
Banner do INSV 20260303.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading