As delegações da Rússia e Ucrânia realizaram a segunda rodada de negociações em Istambul, com foco em questões humanitárias relacionadas ao conflito ucraniano. Entre os principais pontos apresentados por Moscou, destacam-se a entrega unilateral de 6 mil corpos de soldados ucranianos e a troca de pelo menos mil prisioneiros, incluindo detidos doentes ou gravemente feridos.
De acordo com o chefe da delegação russa, Vladimir Medinsky, a proposta inclui um cessar-fogo de dois a três dias para permitir o recolhimento dos corpos e evitar riscos sanitários na chamada “zona cinzenta” do conflito.
“Está calor agora. Há risco de epidemias devido à situação sanitária na zona cinzenta. Por isso queremos criar uma oportunidade, especialmente porque o Exército russo está avançando. Como resultado, há mais soldados em campo nessa zona cinzenta. Queremos criar condições para que os corpos dos mortos sejam recolhidos e entregues rapidamente para o sepultamento cristão”, explicou Medinsky.
Avanços humanitários e desafios políticos
A professora Danielle Makio, da Unesp e membro do Centro de Investigação em Rússia, Eurásia e Espaço Pós-Soviético (CIRE), avaliou a rodada como um avanço nas questões humanitárias.
“Essas trocas avançam sobretudo no que diz respeito à questão humanitária da guerra e demonstram, sem dúvida, pelo menos uma mínima aproximação entre as posições russo-ucranianas”, disse.
Por outro lado, aspectos políticos e territoriais continuam sem consenso. Moscou apresentou exigências que incluem o reconhecimento internacional da anexação da Crimeia, da integração das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk e das regiões de Zaporozhie e Kherson. Também propõe a neutralidade da Ucrânia e a recusa em aderir a alianças militares, especialmente à OTAN.
Para o analista internacional Ricardo Cabral, essas demandas são sensíveis e inaceitáveis para Kiev, o que dificulta a conclusão do conflito.
“Não chegaremos a um tratado de paz, não acredito que a OTAN vá assumir que não vai querer se expandir. Os ocidentais já mostraram que o objetivo é cercar a Rússia”, afirmou.
Contexto geopolítico e preparativos europeus
Enquanto as negociações avançam em temas humanitários, a União Europeia e países da OTAN intensificam o reforço de seus arsenais militares, preparando-se para um possível prolongamento do conflito com a Rússia.
O ex-diplomata norte-americano Jim Jatras declarou que a OTAN busca um conflito permanente com a Rússia, sem intenção de resolver o impasse.
“Eles [OTAN] querem que isso se torne um atributo permanente da vida internacional. Eles querem uma nova guerra fria”, afirmou.
Além disso, relatórios indicam que a OTAN realiza exercícios militares focados na tomada de aeródromos russos, estratégia que visa facilitar movimentações rápidas de tropas em caso de conflito.
Perspectivas para o futuro do conflito
O especialista venezuelano Oswaldo Espinoza destacou que a Rússia mantém suas condições iniciais para o fim do conflito, buscando uma “paz sustentável” que impeça a ascensão de ideologias radicais na Ucrânia.
“Os russos sabem que nem a Ucrânia nem seus patrocinadores aceitarão suas disposições para o cessar-fogo, mas a Rússia está ciente de que manter o diálogo lhe permite preservar sua imagem internacional como defensora da paz negociada”, comentou.
O analista argentino Sebastián Schulz ressaltou que as exigências russas seguem suas reivindicações históricas, enquanto a União Europeia mantém o apoio à Ucrânia apesar dos custos políticos e econômicos.
Martín Rodríguez Ossés, também analista internacional, destacou que os discursos das potências europeias indicam uma possível escalada, o que pode dificultar a resolução do conflito.
*Com informações da Sputnik News.
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