Nesta segunda-feira (16/06/2025), uma nova onda de ataques com mísseis e drones lançados pelo Irã contra Israel foi registrada, intensificando a mais grave escalada militar direta entre os dois países em décadas. Os alvos dos bombardeios foram as cidades de Tel Aviv e Haifa, segundo a estatal iraniana Press TV. O sistema de defesa aérea israelense Iron Dome foi ativado para interceptar os projéteis, enquanto a Força Aérea de Israel respondeu com bombardeios em território iraniano.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) confirmaram o lançamento de mísseis a partir do território iraniano e orientaram a população a buscar abrigos até nova notificação. Segundo o governo israelense, mísseis iranianos atingiram diretamente áreas residenciais, provocando a morte de ao menos 24 civis israelenses. Já o Irã reportou 224 mortos, também em sua maioria civis, após os ataques aéreos israelenses que destruíram instalações nucleares, prédios governamentais e centros de comunicação militar.
Netanyahu não descarta atacar o líder supremo iraniano
Em entrevista à ABC News, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que “não descarta” um ataque direto ao aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Segundo Netanyahu, tal ação poderia “encerrar o conflito”. Ele reafirmou o objetivo de eliminar a capacidade militar e nuclear iraniana, que considera uma ameaça existencial para Israel.
Fontes da CNN americana revelaram que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vetou um plano israelense anterior que previa a eliminação do aiatolá. Trump teria advertido Israel de que não apoiaria a operação, embora tenha defendido publicamente a ofensiva israelense como forma de conter a expansão nuclear do Irã.
Irã afirma que ataques são resposta proporcional e que não deseja ampliar o conflito
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não iniciou a guerra, mas responderá com proporcionalidade aos ataques israelenses. Em ligação com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, Pezeshkian reiterou que o Irã não busca a expansão do conflito, mas exige o fim das agressões para retomar as negociações nucleares com os EUA.
A retórica do governo iraniano foi reforçada em carta à Organização das Nações Unidas (ONU), em que o embaixador Amir Saeid Iravani invocou o Artigo 51 da Carta da ONU, justificando os ataques como autodefesa. O Irã também alertou que qualquer país que colabore com as ofensivas de Israel poderá ser considerado cúmplice legal da crise.
Mediação internacional tenta evitar guerra regional
Teerã solicitou oficialmente aos governos de Omã, Catar e Arábia Saudita que pressionem os Estados Unidos a intervir para estabelecer um cessar-fogo imediato. Em troca, o Irã se comprometeria a suspender por até um ano o enriquecimento de urânio, permitindo inspeções rigorosas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e reabrindo negociações nucleares.
Fontes regionais indicam que o governo de Omã está elaborando uma proposta de cessar-fogo que prevê o reconhecimento do direito iraniano a um programa nuclear pacífico e o levantamento gradual das sanções norte-americanas. No entanto, Israel ainda reitera que manterá os ataques até eliminar completamente a capacidade militar do Irã.
Ataques e danos às infraestruturas nucleares e civis
A ofensiva israelense iniciou-se na sexta-feira (13/06) com um ataque surpresa que eliminou parte do comando militar iraniano e atingiu usinas nucleares em Natanz e Fordow. A AIEA afirmou que ao menos 15 mil centrífugas em Natanz foram seriamente danificadas. A emissora estatal iraniana foi atingida por um míssil, e imagens mostraram a fuga de apresentadores ao vivo durante o bombardeio.
Do lado israelense, os mísseis iranianos causaram mortes, destruição de residências e escolas, além de danos à refinaria de energia Bazan, em Haifa. O grupo afirmou que três funcionários morreram e as operações foram interrompidas.
Reações dos EUA e do Congresso americano
Nos Estados Unidos, o senador Tim Kaine (Partido Democrata) apresentou uma resolução para restringir o poder de Trump de autorizar ações militares contra o Irã sem aprovação do Congresso. Por outro lado, republicanos como Lindsey Graham e Thomas Massie divergiram: enquanto alguns defendem cautela, outros endossam apoio militar irrestrito a Israel.
O ex-presidente Trump negou envolvimento direto dos EUA nos bombardeios e alertou o Irã contra a retaliação a alvos americanos. Em declarações recentes, afirmou que o Irã deveria aceitar as exigências dos EUA “antes que seja tarde demais”.
Presença brasileira em Israel e alerta do Itamaraty
O Itamaraty reiterou alerta consular contra viagens não essenciais a Israel, vigente desde outubro de 2023. Pelo menos seis políticos brasileiros ainda permanecem no país, abrigados em instalações protegidas após participarem de uma conferência oficial. Outros 12 políticos conseguiram deixar Israel rumo à Jordânia com apoio da diplomacia brasileira.
O Ministério das Relações Exteriores também advertiu sobre tentativas de golpe via aplicativos, em que grupos criminosos oferecem passagens para deixar Israel, apesar do espaço aéreo do país seguir fechado.







Deixe um comentário