Na quinta-feira (20/06/2025), o prefeito de Recife (PE) e recém-eleito presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), João Campos, afirmou que o partido está em processo avançado de negociação para formalizar uma federação partidária com o PDT e o Cidadania. A declaração foi publicada pelo jornal O Globo e reforça a estratégia de consolidação de alianças entre legendas de centro-esquerda visando as eleições municipais de 2026.
Segundo João Campos, as conversas com o PDT tiveram início em 2022, e desde então os partidos têm mantido um diálogo constante, já tendo atuado conjuntamente em diversas esferas políticas. “É uma conversa de aproximação partidária, entendendo os desafios que os partidos têm, com muita esperança de poder construir politicamente juntos. Não tenho dúvida de que há interesse em caminhar lado a lado”, declarou o dirigente socialista. “O nosso interesse, do PSB, sempre foi dialogar.”
Cidadania rompe com PSDB e se aproxima do PSB
A movimentação do Cidadania em direção ao PSB se intensificou após o rompimento da federação com o PSDB, oficializado em março de 2025. O Diretório Nacional do Cidadania decidiu, por unanimidade, encerrar a aliança com os tucanos, alegando prejuízos políticos, como a perda de prefeituras e cadeiras legislativas.
Com o fim da federação PSDB-Cidadania — uma das três formadas para as eleições de 2022, ao lado de Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e Psol-Rede (Psol e Rede) — o Cidadania reorientou sua estratégia e passou a articular sua entrada em uma nova federação com o PSB, movimento que, segundo lideranças do partido, deve se concretizar até julho de 2025.
Cenário político e novas federações em formação
O cenário partidário nacional vem passando por reconfigurações estruturais desde que o Congresso Nacional aprovou, em 2021, a criação das federações partidárias, instrumento que obriga os partidos a atuarem de forma unificada por no mínimo quatro anos, com regimento, programa e estatuto comuns. A medida passou a vigorar nas eleições de 2022, com o objetivo de reduzir a fragmentação partidária sem violar a autonomia das legendas.
Além da iniciativa do PSB, outros movimentos recentes incluem a formação da União Progressista Brasileira (UPB), composta por União Brasil e Progressistas (PP). A criação da UPB foi anunciada em abril de 2025, em Brasília, com participação de diversas lideranças do chamado “centrão”.
Paralelamente, o PSDB chegou a aprovar, em convenção, uma fusão com o Podemos, mas recuou da decisão em maio de 2025, suspendendo o processo de unificação após pressões internas.
Impacto eleitoral e reorganização partidária
A formação de novas federações pode ter efeitos diretos sobre a disputa municipal de 2026, especialmente em capitais e grandes cidades. A federação entre PSB, PDT e Cidadania tende a consolidar uma frente programática de centro-esquerda, com maior tempo de televisão, fundo partidário unificado e articulação em nível nacional.
A expectativa é de que essa reconfiguração gere maior competitividade eleitoral, especialmente em contraponto à superfederação do centrão, formada por União Brasil e PP, que deverá concentrar recursos e alianças com apoio de setores do governo e do Congresso.









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