O Sindicato dos Bancários de Feira de Santana realizou, nesta segunda-feira (15/07/2025), uma manifestação pública contra o fechamento da agência do Banco Itaú localizada na Avenida Maria Quitéria, próxima ao túnel central da cidade. A unidade bancária, que opera há 21 anos no local, está com encerramento previsto para agosto de 2025, conforme anunciado pela instituição financeira.
A mobilização reuniu dirigentes sindicais, bancários e representantes da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (FEEB-Base), com faixas e cartazes, entre os quais se destacava a frase “Feito para adoecer e acabar com você”, estampada como crítica à atual política de redução de agências físicas do banco.
Durante a manifestação, o presidente do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, Eritan Machado, expressou preocupação com os efeitos diretos da medida para os trabalhadores e usuários dos serviços bancários. Segundo ele, o encerramento da agência compromete empregos de bancários, seguranças e profissionais da limpeza, cujos postos de trabalho, na avaliação da entidade, não serão absorvidos por outras unidades locais.
“O banco Itaú fechou duas agências nos últimos dois anos: em 2023 a da Presidente Dutra e agora a da Maria Quitéria. Isso traz muita preocupação porque os funcionários dessas agências serão demitidos e viverão um cenário de incerteza. Isso gera adoecimento e prejuízo também para os clientes”, afirmou o dirigente.
Atendimentos a idosos e beneficiários do INSS serão afetados
A diretora da FEEB-Base, Lucciana Doria, que também é funcionária concursada do banco há 21 anos, destacou que a agência da Avenida Maria Quitéria é responsável pelo atendimento de aproximadamente 18 mil clientes, entre eles cerca de mil beneficiários do INSS, principalmente aposentados e pensionistas que dependem de atendimento presencial.
“É mais uma agência que nós perdemos. Ela atende 18 mil clientes e possui 12 funcionários — oito bancários e quatro terceirizados. Acreditamos que esse movimento busca apenas o aumento de lucro, embora o Itaú já seja o banco privado mais lucrativo do país. Estamos convocando a sociedade a denunciar ao PROCON, porque o atendimento presencial é um direito do consumidor”, declarou.
Itaú reduz presença física e mantém foco em clientes de alta renda
Com o fechamento da unidade da Maria Quitéria, restarão apenas três agências do Itaú em Feira de Santana:
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Duas na Avenida Getúlio Vargas (ao lado do Palace Hotel e no Ícone Tower, esta última exclusiva para clientes Personnalité);
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Uma na Rua Conselheiro Franco, no centro comercial da cidade.
A decisão reflete uma tendência nacional de redução da rede física de atendimento por grandes bancos privados, que têm priorizado digitalização dos serviços e atendimento a segmentos de maior rentabilidade, como clientes de alta renda. Essa estratégia, entretanto, tem gerado críticas por parte de sindicatos e consumidores, especialmente em regiões onde o acesso digital é limitado e a população bancarizada depende de agências físicas.
Lucros crescentes, responsabilidade social decrescente
A manifestação evidencia o conflito entre a busca por rentabilidade máxima das instituições financeiras privadas e o compromisso com a responsabilidade social e trabalhista. Ao mesmo tempo em que o Itaú registra lucros recordes, a política de fechamento de agências desestrutura comunidades locais, fragiliza o mercado de trabalho bancário e dificulta o acesso da população a serviços essenciais — especialmente os mais vulneráveis, como idosos, aposentados e trabalhadores informais.
A mobilização do sindicato e o apelo por denúncias ao PROCON revelam a lacuna regulatória e a insuficiência de mecanismos legais para garantir a manutenção de serviços bancários de base em centros urbanos de médio porte. O caso de Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, serve como exemplo dos impactos sociais e econômicos da financeirização do sistema bancário no Brasil.
*Com informações do Programa Altos Papos.











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