Nepal busca transição política após protestos violentos e fuga em massa de detentos

Autoridades enfrentam crise de segurança e discutem formação de governo de transição após renúncia do primeiro-ministro.
Autoridades enfrentam crise de segurança e discutem formação de governo de transição após renúncia do primeiro-ministro.

Na quinta-feira (11/09/2025), o Nepal iniciou esforços para estabilizar a situação política e de segurança após uma semana de protestos violentos que resultaram na renúncia do primeiro-ministro Khadga Prasad Sharma Oli. Mais de 13.500 detentos escaparam das prisões durante os distúrbios, e até o momento mais de 200 fugitivos foram recapturados. O país enfrenta agora negociações políticas e operações de segurança para garantir a ordem e organizar uma transição governamental.

Crise de segurança e fuga de detentos

Os confrontos ocorreram em várias cidades, incluindo Katmandu e Ramechhap, onde o Exército abriu fogo, resultando em 12 feridos e dois mortos entre os prisioneiros. Patrulhas de fronteira indianas prenderam dezenas de fugitivos que tentavam entrar na Índia, entregando pelo menos 60 deles às autoridades nepalesas. Durante os distúrbios, manifestantes incendiaram a sede do Parlamento, edifícios estatais, um shopping center, um hotel Hilton e a sede do diário Kathmandu Post.

Mortes e renúncia do primeiro-ministro

Os confrontos provocaram a morte de 19 manifestantes e três policiais, segundo dados do exército e da polícia. O primeiro-ministro Oli, de 73 anos, que liderou o país por quatro mandatos, anunciou sua renúncia na terça-feira, alegando incapacidade de conter a violência e atender às demandas da população.

Causas dos protestos

Os distúrbios foram motivados por insatisfação popular com a corrupção, alto desemprego e o bloqueio das redes sociais pelo governo. Jovens lideraram os protestos, expressando desejo de afastar as elites políticas tradicionais que se revezam no poder desde a abolição da monarquia em 2008.

Discussões para transição política

Com a saída de Oli, o presidente Ramchandra Paudel, de 80 anos, iniciou consultas para encontrar uma solução constitucional rápida e pacífica. O general Ashok Raj Sigdel, chefe do Exército, dialoga com representantes de diferentes setores e manifestantes sobre a transição de poder.

Candidatos à liderança de transição

A ex-chefe da Suprema Corte, Sushila Karki, de 73 anos, surge como candidata à liderança de um governo de transição. Outra figura cogitada é Balendra Shah, de 35 anos, ex-rapper e prefeito de Katmandu, popular entre os jovens, que declinou a proposta. Especialistas descartam a possibilidade de retorno da monarquia, temendo uma restauração do rei Gyanendra Bir Bikram Shah, de 77 anos.

Medidas de segurança e situação atual

Em Katmandu, o toque de recolher, imposto há dois dias, foi suspenso brevemente para permitir abastecimento. Soldados continuam patrulhando ruas e cruzamentos centrais em veículos blindados e tanques, mantendo vigilância para prevenir novos confrontos. O país enfrenta o desafio de estabelecer liderança política estável após eleições de 2022, em meio a coalizões frágeis e crescente pressão popular.

*Com informações da RFI.


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