Na quinta-feira (11/09/2025), a organização Save the Children alertou que cerca de 13 milhões de crianças e adolescentes no Sudão estão fora da escola devido ao conflito armado entre o exército nacional e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FSR), em curso desde abril de 2023. O estudo da ONG aponta que a falta de acesso à educação expõe os menores a recrutamento por grupos armados, violência sexual e deslocamento forçado.
Crise educacional e impacto do conflito
O levantamento indica que aproximadamente sete milhões de estudantes matriculados não têm acesso efetivo à educação devido à guerra ou deslocamento, enquanto outros seis milhões sequer estão matriculados. O diretor da Save the Children no Sudão, Mohamed Abdiladif, alerta que a continuidade do conflito compromete a retomada das aulas e aumenta a vulnerabilidade de crianças a casamentos forçados, exploração e violência.
Destruição de infraestrutura
Desde o início da guerra, dezenas de milhares de pessoas morreram, milhões foram deslocadas e a infraestrutura essencial, incluindo escolas e hospitais, foi severamente danificada. A missão investigativa da ONU relatou casos de casamentos forçados envolvendo meninas de apenas 12 anos, muitas vezes sob ameaça de morte contra suas famílias.
Situação pré-conflito
Mesmo antes da atual escalada militar, cerca de sete milhões de crianças já estavam fora da escola devido à pobreza e instabilidade política. Nos últimos meses, menos da metade das escolas conseguiu reabrir, permitindo que cerca de quatro milhões de estudantes retomassem os estudos.
Retornos e deslocamentos internos
Algumas regiões do centro do Sudão, incluindo Cartum, registram relativa estabilidade após o exército retomar controle no início do ano. Segundo a agência da ONU para migrações, cerca de dois milhões de pessoas retornaram para suas casas desde novembro passado, com quase metade se reinstalando no estado central de Al-Jazira e cerca de 600 mil em Cartum.
Crise humanitária
O Sudão enfrenta uma das piores crises humanitárias do mundo, com aproximadamente 10 milhões de deslocados internos e quatro milhões de refugiados fora do país. A interrupção da educação em larga escala compromete o futuro de milhões de crianças, aumentando vulnerabilidades sociais e riscos de exploração.
*Com informações da RFI.








Deixe um comentário