A Instituição Fiscal Independente (IFI) divulgou relatório na quinta-feira (18/09/2025) que aponta para um cenário fiscal menos otimista que o apresentado pelo governo federal. O estudo destaca déficit elevado, crescimento acelerado da dívida pública e incertezas sobre a efetividade das receitas previstas. Segundo a entidade, o cumprimento da meta fiscal de 2026 poderá depender da adoção de novas medidas de arrecadação.
O Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF nº 103), atualizado em 21/08/2025, evidencia a fragilidade estrutural das contas públicas brasileiras. O documento cita orçamento engessado, déficits primários sucessivos desde 2014, compressão de investimentos e trajetória de aumento acelerado da dívida pública.
De acordo com o diretor da IFI, Alexandre Andrade, as estimativas da instituição diferem do otimismo do governo em relação às receitas. Ele destacou que parte significativa da arrecadação projetada depende de parâmetros macroeconômicos favoráveis e da aprovação de medidas no Congresso Nacional.
Riscos nas projeções de receitas
A IFI identificou desvios relevantes em alguns agregados de receita, como as previdenciárias e as chamadas não administradas, que são influenciadas pelo desempenho da economia. Além disso, parcela importante das receitas previstas pelo governo está condicionada a novas legislações tributárias, cujo trâmite legislativo é incerto.
“Caso as proposições em discussão no Congresso sejam modificadas e resultem em menor impacto sobre a arrecadação, será necessário buscar outras fontes de receita”, afirmou Alexandre Andrade.
Meta fiscal de 2026 sob pressão
A análise da IFI conclui que o espaço para cumprimento da meta fiscal de 2026 é estreito. A instituição alerta que o governo terá dificuldade em manter credibilidade se continuar recorrendo a mudanças frequentes nas metas fiscais ou à exclusão de determinadas despesas do limite de gastos. Para o órgão, tais práticas comprometem a função de sinalização de solidez da política fiscal.
O relatório ainda ressalta que o Brasil está entre os países emergentes e latino-americanos que registraram maior crescimento da relação dívida/PIB nos últimos anos, o que reforça a necessidade de maior disciplina fiscal.
Projeções da IFI
Abaixo, os principais indicadores econômicos divulgados pela IFI no RAF nº 103 (21/08/2025):
- PIB – crescimento real (% a.a.): 2025 – 2,4 | 2026 – 1,7
- PIB – nominal (R$ bilhões): 2025 – 12.672 | 2026 – 13.479
- IPCA – acumulado (% no ano): 2025 – 5,3 | 2026 – 4,3
- Taxa de câmbio – fim de período (R$/US$): 2025 – 5,8 | 2026 – 5,9
- Ocupação – crescimento (%): 2025 – 1,1 | 2026 – 0,9
- Massa salarial – crescimento (%): 2025 – 3,4 | 2026 – 2,6
- Selic – fim de período (% a.a.): 2025 – 14,8 | 2026 – 12,5
- Juros reais ex-ante (% a.a.): 2025 – 8,1 | 2026 – 7,1
- Resultado Primário do Setor Público Consolidado (% do PIB): 2025 – -0,7 | 2026 – -1,2
- dos quais Governo Central: 2025 – -0,6 | 2026 – -1,0
- Juros Nominais Líquidos (% do PIB): 2025 – 8,4 | 2026 – 8,3
- Resultado Nominal (% do PIB): 2025 – -9,1 | 2026 – -9,5
- Dívida Bruta do Governo Geral (% do PIB): 2025 – 77,6 | 2026 – 82,4
Essas projeções reforçam a avaliação de que o país enfrentará um cenário desafiador em 2026, com dívida crescente, juros ainda elevados e déficits persistentes.
Riscos concretos
O relatório da IFI explicita uma tensão recorrente entre projeções oficiais e avaliações independentes. Enquanto o governo busca transmitir confiança ao mercado e à sociedade, a instituição alerta para riscos concretos que podem corroer a credibilidade da política fiscal. A dependência de receitas incertas, a fragilidade das contas previdenciárias e o endividamento crescente expõem vulnerabilidades que podem limitar a capacidade do Estado em investir e sustentar políticas públicas. A insistência em alterar metas fiscais mina a previsibilidade e gera insegurança para investidores e para a sociedade.








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