A Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) protagonizou na terça-feira (28/10/2025) um dos momentos mais simbólicos da EXPOSIBRAM 2025, ao participar da abertura da Bolsa de Toronto (TSX), principal centro financeiro mundial voltado ao setor mineral. O ato posiciona a Bahia no radar global de investidores e reforça o potencial do estado para atrair capital estrangeiro e parcerias estratégicas no contexto da transição energética.
A cerimônia, realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), reuniu executivos de grandes mineradoras, representantes de governos e investidores internacionais. O gesto representou um movimento estratégico de internacionalização da mineração baiana, consolidando o estado como referência nacional no desenvolvimento de projetos sustentáveis e de alto valor agregado.
Nova estratégia empresarial da CBPM
Durante o evento, o presidente da CBPM, Henrique Carballal, destacou que a empresa está reformulando sua estrutura operacional e financeira para atrair investimentos privados e acelerar o ciclo de exploração mineral.
“A CBPM está modificando fundamentalmente sua forma de enxergar os negócios de mineração. Esse é o nosso primeiro passo para constituir uma empresa de caráter privado, onde vai entrar com seus ativos e se associar à iniciativa privada”, afirmou Carballal.
Segundo ele, a estratégia visa reduzir o tempo entre a descoberta e o desenvolvimento das jazidas, com foco na industrialização e no processamento dos minerais dentro da Bahia, o que amplia o valor agregado e gera empregos locais.
Contexto global e parceria com o Canadá
O Canadá é reconhecido mundialmente como líder em financiamento e inovação mineral, abrigando mais de 1.100 empresas de mineração listadas na TSX e na TSX Venture Exchange (TSXV) — número superior ao de qualquer outro grupo de bolsas no mundo.
A presença brasileira na bolsa canadense é considerada um marco diplomático e econômico, reforçando a cooperação bilateral em investimento, tecnologia e desenvolvimento sustentável.
O representante canadense Guillaume [sobrenome a confirmar] ressaltou que o Brasil já possui presença relevante no mercado de capitais canadense, mas pode expandir sua atuação e atrair novos aportes.
“O Brasil já se posicionou no mercado canadense, mas pode fazer muito mais. Por isso, decidimos ter uma presença permanente no país. A parceria entre Canadá e Brasil é de longa data, e a Bahia tem papel estratégico nesse processo”, declarou.
A Bahia como potência mineral emergente
A Bahia se consolida como um dos principais polos minerais do Brasil, com destaque para minerais estratégicos como níquel, cobre, ferro, ouro, lítio e terras raras, todos essenciais à transição energética global. O estado conta com projetos de grande escala, como os polos de Jaguarari, Campo Formoso, Caetité e Itagibá, além de novas áreas de prospecção sob gestão da CBPM.
A presença da empresa baiana na Bolsa de Toronto reforça a integração do estado à cadeia global de minerais críticos, fundamentais para tecnologias limpas, baterias elétricas e infraestrutura digital.
Visão institucional e impacto nacional
Para o presidente do IBRAM, Raul Jungmann, o evento simboliza um novo ciclo para o setor mineral brasileiro.
“Há uma necessidade enorme de capital para as mineradoras, sobretudo as juniores. A diversidade é um valor estratégico, e a Bahia, com sua variedade geológica, representa exatamente esse potencial que queremos expandir”, afirmou.
O IBRAM e a CBPM pretendem consolidar novos canais de financiamento e cooperação técnica entre investidores canadenses e brasileiros, fortalecendo a posição da Bahia como referência em mineração sustentável e inovação tecnológica.
Divisor de águas na política mineral
A abertura da Bolsa de Toronto durante a EXPOSIBRAM 2025 marca um divisor de águas na política mineral da Bahia, que busca integrar-se à economia verde e ao sistema financeiro internacional. No entanto, o sucesso dessa estratégia dependerá de marcos regulatórios claros, estabilidade jurídica e transparência nas parcerias público-privadas. A iniciativa é promissora, mas expõe o desafio histórico da mineração brasileira: converter potencial geológico em desenvolvimento industrial e social efetivo.










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