A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (13/11/2025), a Operação Worms 2 – “Não Seja um Laranja”, com o objetivo de desarticular um esquema sofisticado de fraudes bancárias, estelionato majorado e lavagem de dinheiro que atuava na Bahia e movimentou mais de R$ 6,9 milhões entre 2023 e 2024, com projeção de ultrapassar R$ 20,9 milhões em cinco anos .
As ações desta fase da investigação incluem 24 mandados de busca e apreensão, 23 medidas cautelares diversas da prisão e um mandado de prisão preventiva, todos expedidos pela Justiça Federal. As diligências ocorrem nos municípios de Vitória da Conquista e Salvador, com a participação de 52 policiais federais .
Segundo a PF, a operação integra a Força-Tarefa Tentáculos, que reúne cooperação entre instituições bancárias e órgãos de Estado para combater fraudes eletrônicas e crimes financeiros complexos.
A investigação teve início a partir das operações Worms (2022) e Não Seja um Laranja (2022), que já identificavam o uso de contas bancárias de terceiros para ocultar recursos ilícitos. Nesta nova fase, os agentes identificaram que o grupo evoluiu para um mecanismo estrutural de lavagem de dinheiro, utilizando:
- Instituições de pagamento;
- Plataformas de apostas online;
- Transações com criptoativos;
- Contas de “laranjas” para pulverização de valores.
Relatórios de inteligência financeira detectaram movimentações intensas que indicam um padrão profissional de ocultação, característico de organizações criminosas mais estruturadas.
Possível conexão com o tráfico de drogas
Os investigadores ressaltam que parte dos recursos movimentados pode ter origem no tráfico de drogas, reforçando a hipótese de integração entre diferentes modalidades ilícitas, como estelionato, furto qualificado e lavagem de capitais.
As suspeitas ampliam a dimensão do caso e sugerem que a organização opera em rede com outros grupos, potencialmente conectados ao crime organizado regional.
Além das diligências, a Justiça Federal determinou o bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros dos investigados, medida destinada a descapitalizar a estrutura econômica da organização, considerada essencial pela PF para interromper o fluxo ilícito comandado pelos líderes do esquema.
Os crimes apurados — associação criminosa, furto qualificado, estelionato majorado e lavagem de dinheiro — possuem penas máximas que, somadas, podem ultrapassar 30 anos de prisão.
A operação volta a chamar atenção para um problema recorrente no sistema financeiro: o uso de “laranjas”. A PF alerta que emprestar ou ceder contas bancárias para movimentação de valores ilícitos é crime e serve de base para golpes que atingem milhares de brasileiros, especialmente em fraudes eletrônicas e ataques contra instituições financeiras.
Fraudes digitais no Brasil
A Operação Worms 2 evidencia a sofisticação crescente das fraudes digitais no Brasil e o uso de mecanismos tecnológicos – como criptoativos e plataformas online – para ocultar recursos ilegais. A falta de educação financeira e a vulnerabilidade socioeconômica seguem permitindo o recrutamento de “laranjas”, elemento estrutural desses esquemas. Ao mesmo tempo, a descentralização das operações revela o desafio das autoridades em acompanhar a velocidade das inovações no sistema financeiro. A integração da PF com instituições bancárias demonstra avanço, mas o volume movimentado pelo grupo revela lacunas ainda abertas na prevenção e no rastreamento de transações suspeitas.











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