EUA reduzem tarifas agrícolas e aliviam pressão sobre exportações brasileiras; Vice-presidente Geraldo Alckmin destaca avanço e reforça negociações para eliminar tarifaço

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou neste sábado (15/11/2025) que a nova ordem executiva do presidente americano Donald Trump, publicada na sexta-feira (14), representa um avanço nas negociações para reduzir o tarifaço imposto em abril, quando os Estados Unidos aplicaram sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro trabalha para que a retirada parcial — que abrange café, sucos, carnes e frutas — evolua para a eliminação completa das tarifas adicionais.

A nova ordem executiva norte-americana retirou produtos agrícolas relevantes da lista sujeita ao adicional de 10%, imposto no pacote tarifário de abril. A medida beneficia diretamente a pauta exportadora brasileira, sobretudo suco de laranja, café, carne e diversas frutas tropicais.

Alckmin classificou a decisão como “um passo na direção correta” e atribuiu o avanço ao diálogo político mantido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Trump, além das reuniões conduzidas pelo chanceler Mauro Vieira com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

O vice-presidente enfatizou que o suco de laranja foi o item mais favorecido. Responsável por US$ 1,2 bilhão em exportações para os EUA, o produto passa a entrar no mercado americano sem tarifa adicional.

Impactos sobre a pauta exportadora brasileira

A retirada parcial das tarifas eleva de 23% para 26% o percentual de exportações brasileiras que entram nos Estados Unidos sem sobretaxas. Em valores, isso significa acréscimo de US$ 9,4 bilhões para US$ 10,3 bilhões, considerando os dados de 2024.

O Brasil, maior produtor mundial de café, ainda enfrenta tarifas de 40% sobre o grão — situação que Alckmin classificou como “injustificável”. Para o vice-presidente, a manutenção dessa taxa trata-se de uma “distorção que precisa ser corrigida” para restabelecer a competitividade do setor.

As negociações seguem em ritmo acelerado. Alckmin garantiu que não há “tema proibido” e que a orientação do presidente Lula é alcançar uma solução definitiva.

Contexto internacional: pressão interna nos EUA e recuo estratégico

A redução tarifária ocorre num momento em que Trump enfrenta forte pressão doméstica decorrente do aumento do custo de vida nos Estados Unidos. Desde abril, o tarifaço impulsionou preços de itens essenciais — o café, por exemplo, subiu 20% entre agosto e setembro.

A nova decisão também acompanha ajustes anunciados na quinta-feira (13/11/2025) para países como Argentina, Equador, El Salvador e Guatemala, que buscam aliviar impactos semelhantes.

Mesmo com a redução parcial, várias tarifas impostas ao Brasil seguem elevadas, especialmente as aplicadas a carnes e frutas. Após assinar o decreto, Trump declarou que “novos cortes não seriam necessários”, frustrando a expectativa brasileira de eliminação total das sobretaxas.

Diplomacia ativa: encontros bilaterais e avanço técnico

O chanceler Mauro Vieira relatou que as conversas em Washington demonstraram boa vontade por parte do secretário Marco Rubio, que se comprometeu a responder rapidamente às propostas brasileiras.

No plano diplomático, o encontro presencial entre Lula e Trump, em outubro, durante reunião na Malásia, abriu caminho para a revisão tarifária. Na ocasião, ambos acordaram mobilizar suas equipes para acelerar a busca de soluções para tarifas e sanções.

Recorde de exportações brasileiras

Durante a entrevista, Alckmin destacou o desempenho do comércio exterior brasileiro. De janeiro a outubro, o País exportou US$ 290 bilhões, maior resultado da série histórica. Somente no mês de outubro, as exportações cresceram 9,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O vice-presidente afirmou ainda que o Brasil alcançou quase 500 novos mercados e acordos comerciais em 2025, impulsionando sua presença no comércio global.

Inflexão estratégica

A decisão do Governo Trump revela uma inflexão estratégica motivada tanto por pressões internas quanto por ajustes na política comercial americana. Ainda que o gesto represente um alívio imediato para setores brasileiros — especialmente frutas, carnes e sucos —, o recuo não elimina o núcleo do tarifaço, que segue penalizando produtos de alta competitividade internacional, como o café. A posição brasileira, fundamentada no diálogo diplomático e no pragmatismo econômico, expõe a necessidade de consolidar uma solução duradoura que preserve a previsibilidade do ambiente comercial. A manutenção de tarifas de 40% sobre o café indica que a agenda de negociações permanece aberta e desafiadora.


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