O governador Jerônimo Rodrigues intensificou neste segundo final de semana uma agenda de novembro de 2025 atuação marcada pela atuação suprapartidária e pela defesa explícita do princípio republicano na gestão pública. Durante visita ao município de Barro Preto, onde realizou entregas e anunciou R$ 10 milhões em novos investimentos, Jerônimo voltou a demonstrar que prioriza demandas locais independentemente de alianças eleitorais ou preferências políticas. O prefeito da cidade, vale lembrar, não o apoiou nas eleições de 2022.
A postura adotada em Barro Preto repetiu o mesmo padrão observado na semana anterior, quando Jerônimo esteve em Riachão do Jacuípe, outro município administrado por um grupo político adversário. Na ocasião, o governador atendeu pleitos locais e apresentou um pacote de obras voltado ao desenvolvimento urbano e social, reiterando que “necessidades da população estão acima das disputas eleitorais passadas”.
A estratégia se estende por toda a Bahia. Até o momento, Jerônimo percorreu 365 municípios, mantendo uma média aproximada de um município visitado a cada três dias. A dinâmica reforça duas marcas de sua gestão: proximidade territorial e universalização do atendimento administrativo, independentemente de rivalidades políticas.
Uma mudança inaugurada em 2006
A adoção de uma postura republicana na relação com prefeitos adversários não é trivial no contexto político baiano. Por décadas, a Bahia conviveu com práticas centralizadoras e punitivas, em que prefeitos oposicionistas sofriam restrições de acesso a recursos estaduais.
Observadores políticos associam a virada ao governo de Jaques Wagner, eleito em 2006, cuja gestão inaugurou uma lógica de cooperação institucional mais estável. Jerônimo, nesse sentido, aprofundou e territorializou essa tradição, ampliando a presença física da administração estadual no interior.
A memória histórica do antagonismo político
A diferença de estilo se torna ainda mais evidente quando confrontada com o período do antigo carlismo. No livro de memórias Riso-Choro, o comunicador e ex-prefeito de Salvador Mário Kertész relembra que, sob o domínio político de Antônio Carlos Magalhães (ACM), vigorava a máxima: “aos amigos tudo; aos inimigos a lei”.
Apesar da convivência prolongada entre ambos, Kertész relata episódios em que, após o rompimento político, também experimentou a pressão característica do período, marcada por centralização, retaliação e uso político de instrumentos institucionais — práticas que contrastam com o ambiente atual e com a retórica adotada por Jerônimo.
A consolidação de uma gestão orientada pelo princípio republicano
As visitas aos municípios e o atendimento a prefeitos aliados e adversários revelam um esforço de consolidação de uma governança que busca ancorar-se em critérios técnicos e planejamento territorial. Os investimentos anunciados em Barro Preto — especialmente nas áreas de educação, saúde e infraestrutura — reforçam uma estratégia de desenvolvimento descentralizado, baseada no diagnóstico direto das necessidades locais.
A amplitude da agenda também indica um movimento de abertura administrativa, no qual a política partidária tende a ocupar papel secundário ante a execução de políticas públicas e ao fortalecimento da presença do Estado no interior baiano.
Política de Estado permanente
A narrativa republicana apresentada pelo governador Jerônimo Rodrigues dialoga com uma tradição recente, mas ainda em consolidação na Bahia. Embora sua atuação evidencie um afastamento das práticas excludentes que marcaram décadas anteriores, o desafio reside em transformar gestos políticos em política de Estado permanente, não apenas em marca de gestão.
A ampla circulação territorial reforça sua imagem de proximidade, mas também pode ser interpretada como estratégia de visibilidade contínua. O equilíbrio entre eficiência administrativa e capital político será determinante para medir a solidez desse modelo republicano.








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