O Governo da Bahia firmou nesta quarta-feira (10/12/2025) um novo protocolo de cooperação com universidades públicas para ampliar a qualificação da gestão de cooperativas, associações e agroindústrias da agricultura familiar, com foco em povos e comunidades tradicionais. A iniciativa reforça a execução do Mais Gestão na Bahia, programa do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) voltado a aprimorar processos internos, ampliar o acesso a mercados e fortalecer cadeias produtivas estratégicas. O anúncio foi feito durante o Seminário Mais Gestão, realizado no Colégio Estadual Professor Rômulo Almeida, em Salvador, dentro da programação da 16ª Febafes.
O protocolo consolida uma articulação entre Governo Federal, Governo do Estado e movimentos sociais, associando a experiência de instituições de ensino à prática das organizações da agricultura familiar. De acordo com o governador Jerônimo Rodrigues, a parceria busca gerar renda, emprego, proteção ambiental e preservação cultural nas comunidades atendidas. “Uma parceria do Governo Federal, do Governo do Estado e dos movimentos sociais, na qual preparamos capacitação e qualificação para que os negócios realizados pelos quilombos gerem renda, emprego, protejam o meio ambiente e, acima de tudo, preservem a cultura dos povos tradicionais”, afirmou.
Na Bahia, o projeto é executado pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), sob coordenação da professora Tatiana Velloso, em rede com a Universidade Federal da Bahia (Ufba), Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Instituto Federal da Bahia (IFBA), Universidade Federal de Sergipe (UFS), Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Ao todo, 40 organizações da agricultura familiar foram selecionadas em territórios estratégicos, distribuídos pela Chapada, litoral, região metropolitana e sertão, reforçando a capilaridade territorial da política pública.
Rede de universidades, investimento público e alcance territorial
O Mais Gestão na Bahia contará, nesta etapa, com investimento de R$ 2 milhões, para execução em um período de 15 meses. Os recursos são destinados principalmente à capacitação, assessoria técnica especializada e apoio à gestão de empreendimentos da agricultura familiar, com foco em planejamento, governança, controle financeiro, logística e acesso a mercados institucionais e privados. A proposta é integrar conhecimento acadêmico, experiência de extensão universitária e demandas concretas das comunidades atendidas.
As 40 organizações selecionadas estão distribuídas em dez territórios de identidade: Chapada Diamantina, Litoral Norte/Agreste Baiano, Litoral Sul, Metropolitana de Salvador, Piemonte da Diamantina, Piemonte Norte do Itapicuru, Portal do Sertão, Recôncavo, Sertão do São Francisco e Velho Chico. Nesses territórios, o programa pretende qualificar processos produtivos, fortalecer o cooperativismo e apoiar a estruturação de agroindústrias, ampliando a oferta de alimentos saudáveis e a geração de renda local.
A secretária da Educação, Rowenna Brito, destacou a conexão entre a agricultura familiar e as políticas de alimentação escolar, evidenciando o caráter intersetorial da iniciativa. Segundo ela, o programa representa uma “força-tarefa de capacitação e assessoria técnica para fortalecer essa cadeia produtiva, trazendo como retorno benefícios para a educação, com uma alimentação escolar mais saudável e sustentável”. Na prática, a melhoria da gestão das cooperativas facilita a participação em chamadas públicas, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), e amplia a inserção de produtos da agricultura familiar na merenda.
Gestão qualificada, mercados e valorização de comunidades tradicionais
O fortalecimento da gestão administrativa e financeira das cooperativas é apontado como eixo central do Mais Gestão na Bahia. A parceria com as universidades prevê formações presenciais e atividades de extensão, além de assessoria contínua às organizações participantes. Entre as prioridades estão o planejamento de produção, organização de estoques, definição de estratégias comerciais, melhoria da qualidade dos produtos e adequação a exigências sanitárias e ambientais.
Outro foco é a valorização de povos e comunidades tradicionais, com destaque para quilombolas, agricultores familiares de base agroecológica e grupos vinculados à economia solidária. A atuação conjunta de Governo, universidades e movimentos sociais busca garantir que o acesso a mercados não comprometa a identidade cultural, o modo de vida comunitário e o uso sustentável dos recursos naturais, reforçando práticas de produção responsável e conservação ambiental.
No campo da política pública, o Mais Gestão se integra a outras ações de fortalecimento da agricultura familiar e da economia solidária na Bahia, como programas de assistência técnica e extensão rural, crédito orientado, compras governamentais e iniciativas de transição agroecológica. A presença ativa de universidades federais e estaduais cria um ambiente de inovação, em que experiências bem-sucedidas podem ser sistematizadas, avaliadas e replicadas em outros territórios, ampliando o impacto da política.











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