Feira de Santana, quarta-feira, 11/12/2025 — O vereador licenciado Jurandy Carvalho (PSDB), pré-candidato a deputado estadual nas Eleições 2026, afirmou que a Secretaria de Serviços Públicos (SESP), sob comando do secretário Justiniano França, intensificou a limpeza do Riacho do Feira X, um dos principais afluentes poluidores do Rio Jacuípe e, consequentemente, do Sistema Hídrico de Pedra do Cavalo. A operação já retirou entre 5 toneladas de lixo, expondo um cenário crítico de degradação ambiental.
Jurandy Carvalho relatou que a operação, realizada em parceria entre a SESP, equipes de garis e a Associação de Pescadores local, já retirou cerca de cinco toneladas de resíduos em quatro dias de trabalho contínuo. O trecho atendido abrange áreas que vão do entorno do Colégio Polivalente, passando por Brasília, Olhos d’Água da Moça, Jardim Acácia e chegando ao Feira X, onde o acúmulo de lixo se intensifica.
Segundo o vereador, o riacho é considerado um dos maiores responsáveis pela contaminação do Rio Jacuípe, recebendo dejetos sólidos descartados irregularmente pela população ao longo de seu percurso urbano. Estima-se que a operação atual alcance até 8 mil quilos de resíduos removidos, apenas neste trecho específico.
Ele ressalta que, se uma limpeza completa fosse realizada ao longo do Rio Jacuípe, seria possível retirar mais de 200 toneladas de lixo, refletindo um problema estrutural de décadas, agravado pela urbanização acelerada e ausência de práticas consistentes de educação ambiental.
Impacto sobre Pedra do Cavalo e risco ao abastecimento
A preocupação central levantada pelo vereador é o impacto direto da poluição sobre o Sistema Pedra do Cavalo, responsável pelo abastecimento de água de mais de 7 milhões de baianos, incluindo aproximadamente 60% da Região Metropolitana de Salvador, percentual que pode chegar a 80% com a ampliação da adutora.
Jurandy alerta que a degradação contínua pode reproduzir episódios de colapso registrados em outros mananciais baianos, como Pitanga, Itapemirim e Joanes, que enfrentaram severa contaminação decorrente da poluição urbana e falhas no tratamento de esgoto. O parlamentar avalia que, sem ações estruturantes e permanentes, o risco de perda de qualidade da água em Pedra do Cavalo pode se agravar.
Ele reforça que a iniciativa atual funciona como um alerta público sobre a necessidade de reforço na proteção dos recursos hídricos, incluindo investimentos em saneamento, fiscalização e campanhas educativas.
Mobilização da SESP e participação comunitária
A ação coordenada pela SESP mobiliza equipes especializadas, caminhões-caçamba e apoio logístico para recolhimento e destinação adequada dos resíduos. Pescadores que vivem da atividade no Jacuípe também participam do esforço, ampliando a capacidade de retirada do lixo acumulado.
Nos vídeos enviados pelo vereador, é possível observar o fluxo constante de resíduos subindo com a correnteza e a necessidade de repetidas coletas ao longo do dia. Ele destacou ainda que a comunidade local tem desempenhado papel relevante, auxiliando na limpeza e reforçando a cobrança por conscientização ambiental.
Jurandy afirmou que o objetivo é transformar a ação emergencial em uma política pública contínua, especialmente diante da pressão crescente sobre os recursos hídricos do estado.
Conscientização e responsabilidade coletiva
A principal crítica do parlamentar recai sobre o comportamento da população, que continua descartando lixo em áreas próximas ao riacho. Para ele, o poder público cumpre seu papel, mas sem mudança cultural e fiscalização permanente, o problema se repetirá.
O vereador defende campanhas de longo prazo, envolvendo escolas, associações comunitárias e setores privados, para reduzir a sobrecarga do sistema hídrico. Ele avalia que a degradação recorrente demonstra falhas históricas na gestão ambiental urbana, que precisam ser enfrentadas com rigor e planejamento.
Fragilidade dos recursos hídricos
A operação emergencial em Feira de Santana evidencia o grau de fragilidade dos recursos hídricos que abastecem grande parte da Bahia. Embora a limpeza do Riacho do Feira X represente um passo relevante, ela revela sobretudo a ausência prolongada de políticas contínuas de prevenção e manutenção ambiental, substituídas por ações pontuais que combatem apenas as consequências, não as causas.
O acúmulo de resíduos ao longo do riacho, somado à participação comunitária ainda limitada, indica que o enfrentamento da crise depende de coordenação interinstitucional, educação ambiental, investimentos em saneamento e fiscalização rigorosa. Sem esse conjunto articulado, o risco sobre Pedra do Cavalo permanece elevado.











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