O Paris Saint-Germain conquistou, na noite desta quarta-feira (17/12/2025), a Copa Intercontinental da FIFA Catar 2025™, ao vencer o Flamengo na disputa de pênaltis após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar e na prorrogação. O título representa um marco histórico: trata-se da primeira conquista de um clube francês em competições oficiais da FIFA.
A decisão foi definida nas penalidades graças à atuação decisiva do goleiro Matvei Safonov, que defendeu quatro cobranças e se tornou o personagem central da final. Apesar da derrota, o Flamengo encerra sua participação no torneio com desempenho competitivo e dois troféus internacionais conquistados ao longo da competição.
Primeiro tempo de domínio francês e gol de Kvaratskhelia
O PSG foi dominante durante toda a primeira etapa, impondo ritmo elevado, linhas compactas e transições rápidas. A equipe francesa controlou a posse de bola, pressionou a saída adversária e manteve o Flamengo distante de sua área na maior parte do tempo.
O gol que abriu o placar saiu aos 38 minutos, em um lance que gerou debate. Após passe rasteiro de Désiré Doué, o goleiro Rossi tentou interceptar a bola com a mão, mas acabou desviando-a para a trajetória de Kvaratskhelia, que completou para o gol. A arbitragem e o VAR validaram o lance.
Com dificuldades para construir jogadas ofensivas, o Flamengo criou pouco na etapa inicial. As principais tentativas vieram com Pulgar, em um cabeceio e uma finalização de fora da área, ambas defendidas com segurança por Safonov.
Pênalti de Marquinhos muda o jogo no segundo tempo
O panorama da partida se alterou logo no início do segundo tempo. Um erro de Marquinhos, ao cometer pênalti em Arrascaeta, recolocou o Flamengo no confronto e deu novo fôlego à equipe brasileira.
Jorginho converteu a cobrança com tranquilidade, empatando o jogo e aumentando a confiança rubro-negra. A partir do empate, o Flamengo passou a explorar os espaços deixados pelo PSG e ganhou força nos contra-ataques.
Flamengo cresce, cria chances e pressiona o PSG
Após o gol, o Flamengo viveu seu melhor momento na partida. Plata, Pedro e Bruno Henrique tiveram oportunidades claras de virar o placar nos minutos finais do tempo regulamentar, mas faltou precisão nas conclusões.
Preocupado com a queda de rendimento da equipe, o técnico Luis Enrique promoveu a entrada de Dembélé, eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA e pela revista France Football. Recuperado de uma forte gripe, o atacante entrou aos 33 minutos, mas teve participação discreta.
Mesmo sob pressão, o PSG ainda teve a chance de decidir o jogo no último lance do tempo normal. Marquinhos, em noite irregular, apareceu livre na área, mas desperdiçou ao tentar concluir de forma improvisada.
Prorrogação intensa e excesso de preciosismo francês
A prorrogação foi marcada pelo desgaste físico das duas equipes. O PSG voltou a pressionar, especialmente nos minutos finais, encurralando o Flamengo no campo defensivo.
Apesar de chegar ao ataque com poucos passes, o time francês exagerou no preciosismo. Em diversas jogadas, optou por trocas excessivas de passes dentro da área, em vez de finalizar, facilitando a recomposição defensiva do Flamengo. O empate persistiu até o apito final, levando a decisão para os pênaltis.
Safonov decide e se torna herói improvável
Na disputa de penalidades, Matvei Safonov foi decisivo. O goleiro russo defendeu quatro cobranças, incluindo a decisiva, e garantiu o título ao PSG em uma série marcada por erros de ambos os lados.
Safonov assumiu a titularidade recentemente, após a saída de Gianluigi Donnarumma e a lesão de Lucas Chevalier no fim de novembro. Contratado em junho de 2024, o goleiro formado no Krasnodar vinha sendo reserva, mas ganhou sequência nos últimos jogos e encerrou o torneio como destaque absoluto.
Sua trajetória no PSG, no entanto, não esteve livre de tensões. Houve relatos na imprensa europeia de desconforto do zagueiro ucraniano Illia Zabarnyi em conviver com o goleiro russo, em razão do contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia. Em campo, porém, Safonov respondeu com desempenho decisivo.
Flamengo termina o torneio com títulos e reconhecimento
Apesar do vice na final intercontinental, o Flamengo deixa o Catar com saldo positivo. O clube conquistou a Copa Challenger da FIFA™, ao vencer o Pyramids, do Egito, e o Dérbi das Américas da FIFA™, após superar o Cruz Azul, do México.
A derrota para o PSG interrompeu uma sequência de quatro títulos em cinco partidas da equipe comandada por Filipe Luís, que também havia conquistado a Copa Libertadores da CONMEBOL e o Campeonato Brasileiro antes de chegar a Doha.
Repercussão internacional destaca equilíbrio da decisão
A final teve ampla repercussão na imprensa internacional. O francês Le Parisien afirmou que o PSG não foi “imperioso” e reconheceu as dificuldades impostas pelo Flamengo. O L’Équipe descreveu o adversário brasileiro como “valente”, enquanto o Le Monde avaliou que a atuação parisiense esteve abaixo do padrão apresentado em outras decisões.
Na Espanha, o Marca destacou que o Flamengo “colocou o PSG nas cordas”, e o Sport elogiou o trabalho de Filipe Luís. O As exaltou Luis Enrique, mas registrou que jogadores como Saúl e Dembélé desperdiçaram pênaltis.
Na Argentina, o Olé comparou a decisão com a final da Liga dos Campeões e ressaltou que o confronto no Catar foi muito mais equilibrado, avaliando que o Flamengo elevou o nível do futebol sul-americano.
Debate sobre o status do título intercontinental
A final também reacendeu o debate sobre o status da Copa Intercontinental da FIFA e sua equivalência histórica ao antigo Mundial de Clubes. Embora organizada pela FIFA, a competição ainda gera discussões sobre seu peso simbólico no cenário global.
Independentemente da controvérsia, o título consolida o PSG como protagonista internacional e reforça a estratégia da FIFA de utilizar o Catar como polo permanente de grandes eventos esportivos, aproveitando o legado da Copa do Mundo de 2022.
Competitividade, limites e consolidação
O Flamengo demonstrou capacidade competitiva ao enfrentar o campeão europeu em igualdade de condições, especialmente após o empate no segundo tempo. Organização tática, intensidade e criação de chances marcaram a atuação rubro-negra.
Por outro lado, a derrota nos pênaltis evidencia limites recorrentes em decisões internacionais, sobretudo na eficiência ofensiva e na conversão de momentos decisivos. O protagonismo de Safonov foi determinante para o desfecho.
Para o PSG, o título representa consolidação de um projeto vencedor, mas também expõe que, mesmo com elenco superior, a equipe encontra dificuldades diante de adversários bem estruturados e disciplinados.








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