O deputado estadual Robinson Almeida (PT), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), reagiu nesta sexta-feira (19/12/2025) às críticas da oposição sobre o volume de empréstimos contratados pelo governo Jerônimo Rodrigues (PT) e afirmou que o discurso oposicionista carece de base técnica, coerência fiscal e compromisso com o desenvolvimento do Estado. Segundo o parlamentar, as críticas expressam mais uma postura político-eleitoral do que uma análise sustentada em dados econômicos.
As declarações ocorreram após manifestação do líder da oposição, Tiago Correia (PSDB), durante café da manhã com jornalistas na ALBA, quando questionou a contratação de créditos e o envio de projetos do Executivo em regime de urgência. Para Robinson Almeida, a oposição ignora indicadores oficiais e adota uma retórica que desconsidera o desempenho fiscal e econômico da Bahia.
Críticas da oposição e resposta do governo
Ao rebater as acusações, Robinson Almeida afirmou que a oposição não apresenta propostas alternativas nem dados técnicos para sustentar suas críticas. “A oposição não apresenta dados nem propostas. Quando o governo investe, reclama; quando a Bahia cresce, chora. Torce contra o nosso estado”, declarou.
Segundo o deputado, as operações de crédito realizadas pelo governo estadual seguem critérios técnicos rigorosos, respeitam a capacidade de endividamento e integram uma política fiscal responsável, com acompanhamento dos órgãos de controle e respaldo nos parâmetros nacionais de solvência.
Robinson destacou que a Bahia possui nota máxima (Capag A) na avaliação do Tesouro Nacional, indicador que mede a capacidade de pagamento dos entes federativos. Além disso, o estado mantém relação dívida/receita em torno de 33%, considerada a menor entre os grandes estados brasileiros.
Comparação com estados governados pela direita
Em contraste, o parlamentar citou dados de outros entes federativos. “Diferente de São Paulo, por exemplo, que acumula dívida equivalente a 121% da sua receita corrente”, pontuou. Segundo Robinson, os estados mais endividados do país — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul — são atualmente governados por forças políticas de direita ou de extrema direita.
Para ele, a crítica feita na Bahia segue uma “cartilha nacional” que desconsidera a realidade fiscal local. “Ainda assim, a oposição aqui tenta espalhar desinformação, em tom de desespero, ignorando fatos objetivos”, afirmou.
Desempenho econômico e mercado de trabalho
Robinson Almeida atribuiu o bom desempenho econômico da Bahia a um conjunto de investimentos realizados pelo Estado em parceria com o governo federal, com foco na descentralização produtiva e no fortalecimento do setor econômico regional. Como reflexo dessas políticas, o Produto Interno Bruto (PIB) baiano cresceu 2,6%, acima da média nacional de 2,2%.
De acordo com o deputado, esse crescimento teve impacto direto no mercado de trabalho. A Bahia alcançou taxa de desemprego de 8,5%, a menor desde 2012, resultado associado à ampliação de investimentos públicos e à dinamização da economia.
Liderança regional e peso econômico
Com base em dados da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Robinson destacou que o estado se consolidou como a sétima maior economia do Brasil e a principal do Nordeste, concentrando 29% do PIB da região.
No comércio exterior, a Bahia também lidera. O estado responde por 45,2% das exportações nordestinas, consolidando-se como o maior exportador da região. Para o parlamentar, esses números demonstram a consistência da política econômica adotada pelo governo estadual.
Investimentos estruturantes e uso do crédito
Robinson Almeida ressaltou ainda que, em 2025, a Bahia tornou-se o estado que mais investe no Brasil, superando São Paulo pela primeira vez, mesmo com um orçamento aproximadamente cinco vezes menor. Segundo ele, os empréstimos questionados pela oposição são essenciais para sustentar investimentos estruturantes de longo prazo.
Entre as principais ações, o deputado citou a requalificação e construção de mais de 690 escolas de tempo integral em todo o estado, a entrega de novos equipamentos de saúde — como o Hospital 2 de Julho, o Hospital Ortopédico da Bahia e o Hospital de Cuidados Paliativos — além da ampliação da rede de alta complexidade.
Também foram mencionadas obras estratégicas de infraestrutura, como o VLT do Subúrbio, a Ponte Salvador–Itaparica, a ampliação do metrô até o Campo Grande e a construção e requalificação de rodovias em diversas regiões da Bahia.
Dados, política e disputa de narrativa
O embate entre governo e oposição revela uma disputa clara de narrativas sobre responsabilidade fiscal e modelo de desenvolvimento. Enquanto a oposição questiona o volume de empréstimos e os regimes de urgência, o governo e sua base sustentam a estratégia com base em indicadores oficiais de solvência, crescimento econômico e investimento público.
A comparação feita por Robinson Almeida com estados mais endividados governados pela direita desloca o debate do plano local para o contexto nacional, sugerindo que o problema não está no uso do crédito, mas na ausência de planejamento fiscal consistente em outros entes federativos. Ainda assim, a crítica oposicionista aponta para um tema sensível: a necessidade permanente de transparência, controle legislativo e avaliação de impacto dos investimentos.
O debate sobre endividamento público tende a se intensificar à medida que se aproximam os ciclos eleitorais, exigindo do Parlamento e do Executivo um esforço adicional para manter o diálogo ancorado em dados técnicos, evitando tanto a politização excessiva quanto a simplificação de temas fiscais complexos.








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