Governador Jerônimo decreta luto oficial de três dias pela morte de Mãe Carmen, ialorixá do Terreiro do Gantois

O governador Jerônimo Rodrigues decretou luto oficial de três dias pela morte de Mãe Carmen, ialorixá do Terreiro do Gantois, falecida aos 98 anos em Salvador. Filha de Mãe Menininha, ela foi referência na preservação do candomblé baiano. A medida, publicada em edição extra do DOE em 26/12/2025, reconhece sua relevância histórica, cultural e religiosa para a Bahia e para o país.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, decretou luto oficial de três dias pela morte de Mãe Carmen, ialorixá do tradicional Terreiro do Gantois, em Salvador. A medida foi formalizada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE), publicada nesta sexta-feira, 26/12/2025, como reconhecimento à relevância histórica, cultural e religiosa da líder espiritual para a Bahia e para o Brasil. Mãe Carmen morreu aos 98 anos, nas primeiras horas do dia, após um período de internação para tratamento de uma forte gripe.

Filha mais nova de Mãe Menininha do Gantois, uma das maiores referências do candomblé no país, Carmen Oliveira da Silva ocupava posição central na preservação da tradição do Gantois. Sua trajetória esteve associada à continuidade de um legado religioso centenário, marcado pelo diálogo com a sociedade, pela resistência cultural e pela afirmação das religiões de matriz africana no espaço público.

A decisão do governo estadual insere-se no reconhecimento institucional do papel desempenhado por Mãe Carmen na manutenção das práticas religiosas, dos rituais e da memória ancestral que estruturam o candomblé baiano. O luto oficial estabelece que, durante três dias, as repartições públicas estaduais observem o período simbólico de homenagem, sem prejuízo dos serviços essenciais.

Reconhecimento oficial e manifestação do governo

Em manifestação publicada nas redes sociais, o governador Jerônimo Rodrigues expressou pesar e solidariedade aos familiares, amigos, filhas e filhos de santo e a toda a comunidade religiosa ligada ao Terreiro do Gantois. Na mensagem, destacou a relevância da atuação de Mãe Carmen à frente do templo, classificando sua condução como um pilar para o fortalecimento das religiosidades de matriz africana no estado.

A nota oficial ressalta que o Terreiro do Gantois não é apenas um espaço de culto, mas também um símbolo histórico e cultural da Bahia, com reconhecimento nacional e internacional. Ao longo das décadas, o templo consolidou-se como referência na defesa da liberdade religiosa, na preservação de tradições afro-brasileiras e na formação espiritual de gerações.

O decreto de luto oficial reforça a postura do governo estadual de valorização da diversidade religiosa e do patrimônio imaterial baiano, reconhecendo a contribuição de lideranças que ultrapassam os limites do campo religioso e influenciam a cultura, a identidade e a história do estado.

Trajetória de Mãe Carmen e o legado do Gantois

Mãe Carmen assumiu papel de destaque no Terreiro do Gantois a partir da herança espiritual deixada por Mãe Menininha, figura fundamental na legitimação pública do candomblé em um período marcado por preconceito e repressão institucional. Ao longo de sua vida, manteve a tradição do terreiro com discrição, rigor ritual e fidelidade às raízes ancestrais, características que marcaram sua atuação.

Sob sua liderança, o Gantois preservou ritos, cânticos, hierarquias e ensinamentos transmitidos oralmente, reafirmando o terreiro como espaço de resistência cultural e espiritual. A longevidade de Mãe Carmen e sua permanência como referência contribuíram para a estabilidade institucional do templo e para a continuidade de suas práticas tradicionais.

A morte da ialorixá representa uma perda significativa para o candomblé baiano, mas também evidencia a força de uma tradição que se sustenta pela coletividade, pela memória e pela transmissão intergeracional do conhecimento religioso.

Repercussão na comunidade religiosa e cultural

A decretação do luto oficial foi recebida como gesto de reconhecimento público por lideranças religiosas, pesquisadores da cultura afro-brasileira e representantes de movimentos culturais. O Terreiro do Gantois é amplamente reconhecido como patrimônio simbólico da Bahia, sendo frequentemente citado em estudos históricos, antropológicos e culturais.

A repercussão da morte de Mãe Carmen ultrapassa o âmbito local, alcançando comunidades de candomblé em diferentes regiões do país. O episódio reforça o debate sobre a preservação das tradições de matriz africana, o respeito à liberdade religiosa e o papel do Estado na proteção do patrimônio cultural imaterial.

O luto oficial, nesse contexto, assume dimensão que vai além do protocolo administrativo, funcionando como ato simbólico de respeito institucional a uma trajetória marcada pela dedicação à fé, à cultura e à identidade afro-brasileira.


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