Presidente Donald Trump anuncia administração provisória dos EUA na Venezuela e detalha os bastidores da tomada de poder

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa em Mar-a-Lago, na Flórida, ao lado do secretário de Estado Marco Rubio e do secretário de Defesa Pete Hegseth, após operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em 3 de janeiro de 2026.
EUA capturam Nicolás Maduro, bombardeiam Caracas e anunciam administração provisória da Venezuela, gerando reações globais, críticas legais e temor de nova ocupação prolongada.

Neste sábado (03/01/2026), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que forças militares norte-americanas atacaram a Venezuela, capturaram o presidente Nicolás Maduro e assumirão temporariamente a administração do país, até que seja organizada uma transição política considerada “segura, adequada e sensata”. A operação, conduzida durante a madrugada, envolveu ataques aéreos, tropas de forças especiais e ampla mobilização naval no Caribe, provocou mortes de civis e militares venezuelanos, gerou reações diplomáticas em todo o mundo e reabriu debates históricos sobre legalidade internacional, soberania nacional e os riscos de ocupações estrangeiras prolongadas na América Latina .

A Operação “Resolução Absoluta”: planejamento e execução

A ofensiva militar, denominada Operação Resolução Absoluta, foi descrita por autoridades norte-americanas como uma das ações militares mais complexas dos últimos anos. O planejamento ocorreu ao longo de meses, com participação direta do Pentágono, da CIA e de comandos de forças especiais. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, mais de 150 aeronaves militares — incluindo caças F-35 e F-22, bombardeiros B-1 e aviões de guerra eletrônica — decolaram de 20 bases no Hemisfério Ocidental.

O dispositivo incluiu ainda um porta-aviões, 11 navios de guerra e cerca de 15 mil soldados posicionados no Caribe, oficialmente sob o pretexto de operações antidrogas. Tropas de elite, como a Força Delta do Exército dos EUA, treinaram previamente em uma réplica exata da residência fortificada onde Maduro se encontrava em Caracas. A CIA manteve desde agosto de 2025 uma equipe discreta em território venezuelano, além de informantes próximos ao círculo presidencial, responsáveis por monitorar deslocamentos e rotinas.

Durante a madrugada, ataques aéreos atingiram sistemas de defesa antiaérea, bases militares e alvos estratégicos na capital e em outras regiões do país. Imagens captadas pela Reuters mostraram veículos militares venezuelanos destruídos na base aérea de La Carlota. Em seguida, forças especiais ingressaram em Caracas sob fogo, com apoio de helicópteros e agentes do FBI, e efetuaram a captura de Maduro e de sua esposa após a rendição no interior da residência.

Maduro sob custódia e acusações criminais

Após a operação, Trump divulgou imagens de Maduro algemado, com os olhos vendados, a bordo do navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima, no Mar do Caribe. Segundo o governo norte-americano, o líder venezuelano foi capturado para responder a acusações federais de tráfico internacional de drogas em Nova York. Autoridades do Departamento de Justiça informaram que Maduro deverá comparecer ao tribunal federal de Manhattan já na próxima segunda-feira.

O governo venezuelano contestou a legalidade da ação, classificando-a como “sequestro” e denunciando mortes de civis e militares durante os bombardeios. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, afirmou que o país resistirá “com a união do povo”, enquanto a vice-presidente Delcy Rodríguez declarou que “a Venezuela jamais será colônia de qualquer nação” e reiterou que Maduro segue sendo o único presidente legítimo, segundo a Constituição do país.

Trump defende ocupação e papel do petróleo venezuelano

Em coletiva de imprensa, Trump afirmou que os EUA administrarão temporariamente a Venezuela, inclusive com eventual presença de tropas em solo, até que seja organizada uma transição política. Segundo ele, a intervenção está alinhada à doutrina “América Primeiro”, sob o argumento de garantir estabilidade regional, segurança hemisférica e acesso a energia.

O presidente declarou que empresas petrolíferas norte-americanas “começarão a lucrar” na Venezuela e que a ocupação “não custará um centavo” aos contribuintes dos EUA, pois seria financiada pelas receitas do petróleo venezuelano. Especialistas apontam que esse discurso repete justificativas utilizadas na invasão do Iraque em 2003, quando autoridades norte-americanas afirmaram que os custos seriam cobertos pelos recursos petrolíferos locais — projeção posteriormente desmentida por gastos estimados entre US$ 2 trilhões e US$ 3 trilhões.

Reações no Congresso e divisão política interna

A operação provocou forte reação no Congresso dos EUA. Parlamentares democratas afirmaram que foram enganados em reuniões realizadas nos meses anteriores, quando autoridades do governo teriam negado planos de invasão terrestre ou mudança de regime. A senadora Jeanne Shaheen declarou que não houve transparência sobre uma estratégia de longo prazo para o pós-intervenção.

O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, classificou a ação como imprudente, ao ter sido conduzida sem autorização formal do Congresso e sem plano detalhado para a reconstrução política e institucional da Venezuela. Entre republicanos, a medida também gerou fissuras: enquanto aliados próximos de Trump defenderam a legalidade da operação, parlamentares de perfil libertário questionaram sua constitucionalidade.

A deputada Marjorie Taylor Greene anunciou que deixará o Congresso, acusando Trump de trair a retórica do movimento MAGA ao ampliar o envolvimento militar externo. Pesquisas Reuters/Ipsos realizadas antes do ataque indicavam que apenas cerca de 20% dos norte-americanos apoiavam uma ação militar para depor Maduro.

Repercussão internacional e impacto regional

A ofensiva norte-americana foi recebida com condenações e apelos à legalidade internacional. O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que a classificação jurídica da operação é “complexa” e que o direito internacional deve ser respeitado. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer declarou apoiar uma transição “segura e pacífica”, enquanto o presidente francês Emmanuel Macron defendeu que o oposicionista Edmundo González Urrutia participe da supervisão do processo de transição.

A Espanha afirmou que não reconhecerá uma intervenção que viole a Carta da ONU, e protestos contra a ação dos EUA foram registrados em cidades como Paris, Madri, Barcelona e Nova York. Em contrapartida, grupos de venezuelanos no exterior celebraram a queda de Maduro, especialmente em Bogotá e Lima.

Posição do Brasil e risco humanitário

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os EUA cruzaram uma “linha inaceitável”, classificando a intervenção como grave afronta à soberania venezuelana e um precedente perigoso para a ordem internacional. O Itamaraty convocou reunião de emergência para avaliar impactos na fronteira, especialmente diante da possibilidade de novo fluxo de refugiados.

Desde 2018, o Brasil já acolheu mais de 150 mil venezuelanos, segundo dados oficiais, e mantém operações humanitárias na região Norte. Até o momento, autoridades brasileiras afirmaram não haver movimentação atípica na fronteira, mas seguem monitorando a situação.

Precedentes históricos e riscos de longo prazo

Analistas comparam a intervenção na Venezuela a ações anteriores dos EUA na região, como a invasão de Granada em 1983, sob Ronald Reagan, e do Panamá em 1989, durante o governo George H. W. Bush, ambas justificadas pela ilegitimidade dos governos locais e por acusações criminais contra seus líderes.

Especialistas alertam que a Venezuela apresenta complexidade institucional, social e regional que pode levar a um envolvimento prolongado dos EUA. Ex-assessores de governos anteriores destacam que, sem um plano robusto de reconstrução e transição democrática, Washington corre o risco de repetir experiências traumáticas no Afeganistão e no Iraque, marcadas por instabilidade, alto custo financeiro e desgaste político interno.

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