CNBB manifesta solidariedade à Igreja na Venezuela após ataque dos EUA e prisão de Nicolás Maduro

Manifestantes com bandeiras da Venezuela protestam em Caracas, em 5 de janeiro de 2026, após ataques militares atribuídos aos Estados Unidos e a captura do presidente Nicolás Maduro.
Manifestantes pro Maduro vão as ruas de Caracas exigindo a soltura e comemorando a posse da Presidente Delcy Rodrigues.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou carta nesta terça-feira (06/01/2026) à presidência da Conferência Episcopal Venezuelana expressando solidariedade institucional e espiritual diante do agravamento da crise na Venezuela, desencadeada por um ataque militar conduzido pelos Estados Unidos. Divulgado nas redes sociais, o documento descreve um cenário marcado por tensões, sofrimentos e incertezas que atingem diretamente a população venezuelana e reforça a defesa do diálogo, da justiça, da dignidade humana e da soberania nacional como fundamentos para a paz.

Solidariedade pastoral e defesa da dignidade humana

Na mensagem, a CNBB afirma unir-se espiritualmente às orações e iniciativas pastorais da Igreja venezuelana, manifestando apoio às vítimas da violência, aos feridos e às famílias enlutadas. O texto ressalta o papel da Igreja na América Latina como mediadora moral em contextos de conflito e reafirma a esperança na força do Evangelho da paz, descrita como “desarmada e desarmante”.

A carta destaca que a superação do atual impasse exige diálogo sincero, justiça e respeito à dignidade da pessoa humana, além da preservação da soberania das nações. Para os bispos brasileiros, esses princípios são os únicos capazes de promover o bem comum, fortalecer a democracia e construir uma convivência social orientada pela reconciliação e pela paz duradoura.

Ao final, a CNBB invoca a assistência do Espírito Santo para sustentar a missão profética da Igreja na Venezuela, pedindo serenidade, sabedoria e fortaleza às lideranças religiosas e à sociedade civil, com vistas à unidade e à esperança do povo venezuelano.

Ataques em Caracas e captura de autoridades

No sábado (3), explosões foram registradas em diversos bairros de Caracas, em meio a uma ofensiva militar atribuída aos Estados Unidos. Durante a operação, o presidente venezuelano Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, teriam sido capturados por forças de elite norte-americanas e levados a Nova York, segundo informações divulgadas por agências internacionais.

O episódio representa novo capítulo de intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão formal de um país latino-americano havia ocorrido em 1989, no Panamá, quando militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, sob acusações de narcotráfico.

Acusações, questionamentos e motivações geopolíticas

Assim como no caso panamenho, autoridades norte-americanas acusam Maduro de liderar um suposto cartel de drogas conhecido como Cartel de Los Soles. As acusações, contudo, não foram acompanhadas de provas públicas, e especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência e a estrutura operacional do grupo.

Durante seu governo, o então presidente Donald Trump chegou a oferecer recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Críticos da ação sustentam que a ofensiva possui motivação geopolítica, com o objetivo de afastar a Venezuela de alianças estratégicas com China e Rússia e ampliar o controle sobre o petróleo venezuelano, país que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.

Repercussões regionais e papel da Igreja

A manifestação da CNBB insere-se em um contexto mais amplo de preocupação regional com os impactos humanitários e institucionais da crise venezuelana. Ao enfatizar valores como soberania, diálogo e dignidade humana, a Igreja Católica reafirma seu papel histórico como ator moral e diplomático informal na América Latina, sobretudo em momentos de instabilidade política e conflito armado.

A CNBB enviou carta à Conferência Episcopal Venezuelana manifestando solidariedade diante da crise agravada por ataque militar dos EUA. O documento destaca tensões, sofrimento e incertezas no país, defende diálogo, soberania e dignidade humana e pede paz e reconciliação. A ofensiva incluiu explosões em Caracas e a captura de Nicolás Maduro, reacendendo debates sobre intervenções norte-americanas, acusações sem provas e interesses geopolíticos ligados ao petróleo venezuelano.
CNBB manifesta solidariedade à Igreja na Venezuela após ataque dos EUA, destaca dignidade humana, soberania e apela ao diálogo e à paz regional.

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