Venezuela acusa EUA de deixar 100 mortos em operação Absolute Resolve que capturou presidente Nicolás Maduro e abriu negociação sobre petróleo

A quarta-feira (07/01/2026) foi marcada por novas declarações do governo da Venezuela sobre a operação militar dos Estados Unidos, batizada de Absolute Resolve, realizada entre os dias 2 e 3 de janeiro. Segundo autoridades venezuelanas, a ação resultou em ao menos 100 mortos, número semelhante de feridos e na captura do presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, ambos feridos durante a operação. O país permanece sob estado de emergência, enquanto negocia com Washington questões relacionadas ao petróleo venezuelano.

De acordo com o ministro do Interior, Paz e Justiça, Diosdado Cabello, as mortes ocorreram durante confrontos em Caracas e outras regiões estratégicas. Ele afirmou que as informações são preliminares e que o balanço pode ser atualizado conforme a apuração oficial avance.

O governo venezuelano sustenta que a operação representou uma violação da soberania nacional e classifica a ação como um ataque direto ao Estado, enquanto os Estados Unidos ainda não divulgaram um relatório detalhado com números próprios sobre vítimas.

Ferimentos de Maduro e Cilia Flores

Durante programa transmitido pela televisão estatal, Diosdado Cabello detalhou os ferimentos sofridos por Nicolás Maduro e Cilia Flores. Segundo o ministro, a ex-primeira-dama foi atingida na cabeça e sofreu contusões pelo corpo, enquanto Maduro teria sido ferido em uma perna durante a operação conduzida pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.

Cabello afirmou que ambos estão em recuperação e recebendo acompanhamento médico. Ele não especificou o local exato onde o casal está detido, citando razões de segurança.

Na segunda-feira (05/01/2026), durante a primeira audiência de Cilia Flores perante um juiz federal nos Estados Unidos, o advogado Mark Donnelly declarou que ela sofreu ferimentos graves, incluindo contusões nas costelas, e solicitou a realização de exames médicos complementares.

Estado de emergência e repressão interna

O estado de emergência, denominado oficialmente de “estado de comoção exterior”, segue em vigor em todo o território venezuelano. Com base nessa medida, o governo mobilizou grupos paramilitares nas ruas de Caracas, sob a justificativa de manter a ordem pública.

A legislação aprovada em setembro, quando Maduro ainda exercia o poder, permite a prisão de pessoas que manifestem apoio à operação norte-americana. Autoridades afirmam que a medida busca evitar distúrbios internos e novos confrontos.

Segundo Cabello, as forças de segurança permanecem em alerta máximo, enquanto investigações internas apuram responsabilidades e circunstâncias das mortes registradas durante a operação.

Número de mortos e repercussão militar

Cabello reiterou nesta quarta-feira (07/01/2026) que o número oficial de vítimas fatais chega a 100 mortos, com quantidade semelhante de feridos.

“O ataque contra o nosso país foi terrível”, declarou, sem detalhar a distribuição exata entre civis e militares.

As Forças Armadas venezuelanas divulgaram vídeos dos funerais de militares mortos durante a ação. As imagens mostram caixões cobertos com a bandeira da Venezuela, cerimônias militares e discursos que exaltam a atuação dos soldados mortos.

Antes da divulgação do balanço oficial, a AFP havia contabilizado ao menos um civil, um miliciano, 23 militares venezuelanos e 32 cubanos entre os mortos, com base em fontes locais e diplomáticas.

Petróleo e negociações com Washington

Durante cerimônia oficial, a presidente interina Delcy Rodríguez, empossada pela Assembleia Nacional na segunda-feira (05/01/2026), declarou que o episódio representa “uma mancha sem precedentes” na história do país. Ela decretou sete dias de luto oficial em homenagem às vítimas.

Rodríguez afirmou que as negociações com os Estados Unidos sobre o petróleo venezuelano “não têm nada de irregular”, após a estatal PDVSA anunciar tratativas para vender petróleo ao mercado norte-americano. Segundo o governo dos EUA, o acordo prevê a entrega de 30 a 50 milhões de barris, volume equivalente a um ou dois meses da produção venezuelana.

O presidente norte-americano declarou que a parcela financeira destinada à Venezuela deverá ser utilizada exclusivamente para a compra de produtos norte-americanos, com foco em alimentos e medicamentos. Washington também sinalizou disposição para suspender sanções de forma seletiva, permitindo a comercialização do petróleo venezuelano no mercado tradicional.

*Com informações da RFI.


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