O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe nesta sexta-feira (09/01/2026) representantes de grandes empresas petrolíferas americanas para discutir apoio a projetos estratégicos na Venezuela. O republicano afirmou ao The New York Times na quinta-feira (08/01/2026) que os Estados Unidos poderiam manter influência sobre Caracas e seu setor de petróleo por vários anos.
Na ocasião, Trump anunciou que a opositora venezuelana María Corina Machado estará em Washington na próxima semana e disse estar “ansioso” para encontrá-la. O encontro com líderes das grandes petroleiras busca convencê-los a investir em projetos que permitam aos EUA exercer tutela sobre a produção de petróleo venezuelano.
Segundo o presidente, cerca de 14 empresas e principais executivos do setor devem participar do encontro, com previsão de investimentos de pelo menos US$ 100 bilhões no país sul-americano. Trump também afirmou que os Estados Unidos poderiam manter controle sobre o setor venezuelano por vários anos, reforçando o interesse estratégico na região.
População venezuelana observa possibilidade de retomada do setor petrolífero
A Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, teve sua indústria petrolífera fortemente afetada nos últimos anos, com saída de empresas internacionais. Profissionais da área veem o possível retorno de companhias americanas como uma oportunidade de retomada da atividade.
Vanessa, engenheira química, relembra que, na década de 2000, cursar engenharia na área petrolífera garantia estabilidade profissional. Ela observa que, atualmente, a expectativa é de que jovens recém-formados possam atuar novamente no setor. Andrea, também engenheira, afirma estar se preparando para as novas oportunidades e destaca a necessidade de atualizar conhecimentos acumulados durante anos de inatividade na indústria.
A expectativa da população está concentrada na reabertura do mercado de trabalho no setor petrolífero, com a possibilidade de recuperação da produção e da infraestrutura abandonada durante a crise econômica e política que afetou o país.
Empresas americanas demonstram cautela quanto aos investimentos
Apesar das declarações de Trump, grandes empresas americanas demonstram cautela diante dos riscos e do montante necessário para revitalizar o setor petrolífero venezuelano. O presidente americano indicou interesse em reduzir o preço do barril de petróleo bruto para US$ 50, em benefício do consumidor americano, atualmente em torno de US$ 60.
Dados da Agência Americana de Informação sobre Energia indicam queda nos preços do petróleo, impactando a margem de lucro e os investimentos de empresas como Chevron e ConocoPhillips, que reduziram suas folhas de pagamento e realizaram cortes significativos de funcionários.
Segundo a consultoria Kepler, seria necessário investir cerca de US$ 12 bilhões por ano, durante 5 a 10 anos, para que a Venezuela recupere seu status de gigante na produção de petróleo. A análise indica que, embora o interesse seja estratégico, os riscos econômicos e políticos podem limitar a efetividade dos investimentos anunciados.
*Com informações da RFI.








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