O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (09/01/2026) que os EUA precisam ser donos da Groenlândia para garantir a segurança nacional, rejeitando a possibilidade de arrendamento do território autônomo pertencente à Dinamarca. A afirmação foi feita durante uma reunião na Casa Branca com executivos das principais empresas de petróleo e ocorre em meio à intensificação de contatos diplomáticos entre Washington e Copenhague, além de alertas sobre impactos na OTAN.
Declaração na Casa Branca e argumento de “propriedade”
Durante o encontro com líderes do setor energético, Trump sustentou que a proteção efetiva exige propriedade, e não acordos temporários. “Quando possuímos uma propriedade, nós a protegemos. Um arrendamento não se protege. Você protege a propriedade, não o aluguel”, afirmou. Em seguida, reforçou: “Teremos que defender a Groenlândia”.
A fala retoma uma linha já conhecida do presidente, que associa controle territorial direto à capacidade de projeção estratégica dos Estados Unidos no Ártico. Ao enfatizar que ainda não discute valores financeiros, Trump indicou preferência por “chegar a um acordo do jeito mais fácil”, sem detalhar os meios diplomáticos ou jurídicos pretendidos.
Repercussões estratégicas e a OTAN
A declaração provocou reações imediatas no debate estratégico. Para analistas, o tom adotado amplia a fricção transatlântica e reabre discussões sensíveis sobre soberania em uma região-chave para rotas marítimas, recursos naturais e defesa.
O cientista político Michael Rossi, da Universidade Rutgers, avaliou que o futuro da OTAN pode ser influenciado pelo grau de tensão entre Estados Unidos e Europa em torno da Groenlândia. A avaliação ganha peso diante do histórico recente de divergências sobre encargos de defesa e prioridades estratégicas no flanco norte da Aliança.
Diplomacia em movimento: Rubio e Dinamarca
No campo diplomático, a agenda avançou rapidamente. Segundo a emissora francesa France24, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deve se reunir na próxima quarta-feira (14/01) com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, para tratar especificamente da Groenlândia.
A informação foi divulgada por correspondente da emissora na rede social X. O encontro ocorre após alertas feitos por autoridades americanas a parceiros europeus para que levem mais a sério a segurança do território, sob pena de Washington “tomar medidas”.
Pressões políticas e reação regional
Na quinta-feira (08/01), o senador JD Vance cobrou maior envolvimento europeu na defesa da Groenlândia e advertiu sobre consequências caso isso não ocorra. Paralelamente, assessores da Casa Branca se reuniram em Washington com enviados da Dinamarca e da Groenlândia, sinalizando tentativa de coordenação em meio à escalada retórica.
Veículos de imprensa também noticiaram declarações duras de autoridades dinamarquesas no contexto das ameaças, indicando disposição para reagir militarmente a qualquer tentativa de invasão, o que elevou o tom do debate público e diplomático.
Importância geopolítica do território
A Groenlândia ocupa posição estratégica no Ártico, com relevância crescente devido ao degelo, à abertura de novas rotas marítimas, ao potencial de recursos minerais e à instalação de infraestruturas militares. Para os Estados Unidos, o território é visto como peça central para vigilância e defesa hemisférica; para a Dinamarca e os groenlandeses, trata-se de soberania, autonomia e autodeterminação.
Soberania, precedentes e riscos
As declarações de Trump recolocam em pauta um precedente delicado: a defesa explícita de aquisição territorial como instrumento de segurança. Embora o discurso se ampare em argumentos estratégicos, ignora limites jurídicos internacionais e o papel da autodeterminação dos povos, elementos centrais da ordem internacional contemporânea.
O avanço do tema pressiona a OTAN, ao expor fissuras entre aliados e testar a coesão política diante de interesses nacionais divergentes. Também impõe custos diplomáticos à Dinamarca, que precisa equilibrar a relação com Washington sem abrir mão da soberania.
Por fim, a ausência de detalhes sobre mecanismos legais, consultas aos groenlandeses e parâmetros financeiros acentua incertezas. O risco é transformar uma discussão legítima sobre segurança no Ártico em crise institucional ampliada, com efeitos duradouros sobre a governança regional.
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