Polícia Federal deflagra Operação Furvus e desarticula grupo especializado em furtos a caixas eletrônicos da Caixa

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (13/01/2026) a Operação Furvus, com o objetivo de desarticular uma associação criminosa especializada em furtos qualificados a terminais de autoatendimento da Caixa Econômica Federal. Os crimes investigados ocorreram entre 25 de novembro e 3 de dezembro de 2023, nos estados da Bahia e do Paraná, envolvendo sete ocorrênciasquatro furtos consumados e três tentativas — e um prejuízo inicialmente estimado em R$ 24.702,00, valor que, segundo a investigação, não reflete a extensão real dos danos atribuídos ao histórico de atuação do grupo.

Investigação aponta atuação interestadual e habitualidade criminosa

As apurações conduzidas pela Polícia Federal identificaram que o grupo criminoso possuía base no estado de São Paulo e se deslocava para diferentes regiões do país para a prática dos delitos. O padrão reiterado de atuação, aliado a prisões anteriores por crimes idênticos, caracterizou os investigados como criminosos contumazes, com histórico de furtos semelhantes em diversos estados.

De acordo com os investigadores, a habitualidade evidencia que o prejuízo acumulado ao longo dos anos é significativamente superior ao apurado neste inquérito específico. Esse contexto foi considerado relevante para a adoção de medidas cautelares mais gravosas, diante do risco de reiteração delitiva e da sofisticação do método empregado.

As ocorrências sob investigação foram registradas em Curitiba (PR) e, na Bahia, nos municípios de Vitória da Conquista, Camaçari, Lauro de Freitas, Feira de Santana e Poções, indicando alcance interestadual e planejamento logístico estruturado.

Modus operandi sofisticado e uso de dispositivos ilícitos

Segundo a Polícia Federal, os investigados utilizavam um modus operandi sofisticado, baseado na simulação de depósitos bancários para induzir a abertura do módulo interno dos terminais de autoatendimento. A partir dessa abertura, eram empregados dispositivos conhecidos como “jacaré”, capazes de subtrair envelopes contendo dinheiro e cheques antes da efetiva validação da operação.

A técnica, recorrente em crimes dessa natureza, dificulta a detecção imediata e exige perícia especializada para identificação do mecanismo fraudulento. A repetição do método em diferentes agências reforçou os indícios de organização estruturada e divisão de tarefas entre os integrantes.

As investigações também apontam que o grupo possuía conhecimento técnico dos equipamentos bancários, o que ampliava a eficiência das ações e reduzia o tempo de permanência nos locais, elemento típico de crimes praticados por associações experientes.

Medidas judiciais incluem prisões preventivas e bloqueio de bens

A Justiça Federal de Vitória da Conquista (BA) deferiu um conjunto de medidas cautelares consideradas essenciais para o avanço da investigação. Entre elas estão a prisão preventiva de quatro investigados, a imposição de restrições a outro integrante, além da realização de buscas pessoais e domiciliares.

Também foi autorizado o sequestro e bloqueio de bens e valores até o limite do prejuízo apurado, com o objetivo de resguardar eventual ressarcimento e interromper o financiamento das atividades ilícitas. Todas as diligências estão sendo cumpridas no estado de São Paulo, com apoio da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo (SR/PF/SP).

A mobilização envolveu equipes especializadas, destacadas para garantir a efetividade das ordens judiciais e a preservação de provas relevantes para o inquérito.

Enquadramento penal e penas previstas

Os investigados respondem, em tese, pelos crimes de associação criminosa, previsto no artigo 288 do Código Penal, cuja pena máxima é de três anos de reclusão, e de furto qualificado, tipificado no artigo 155, §4º, incisos I e IV, que prevê pena de até oito anos de reclusão.

As penas podem ser agravadas em razão do concurso material e da continuidade delitiva, circunstâncias que, somadas, podem ultrapassar dez anos de prisão, além de outras sanções legais cabíveis, a depender do desfecho processual.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading