Mais de 9,3 mil pessoas vivem atualmente em áreas de risco geológico em Jacobina, no norte da Bahia, segundo levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB). O estudo aponta crescimento de cerca de 15% no número de moradores expostos desde 2014, quando foi realizado o primeiro mapeamento no município. Considerando a população estimada em 82,6 mil habitantes, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 10% dos jacobinenses residem hoje em áreas classificadas como de risco alto ou muito alto para processos como deslizamentos, quedas de blocos e inundações.
O levantamento identificou 20 áreas de risco geológico em Jacobina, sendo 15 classificadas como risco alto e cinco como risco muito alto. A maior concentração de moradores ocorre às margens do rio Itapecuruzinho, onde vivem cerca de 2,7 mil pessoas em zonas suscetíveis a eventos adversos. No centro urbano, às margens do rio Itapecuru Mirim, o estudo aponta mais de 1,9 mil habitantes expostos a riscos semelhantes.
Além das áreas ribeirinhas, o mapeamento registrou processos geológicos potencialmente perigosos nos bairros Bananeira, Leader, Grotinha, Alto do Santo Antônio, Serrinha, Peru, Cocho de Fora, Mundo Novo e nas margens do rio Catuaba. O trabalho de campo foi realizado entre 27 de maio e 7 de junho, com inspeções técnicas e atualização de dados sobre ocupação urbana e condições geomorfológicas.
Comparação com o levantamento de 2014
Em relação ao estudo anterior, de 2014, o número total de áreas de risco em Jacobina diminuiu de 22 para 20. De acordo com o SGB, essa redução decorre da atenuação do grau de risco em algumas localidades e da atualização metodológica empregada no novo levantamento. Apesar da queda no número de áreas mapeadas, o contingente populacional exposto aumentou, indicando avanço da ocupação urbana em zonas ambientalmente sensíveis ao longo da última década.
O SGB ressalta que a dinâmica urbana e ambiental exige revisões periódicas dos mapas de risco, inclusive em áreas não contempladas inicialmente, uma vez que o grau de risco pode se alterar ao longo do tempo em função de mudanças no uso do solo, intervenções humanas e eventos climáticos extremos.
Ordenamento territorial e prevenção de desastres
Diante do cenário identificado, o órgão federal destaca a necessidade de políticas permanentes de ordenamento territorial, com foco na prevenção de desastres. Entre as medidas apontadas estão ações de fiscalização, controle da ocupação irregular, programas de conscientização da população e planejamento urbano integrado às características geológicas e hidrológicas do município.
Os mapeamentos de áreas de risco são considerados instrumentos técnicos estratégicos para a definição de critérios de destinação de recursos públicos, voltados tanto para obras preventivas quanto para ações de resposta a desastres. Além disso, os estudos subsidiam políticas habitacionais e de saneamento, contribuindo para a redução de vulnerabilidades sociais e para um desenvolvimento regional mais seguro.
Mapeamentos de risco na Bahia
Na Bahia, o Serviço Geológico do Brasil já realizou mapeamentos semelhantes em 95 municípios, identificando cerca de 250 mil pessoas vivendo em áreas de risco alto ou muito alto. Os municípios com maior número de áreas mapeadas são Camaçari (34), Itabuna (32), Barra (30), Candeias (29) e Jaguaquara (26). Jacobina aparece na 10ª posição no ranking estadual.











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