O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, apresentou nesta quinta-feira (15/01/2026), durante discurso na Assembleia Geral, as prioridades estratégicas da organização para 2026, com ênfase na adesão plena à Carta das Nações Unidas, no fortalecimento das ações globais pela paz e na promoção da união internacional em um contexto de crescente divisão.
Na avaliação do dirigente, o mundo atravessa um período marcado por conflitos armados, impunidade, desigualdades persistentes e imprevisibilidade política, cenário que exige respostas coordenadas e compromisso renovado com os princípios fundadores da ONU.
Defesa da Carta das Nações Unidas como base da ordem internacional
No início do pronunciamento, Guterres afirmou que a implementação plena e fiel da Carta das Nações Unidas constitui o objetivo prioritário das ações da organização para os próximos anos. Segundo ele, o documento permanece como um pacto universal, capaz de unir Estados-membros em torno de regras comuns, respeito ao direito internacional e cooperação multilateral.
O secretário-geral reforçou que não há justificativas para relativizar a Carta, destacando que seus princípios seguem atuais diante dos desafios contemporâneos. Para a ONU, a consolidação desses compromissos é vista como condição essencial para a estabilidade global e para a resolução pacífica de disputas entre países.
Guterres também ressaltou que a organização representa uma promessa coletiva, na qual as nações se comprometem a enfrentar problemas globais de forma conjunta, mesmo em meio a divergências políticas, econômicas e culturais.
Paz como eixo central das ações das Nações Unidas
Como segundo princípio, o líder da ONU defendeu uma atuação internacional contínua em favor da paz, entendida de forma ampla. Para ele, a paz envolve justiça, relações pacíficas entre Estados e harmonia com a natureza, elementos que devem orientar todas as iniciativas da organização.
Guterres destacou que a paz está no centro do mandato da ONU, sendo indispensável para o desenvolvimento sustentável e para a proteção dos direitos humanos. Ele alertou que silenciar armas, por si só, não é suficiente, sendo necessário enfrentar os fatores estruturais que alimentam os conflitos.
Nesse contexto, o secretário-geral chamou atenção para a relação entre baixo desenvolvimento humano e instabilidade, observando que nove dos dez países com os menores Índices de Desenvolvimento Humano enfrentam atualmente situações de conflito armado.
União internacional diante da fragmentação global
A terceira prioridade apresentada foi a promoção da união internacional em uma era de divisão. Guterres alertou para o risco de desintegração social, provocado pelo avanço do racismo, da xenofobia nacionalista e do fanatismo religioso em diversas regiões do mundo.
O dirigente apontou ainda o impacto da retórica de exclusão e da desinformação, que, segundo ele, contribuem para a erosão da confiança entre comunidades e instituições. Para milhões de pessoas, esses fatores já se manifestam de forma concreta no cotidiano, aprofundando tensões sociais e políticas.
Diante desse cenário, Guterres reforçou que a ONU deve permanecer como um espaço de diálogo e cooperação, reafirmando o compromisso de não desistir da construção de soluções coletivas, mesmo em contextos adversos.
Conflitos em andamento e compromisso com soluções duradouras
Durante o discurso, o secretário-geral mencionou o anúncio da segunda fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza, defendendo sua implementação integral e a retomada de um processo político voltado para a solução de dois Estados, em conformidade com o direito internacional.
Além do Oriente Médio, Guterres reiterou o compromisso da ONU com a busca pela paz em conflitos e crises prolongadas, incluindo Ucrânia, Sudão, Iêmen, República Democrática do Congo, Haiti, região do Sahel e Mianmar. Segundo ele, a organização seguirá atuando para apoiar iniciativas diplomáticas e humanitárias nessas regiões.
O secretário-geral concluiu que abordar as causas profundas dos conflitos é fundamental para evitar soluções temporárias e instáveis, reforçando a necessidade de ações integradas que combinem segurança, desenvolvimento e inclusão social.
*Com informações da ONU News.











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