Morre aos 93 anos Valentino Garavani, ícone da Alta Moda italiana e símbolo da elegância do século XX

O estilista italiano Valentino Garavani, um dos nomes mais influentes da moda do século XX e símbolo internacional da elegância italiana, morreu aos 93 anos, em sua residência, segundo informou a Fundação Valentino Garavani na noite desta segunda-feira (19/01/2026). Com uma trajetória de mais de seis décadas, o criador da maison Valentino consolidou uma estética própria, marcada pelo rigor formal, pelo diálogo com o cinema e pela relação estreita com a elite cultural e política global, deixando um legado que ultrapassa a criação de vestuário e se inscreve como patrimônio da história da moda.

A morte de Valentino provocou reações de personalidades da moda, da política e da cultura. A estilista Donatella Versace afirmou que o mundo perdeu um “verdadeiro maestro”, cuja arte permanecerá como referência. A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni declarou que a Itália se despede de uma lenda, cujo legado seguirá inspirando novas gerações.

Para Carlo Capasa, presidente da Câmara Nacional da Moda Italiana, a obra de Valentino jamais se submeteu a modismos. Segundo ele, o estilista soube unir memória artesanal e modernidade, contribuindo decisivamente para o reconhecimento internacional da moda italiana e elevando a alta-costura à condição de patrimônio cultural do país.

Origens e formação entre Itália e França

Batizado Valentino em homenagem a uma estrela do cinema mudo, o estilista nasceu em 11 de maio de 1932, na cidade de Voghera, ao sul de Milão, em uma família burguesa. Ainda jovem, demonstrou interesse precoce pela moda e pela estética clássica. Após estudar no Instituto de Moda Santa Marta, em Milão, mudou-se para Paris em 1950, onde ingressou na Escola da Câmara Sindical da Costura.

Em 1952, aos 20 anos, passou a trabalhar na maison de Jean Dessès, onde teve contato direto com a alta sociedade europeia e com personalidades do cinema. Em 1957, integrou a equipe de Guy Laroche, aprofundando sua formação técnica e estética.

A maison romana e o nascimento do “vermelho Valentino”

De volta à Itália, Valentino fundou sua própria maison em 1959, na Via Condotti, em Roma, com apoio financeiro da família. Sua primeira coleção destacou-se pelo uso de tecidos nobres e cores intensas. Foi nesse contexto que surgiu o tom que se tornaria sua assinatura: o “vermelho Valentino”, uma combinação vibrante e sofisticada que passou a integrar, de forma recorrente, todas as suas coleções.

No ano seguinte, conheceu Giancarlo Giammetti, parceiro nos negócios e na vida pessoal, responsável pela gestão da marca e pela expansão internacional do império construído em torno do nome Valentino.

Hollywood, Roma e a consagração internacional

A consagração global veio com a proximidade com o cinema. Valentino vestiu estrelas como Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn, Ava Gardner e Lana Turner, beneficiando-se do ambiente efervescente da Roma dos anos 1960, impulsionada pelos estúdios de Cinecittà. O encontro com Jacqueline Kennedy, em 1964, foi decisivo para sua projeção nos Estados Unidos. Em 1968, ela escolheu um vestido marfim da maison Valentino para seu casamento com Aristotle Onassis, consolidando o prestígio do estilista no mercado norte-americano.

Em 1970, Valentino tornou-se o primeiro estilista italiano a abrir uma loja em Nova York, marco que simbolizou a internacionalização definitiva da moda italiana.

Vida pública, jet set e aposentadoria

Com estúdio instalado em um palácio renascentista em Roma e residências em Paris, Capri, Gstaad, Londres e Nova York, Valentino cultivou um estilo de vida alinhado ao universo de suas clientes, como retratado no documentário Valentino: The Last Emperor (2008). Em 1989, transferiu seus desfiles para Paris, cidade que considerava seu segundo lar, onde recebeu a Legião de Honra em 2006.

Após celebrar 45 anos de carreira, anunciou sua aposentadoria em janeiro de 2008, encerrando sua trajetória criativa com um último desfile marcado pela emoção e pelo reconhecimento unânime do setor.

A marca após Valentino e os rumos do grupo

Depois de sua saída, a maison passou a ser comandada por Pier Paolo Piccioli, responsável por renovar a marca com forte êxito criativo. A empresa foi adquirida pelo fundo catariano Mayhoola e, posteriormente, teve participação incorporada pelo grupo francês Kering, que prorrogou a opção de compra total para 2029. Em 2024, a chegada de Alessandro Michele trouxe novo impulso estético à grife.

O funeral do estilista está marcado para sexta-feira (23/01), às 11h (horário local), na Basílica de Santa Maria dos Anjos e dos Mártires, em Roma.


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