Na terça-feira (20/01/2026), a Petrobras assinou contratos no valor de R$ 2,8 bilhões para a construção de cinco navios gaseiros, 18 empurradores e 18 barcaças, em cerimônia realizada na cidade de Rio Grande, no extremo sul do Rio Grande do Sul. Os investimentos, segundo o governo federal, têm potencial de gerar mais de 9 mil empregos diretos e indiretos e envolvem estaleiros de três estados brasileiros.
As embarcações foram encomendadas pela Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pela logística de transporte de petróleo e derivados. A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, além de ministros, parlamentares e autoridades do setor.
Os contratos fazem parte da estratégia de expansão e modernização da frota, com foco na redução da dependência de navios afretados e no aumento da capacidade de transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP) e derivados.
Construção de gaseiros no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, o estaleiro Rio Grande Ecovix será responsável pela construção dos cinco navios gaseiros, com investimento total de R$ 2,2 bilhões. As embarcações são projetadas para o armazenamento e transporte de gases liquefeitos, como o GLP, amplamente utilizado por consumidores em todo o país.
A primeira entrega está prevista para ocorrer em 33 meses, com as demais sendo realizadas a cada semestre, conforme o cronograma estabelecido em contrato. Com esses novos navios, a frota de gaseiros da Transpetro passará de seis para 14 unidades.
De acordo com a Petrobras, a ampliação permitirá triplicar a capacidade de transporte de GLP e derivados, além de garantir maior autonomia logística para a estatal.
Investimentos no Amazonas e em Santa Catarina
No Amazonas, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, em Manaus, será responsável pela construção das 18 barcaças, com investimento de R$ 295 milhões. As embarcações são utilizadas no transporte de grandes volumes de carga em contêineres, fortalecendo o modal hidroviário no interior do país.
Em Santa Catarina, o estaleiro Indústria Naval Catarinense, localizado em Navegantes, construirá os 18 empurradores, ao custo de R$ 325 milhões. Esses equipamentos são empregados na propulsão e movimentação de barcaças, ampliando a eficiência das operações fluviais.
A distribuição dos contratos entre diferentes estados reforça a cadeia produtiva da indústria naval brasileira, com impacto regionalizado em emprego e renda.
Tecnologia e eficiência das novas embarcações
Segundo a Petrobras, os novos gaseiros serão até 20% mais eficientes no consumo de energia e permitirão uma redução de até 30% nas emissões de gases de efeito estufa. As embarcações também estarão aptas a operar em portos eletrificados, alinhando-se a padrões mais recentes de sustentabilidade operacional.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que os navios contarão com tecnologia embarcada de última geração, ampliando a segurança e a eficiência do transporte.
Essas características técnicas integram a estratégia da companhia de modernização da frota e adequação a exigências ambientais e logísticas.
Programa Mar Aberto e política industrial
As contratações estão inseridas no Programa Mar Aberto, do governo federal, criado para reativar a indústria naval brasileira. O programa prevê R$ 32 bilhões em investimentos até 2030, destinados à fabricação de navios, barcaças, empurradores e ao afretamento de embarcações de apoio.
A iniciativa contempla a construção de 20 navios de cabotagem, além da renovação da frota de suporte às atividades de exploração e produção (E&P).
De acordo com a Transpetro, a política de conteúdo local, o uso de recursos do Fundo da Marinha Mercante e mecanismos de incentivo fiscal foram determinantes para a viabilização dos contratos.
Geração de empregos e qualificação profissional
Somente no estaleiro de Rio Grande, a expectativa é de geração de cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos, com demanda por mão de obra qualificada. A Petrobras informou que as encomendas começarão a exigir profissionais especializados a partir de março de 2026.
Como parte desse processo, a estatal apoia programas de capacitação profissional, incluindo a oferta de 1,6 mil vagas em cursos com bolsa auxílio e a inauguração de uma nova escola do Senai em Rio Grande, voltada à formação para a indústria naval.
Dados apresentados pela empresa indicam que o setor naval passou de 18 mil empregos em 2022 para 50 mil no fim de 2025, com projeção de crescimento até 80 mil postos de trabalho nos próximos anos.
*Com informações da Agência Brasil.











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