A Lavagem da Purificação de Santo Amaro contou com apoio do Edital Ouro Negro 2026, que assegurou estrutura, transporte, indumentárias e condições de trabalho a três grupos contemplados, fortalecendo a presença do povo de axé na celebração realizada domingo (25/01/2026). O fomento possibilitou a participação do Samba Creoula, da Charanga da Cobrac e do Afoxé Tumbá Lá e Cá no circuito da festa.
Ao longo do dia, os grupos realizaram cortejos, ritos religiosos e apresentações musicais, integrando práticas culturais afro-brasileiras à programação da lavagem, que percorreu ruas do município até a Igreja Matriz de Santo Amaro. As ações ocorreram com acompanhamento das comunidades tradicionais envolvidas.
O investimento do edital viabilizou a ocupação organizada do espaço público, garantindo condições técnicas para a realização dos desfiles e o cumprimento do calendário da festa.
Samba Creoula abre o cortejo e destaca liberdade religiosa
O Samba Creoula foi o bloco responsável pela abertura do cortejo. Criado em 2015, no Ilê Axé Omorodé Loni Oluaye, o grupo mantém relação direta com a Lavagem da Purificação, reunindo samba de roda, samba de caboclo e a participação de baianas. Antes do deslocamento pelo circuito, o bloco realizou o padê para Exu, rito tradicional do candomblé.
Segundo o babalorixá Pai Gilson, liderança do grupo, a lavagem representa um momento de expressão da fé e de convivência entre diferentes crenças. Presente na celebração há mais de quatro décadas, ele ressaltou a liberdade religiosa como um dos aspectos centrais do evento.
Ao comentar o Edital Ouro Negro, Pai Gilson afirmou que o fomento contribui para a presença das manifestações culturais nas ruas, permitindo a apresentação de indumentárias, música e dança de forma estruturada.
Charanga da Cobrac destaca ancestralidade e alcance do fomento
Na sequência do cortejo, a Charanga da Cobrac desfilou como bloco de chão, em frente à Casa de Dona Canô, com homenagem a Dona Nicinha do Samba e Pai Pote, referências negras de Santo Amaro. O grupo participa da lavagem desde o início dos anos 1990.
De acordo com o coordenador geral Leonardo Vinícius, o Edital Ouro Negro impacta diretamente a organização e a qualidade do desfile, ao possibilitar a ampliação do número de músicos e a estruturação das apresentações.
Leonardo também destacou que o fomento contribui para a manutenção das tradições culturais no interior da Bahia, ampliando o alcance das políticas públicas além da capital.
Afoxé Tumbá Lá e Cá encerra com mini trio e atuação coletiva
No período da tarde, o Afoxé Tumbá Lá e Cá, ligado ao terreiro Caboclo Mata Virgem, conduziu um mini trio ao longo do percurso da lavagem. À frente do projeto, Heloá Ramaiane afirmou que a celebração envolve dimensão espiritual e coletiva, associada à renovação simbólica e à memória ancestral.
Segundo a coordenação do grupo, o apoio do Edital Ouro Negro foi decisivo para viabilizar transporte, vestimentas, materiais e estrutura, permitindo que o terreiro participasse da festa em condições adequadas.
A presença do afoxé integrou o conjunto de manifestações que compuseram a programação da lavagem.
Programa Ouro Negro e políticas públicas culturais
Criado em 2008, o Programa Ouro Negro é executado pelo Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi). O programa concede apoio financeiro a blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae e blocos de índio para participação em festas populares.
O edital foi reconhecido e ampliado pela Lei nº 13.182/2014, que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia, consolidando a política de fomento às manifestações afro-brasileiras.











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