Presidentes Lula e Emmanuel Macron discutem Conselho da Paz proposto por Donald Trump, Mercosul-União Europeia e agenda bilateral em telefonema

Na terça-feira (27/01/2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente da França, Emmanuel Macron, em diálogo que abordou temas de paz e segurança internacional, a proposta de criação do Conselho da Paz idealizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de questões regionais e da agenda bilateral entre Brasil e França. As informações foram divulgadas pelo Palácio do Planalto.

O telefonema teve duração aproximada de uma hora e ocorreu no contexto de articulações diplomáticas envolvendo líderes globais, diante de debates sobre conflitos internacionais e governança multilateral.

Durante a conversa, Lula e Macron defenderam o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e concordaram que iniciativas voltadas à paz e à segurança internacional devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios da Carta da ONU.

Conselho da Paz e posicionamento internacional

O Conselho da Paz, proposto pelo presidente norte-americano Donald Trump, foi apresentado como um colegiado voltado à pacificação e reconstrução da Faixa de Gaza. Lula foi convidado a integrar o grupo, mas ainda não respondeu oficialmente ao convite. A França, por sua vez, recusou a participação.

Na semana anterior, em evento realizado em Salvador, Lula manifestou críticas à proposta, ao afirmar que a iniciativa poderia representar a criação de uma nova estrutura paralela à ONU. No diálogo com Macron, os dois líderes reafirmaram a centralidade do sistema multilateral existente.

Nas últimas semanas, Lula manteve contatos com diversos chefes de Estado, incluindo líderes da China, Rússia, Turquia, Colômbia, Índia, Espanha, Canadá e México, reforçando a atuação diplomática brasileira em temas globais.

Contatos com os Estados Unidos e situação da Venezuela

Na segunda-feira (26/01/2026), Lula também conversou por telefone com o presidente Donald Trump. Segundo informações oficiais, o presidente brasileiro sugeriu que o Conselho da Paz incluísse um assento para a Palestina e que o colegiado se limitasse às discussões relacionadas à Faixa de Gaza. Também foi mencionada a possibilidade de uma visita de Lula aos Estados Unidos ainda em 2026, em data a ser definida.

No diálogo com Macron, os presidentes trocaram impressões sobre a situação da Venezuela. De acordo com o Planalto, ambos condenaram o uso da força em desacordo com o direito internacional e destacaram a importância da paz e da estabilidade na América do Sul e no cenário global.

Acordo Mercosul-União Europeia e relações bilaterais

Outro ponto tratado foi o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em (17/01/2026) após 26 anos de negociações. Lula reiterou que a parceria é positiva para os dois blocos e representa uma contribuição ao multilateralismo e ao comércio baseado em regras.

Em (21/01/2026), o Parlamento Europeu solicitou ao Tribunal de Justiça da União Europeia uma avaliação jurídica do acordo, medida que interrompe temporariamente o processo de implementação. A França mantém posição contrária à ratificação, alegando impactos sobre a agricultura local.

Ao final da conversa, Lula e Macron reafirmaram o compromisso de avançar nas negociações bilaterais em curso, com expectativa de assinatura de novos acordos ainda no primeiro semestre de 2026, especialmente nas áreas de defesa, ciência e tecnologia e energia.

Viagem de Lula ao Panamá e agenda regional

Ainda na terça-feira (27/01/2026), Lula embarcou para o Panamá, onde participa como convidado especial do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe. O evento reúne líderes políticos, empresários e acadêmicos para discutir temas como infraestrutura, desenvolvimento, inteligência artificial, comércio, energia, mineração e segurança alimentar.

O presidente brasileiro será um dos primeiros a discursar no fórum, ao lado do presidente panamenho, José Raúl Mulino, e tem previstas reuniões bilaterais com chefes de Estado de países como Equador, Guatemala, Bolívia, Chile e Jamaica. Também está prevista a assinatura de acordos de cooperação entre Brasil e Panamá, com foco em investimentos, comércio e logística.


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