A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) realizou, nesta terça-feira (27/01/2026), no município de Itamaraju, um seminário voltado aos representantes da cadeia produtiva do café no Extremo Sul da Bahia. O encontro reuniu produtores rurais, associações, cooperativas e representantes de instituições públicas e privadas, com o objetivo de debater desafios, oportunidades e estratégias para o fortalecimento da cafeicultura baiana, em especial do café conilon, que tem na região seu principal polo estadual.
O evento integra o projeto de revitalização das Câmaras Setoriais da Agropecuária da Bahia, iniciativa que prevê a realização de 76 encontros ao longo de 2026 em diferentes regiões do estado. A ação é fruto de parceria entre a Seagri e a Fundação Luís Eduardo Magalhães (FLEM) e busca ampliar o diálogo institucional com os diversos segmentos do setor agropecuário, aproximando o poder público das realidades regionais.
Revitalização das Câmaras Setoriais e escuta do produtor
Segundo o gerente de projetos das Câmaras Setoriais da Seagri, Ademir Gomes, o processo de revitalização tem como eixo central a escuta qualificada do produtor rural e a construção coletiva de soluções. De acordo com ele, a proposta é compreender as especificidades locais e transformar demandas do campo em estratégias concretas de competitividade e sustentabilidade para a cafeicultura baiana.
A metodologia adotada nos seminários prioriza a participação ativa dos produtores e de suas entidades representativas, permitindo o alinhamento entre políticas públicas, iniciativas privadas e necessidades reais da produção. A expectativa da Seagri é que os encontros regionais resultem em diagnósticos mais precisos e em propostas factíveis para o fortalecimento das cadeias produtivas.
Extremo Sul como polo estratégico do café conilon
O Extremo Sul da Bahia consolidou-se, nos últimos anos, como o principal polo de produção de café conilon do estado e um dos mais dinâmicos do país. A região é marcada por uma cafeicultura empresarial, com elevado nível de tecnificação, uso intensivo de irrigação, avanço da colheita mecanizada e adoção de práticas que elevam a produtividade.
Além do desempenho produtivo, a cafeicultura exerce papel relevante na geração de emprego e renda, contribuindo de forma significativa para a economia regional. Esse contexto confere ao setor importância estratégica nas políticas agrícolas do estado, especialmente em um cenário de competitividade crescente no mercado nacional e internacional de café.
Visão dos produtores e fortalecimento institucional
Para Antônio Gonçalves, representante da Associação de Pequenos Agricultores Renascer, o seminário cumpre papel fundamental ao alinhar expectativas e fortalecer os canais institucionais de diálogo. Segundo ele, a presença do governo no território produtivo reforça a confiança do produtor e amplia as condições para aprimorar o ambiente de produção.
Na avaliação dos participantes, encontros desse tipo contribuem para qualificar a tomada de decisão, estimular a organização do setor e ampliar a participação dos produtores nos espaços de formulação de políticas públicas, especialmente em regiões onde o café é atividade econômica central.
Produção baiana e dados oficiais
A Bahia ocupa posição de destaque no cenário cafeeiro nacional. O estado é o 4º maior produtor de café arábica do Brasil, o 3º maior produtor de café conilon e o maior produtor da região Nordeste. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2024 indicam que Itamaraju lidera a produção estadual de café conilon, com 26,1 mil toneladas, seguido pelo município de Prado, com 22.692 toneladas.
No segmento do café arábica, Barra da Estiva ocupa a primeira posição no estado, com 15,6 mil toneladas, seguida por Barra do Choça, que registrou 14.896 toneladas. Os números reforçam a diversidade produtiva da cafeicultura baiana e a importância de políticas diferenciadas para cada região e tipo de cultivo.











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