A Bahia deu um novo passo na consolidação de sua política de transição energética com o anúncio do contrato firmado entre a EDF Renewables e a Goldwind, que oficializa a reativação da Fábrica de Torres de Aço em Jacobina. A solenidade ocorreu na sede da Goldwind, em Camaçari, com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, e reforça a estratégia estadual de atração de investimentos, geração de empregos e fortalecimento da cadeia produtiva de energias renováveis, com impactos diretos na economia regional e no desenvolvimento industrial.
A reativação da unidade em Jacobina representa um impulso relevante para a economia local, ao reativar a cadeia produtiva de componentes eólicos e ampliar as oportunidades de trabalho em um segmento de maior densidade tecnológica. O movimento integra um conjunto de investimentos estruturantes que vêm posicionando a Bahia como referência nacional em energia limpa, com efeitos multiplicadores sobre logística, serviços e qualificação profissional.
A iniciativa também sinaliza maior previsibilidade para fornecedores e prestadores de serviço, ao recompor um elo estratégico da indústria eólica no interior do estado. A expectativa é de dinamização do mercado de trabalho, com reflexos positivos no comércio e na renda regional.
Agenda energética e visão estratégica do governo
Durante o anúncio, o governador Jerônimo Rodrigues destacou que a atração de projetos de grande porte no setor de renováveis fortalece a economia, promove empregos qualificados e contribui para a agenda de desenvolvimento sustentável. Ao lado do vice-governador Geraldo Júnior, o chefe do Executivo estadual ressaltou a necessidade de internalizar o uso industrial da energia gerada no semiárido, ampliando o valor agregado local e viabilizando projetos como o hidrogênio verde.
Segundo a avaliação do governo, a combinação entre vantagens naturais, política de incentivos e infraestrutura logística cria condições para que a Bahia avance do papel de geradora para o de desenvolvedora de soluções energéticas.
Ambiente de negócios e incentivos ao setor eólico
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ângelo Almeida, afirmou que a retomada da fábrica e a ampliação dos investimentos evidenciam a capacidade do estado de atrair projetos estruturantes, com efeitos sobre inovação, competitividade e diversificação industrial. O projeto conta com incentivos fiscais formalizados em protocolo de intenções, assinado em março de 2023 entre a Goldwind e o Governo da Bahia.
O plano inclui ainda a implantação de um parque de fornecedores, com ao menos seis empresas do setor — entre elas a Sinoma, já instalada no estado —, o que tende a reduzir custos, aumentar a eficiência logística e fortalecer o ecossistema industrial.
Inovação tecnológica e armazenamento de energia
Além do avanço industrial, o acordo marca um novo capítulo em inovação. A Goldwind anunciou parceria com o SENAI Cimatec para a implantação do primeiro projeto de Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) integrado a um aerogerador da empresa. A iniciativa será instalada em Tanque Novo e associa geração e armazenamento em um mesmo sistema, ampliando a confiabilidade do suprimento.
Para o diretor de Tecnologia e Inovação do SENAI Cimatec, Luis Breda, o projeto representa um marco ao incorporar produtos de alta tecnologia empregados nos maiores aerogeradores do hemisfério sul, com ganhos para a comunidade científica e para a indústria.
O diretor-presidente da BahiaInvest, Paulo Guimarães, ressaltou que a parceria internaliza tecnologia no estado, permitindo que a Bahia avance de usuária para desenvolvedora de soluções, com maior autonomia e capacidade de inovação.
Unidade de Camaçari e liderança industrial
Em agosto de 2024, a Goldwind inaugurou, em Camaçari, sua fábrica de aerogeradores — a primeira unidade da companhia fora da China. A Bahia foi escolhida após vencer disputa com o Ceará, em função das condições oferecidas para a instalação do empreendimento.
Com investimento de R$ 150 milhões, a unidade tem capacidade para produzir até 150 aerogeradores por ano, com potência entre 6,2 e 8,3 MW, patamar superior ao dos equipamentos atualmente fabricados no país. A projeção é de 25% a 30% de participação no mercado brasileiro, com 250 empregos diretos e 750 indiretos, consolidando o estado como polo industrial eólico.












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