Senador Jaques Wagner amplia articulação para 2026, recompõe a base do Governo Jerônimo com a saída de Angelo Coronel e testa atração de quadros do grupo de ACM Neto

A estratégia política do senador Jaques Wagner (PT) para as eleições de 2026 entrou em fase de aceleração após a ruptura do senador Angelo Coronel (PSD) com a base do Partido dos Trabalhadores na Bahia, situação que deve ser confirmada oficialmente pelo senador do PSD e pelos filhos — Diego Coronel, deputado federal, e Angelo Coronel Filho, deputado estadual — ambos com mandato pelo PSD. O reposicionamento do grupo Coronel no campo oposicionista abriu um espaço político relevante, que Wagner passou a explorar de forma pragmática, com foco na recomposição da base governista, na preservação de alianças estruturais e na atração de dissidências do grupo liderado por ACM Neto.

No centro dessa movimentação está a tentativa de transformar uma perda política em oportunidade estratégica. Wagner atua para reduzir o impacto da saída de um aliado histórico e, simultaneamente, ampliar o arco de sustentação do governador Jerônimo Rodrigues, assegurando governabilidade no último ano de mandato e competitividade eleitoral em 2026, tanto no plano estadual quanto no federal.

Reposição de alianças e sinalização ao centro pragmático

Em declarações recentes, Jaques Wagner defendeu a manutenção do MDB na chapa majoritária de 2026 e avaliou positivamente a possibilidade de aproximação com lideranças hoje situadas no campo oposicionista, como o deputado federal Elmar Nascimento e o prefeito de Jequié Zé Cocá. A sinalização é calculada: preservar a espinha dorsal da coalizão e, ao mesmo tempo, abrir canais com setores do centro-direita regional.

Esse movimento cumpre dupla função. De um lado, transmite estabilidade aos aliados tradicionais, reduzindo o risco de efeito dominó após a ruptura do grupo Coronel. De outro, envia mensagem clara a prefeitos e parlamentares pragmáticos de que o governo segue sendo um polo viável de poder, com capacidade de acomodação e previsibilidade administrativa.

A ruptura de Ângelo Coronel como gatilho político

A decisão de Ângelo Coronel de deixar o PSD e alinhar-se à oposição alterou de forma objetiva o tabuleiro eleitoral baiano. Eleito senador em 2018 na mesma chapa que Jaques Wagner, Coronel funcionava como elemento de equilíbrio entre PT e PSD. O rompimento encerra essa zona de acomodação e força uma redefinição explícita de campos políticos.

Internamente, a crise também evidenciou disputas no PSD baiano, liderado por Otto Alencar, especialmente em torno do comando partidário e do alinhamento para 2026. A tentativa frustrada de deslocar o partido para a oposição aprofundou fissuras e acelerou decisões individuais, como a saída de Coronel.

Para Wagner, o episódio funciona como catalisador: reduz ambiguidades, antecipa conflitos e permite reorganizar a base governista com maior disciplina e clareza de lealdades.

O método Wagner: coalizão ampla e controle territorial

A atuação atual de Jaques Wagner segue um padrão consolidado ao longo de mais de duas décadas de disputas majoritárias na Bahia. Sua estratégia combina ampliação de coalizões, forte articulação territorial e uso disciplinado da máquina partidária, com ênfase em prefeitos, lideranças regionais e partidos médios.

2002: derrota e aprendizado

Em 2002, Wagner disputou o governo da Bahia e foi derrotado. A campanha marcou o início de um processo de amadurecimento político, no qual ficou evidente a necessidade de alianças mais amplas para romper ciclos históricos de poder no estado.

2006: vitória histórica no primeiro turno

Quatro anos depois, em 2006, Wagner venceu o governo estadual no primeiro turno, rompendo uma longa hegemonia política e inaugurando um novo ciclo na Bahia. A vitória consolidou o PT como força governista e reposicionou o estado no cenário político nacional.

2010: reeleição com base ampliada

Em 2010, Wagner foi reeleito também no primeiro turno, com margem ainda mais ampla. A escolha de Otto Alencar como vice simbolizou a consolidação de uma coalizão pragmática, voltada à governabilidade e à capilaridade no interior.

2014: transição e continuidade

Na sucessão de 2014, o grupo político liderado por Wagner manteve o controle do governo com a eleição de Rui Costa, confirmando a capacidade de transferência de capital político e a solidez da base construída ao longo de oito anos.

2018: Senado e coordenação política

Em 2018, Wagner foi eleito senador e assumiu papel central na coordenação política do PT na Bahia, articulando campanhas majoritárias e fortalecendo o palanque presidencial no estado.

2022: recuo tático e reorganização

No ciclo de 2022, Wagner chegou a ser cogitado como candidato ao governo, mas recuou para permitir a construção de uma alternativa consensual, que resultou na eleição de Jerônimo Rodrigues. O movimento reforçou sua imagem de articulador, mais do que de protagonista individual.

O que observar nos próximos movimentos

A estratégia de Wagner para 2026 tende a se materializar em três frentes principais:

  • Consolidação dos aliados tradicionais, com destaque para MDB e partidos médios;
  • Abertura controlada ao centro pragmático, buscando atrair lideranças regionais hoje vinculadas ao grupo de ACM Neto;
  • Reorganização de espaços políticos e administrativos, após a saída do grupo Coronel, reduzindo zonas de dupla lealdade.

Esses movimentos serão decisivos para medir a capacidade do governo de transformar a ruptura em fortalecimento institucional e eleitoral.

Centralidade, riscos e limites

A centralidade de Jaques Wagner neste momento decorre de sua trajetória e de sua capacidade comprovada de operar em ambientes de crise e recomposição. Ele reúne capital político, experiência eleitoral e trânsito entre diferentes campos partidários, atributos essenciais em um cenário de maior competitividade.

Os riscos, contudo, são evidentes. A atração de dissidências do campo oposicionista pode não se concretizar caso o cálculo local aponte custos elevados. Além disso, a redistribuição de cargos e espaços após a ruptura pode gerar tensões internas, exigindo gestão cuidadosa para evitar desgaste administrativo.

Ainda assim, o histórico indica que Wagner costuma obter melhores resultados quando o tabuleiro exige coalizão ampla, previsibilidade e comando político centralizado — exatamente o cenário que se desenha para 2026 na Bahia.

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