A expedição internacional de volta ao mundo à vela “Fraternidade-2025” entra na fase final de sua jornada e tem chegada prevista para 28 de fevereiro de 2026, às 10h, no porto de Salvador, na Bahia. A bordo do veleiro oceânico “Fraternidade”, estarão os capitães Aleixo Belov, navegador brasileiro com cinco circunavegações anteriores, e o velejador russo Sergei Shcherbakov, diretor da escola esportiva “Siberia”, marcando a conclusão oficial de uma rota de cerca de 24 mil milhas náuticas, equivalente a mais de 45 mil quilômetros.
A expedição foi apresentada publicamente em coletiva realizada em 5 de fevereiro de 2026, no Centro Internacional de Mídia Multimídia “Eurasia Today”, com participação presencial de membros da tripulação e representantes institucionais ligados à navegação e à geografia russa.
O projeto nasceu da ideia de completar a última rota ainda não percorrida por Aleixo Belov: a Rota do Mar do Norte, no Ártico. A proposta inicial de uma travessia polar evoluiu para uma circunavegação completa, ligando simbolicamente as regiões ártica e antártica do planeta.
A rota incluiu a passagem por dois extremos geográficos: o Cabo Chelyuskin, ponto continental mais ao norte do planeta, e o Cabo Horn, no extremo sul da América do Sul. Segundo os organizadores, trata-se de um percurso que não havia sido realizado anteriormente em uma única viagem contínua.
Preparação rápida e partida de Salvador
Os preparativos para a expedição foram concluídos em menos de seis meses. O veleiro “Fraternidade”, construído a partir de um projeto do próprio Aleixo Belov, já estava tecnicamente pronto, o que permitiu concentrar esforços no planejamento da rota, na obtenção de autorizações e na formação de uma tripulação internacional.
A embarcação zarpou de Salvador em 12 de abril de 2025, iniciando uma viagem que cruzou o Atlântico, percorreu a Rota do Mar do Norte e seguiu pelo Oceano Pacífico, completando o circuito global.
Travessia do Ártico e passagem pelo Cabo Chelyuskin
Um dos momentos centrais da expedição foi a travessia da Rota do Mar do Norte, conduzida por Shcherbakov, que já havia navegado pelo trecho ártico em outras ocasiões.
A passagem pelo Cabo Chelyuskin, realizada em 7 de agosto de 2025, ocorreu em condições de mar aberto e calmaria. A tripulação chegou a ancorar, desembarcar e registrar a passagem no livro de visitantes da estação local. Dados preliminares indicam que pode ter sido a travessia mais precoce do cabo por um veleiro.
Após o cabo, a rota seguiu ao norte das Ilhas da Nova Sibéria, passando pelas proximidades da Ilha Bennett. Por questões de segurança, não houve desembarques adicionais, já que a tripulação não dispunha de armas para eventual proteção contra ursos-polares.
Convivência a bordo e integração cultural
Durante a viagem, a rotina a bordo foi marcada pela convivência entre tripulantes brasileiros e russos, que se revezaram nas tarefas diárias, inclusive na cozinha. Pratos tradicionais de ambos os países foram preparados durante a travessia, tornando-se parte da experiência cultural da expedição.
Segundo relatos da tripulação, a comunicação ocorreu mesmo com a barreira linguística, com o entendimento prático durante as manobras e atividades cotidianas.
Participação feminina nas altas latitudes
A tripulante Olga Velichko destacou que as mulheres a bordo trabalharam em igualdade de condições com os homens, cumprindo turnos de vigia, manuseando velas e executando tarefas físicas sem distinções.
Ela ressaltou o caráter raro da participação feminina em travessias da Rota do Mar do Norte, considerada uma experiência incomum mesmo entre navegadores experientes.
Interesse crescente pelo Ártico
Representantes da Sociedade Geográfica Russa apontaram que expedições como a “Fraternidade-2025” contribuem para o aumento do interesse pelo Ártico. Em 2025, a região de Chukotka teria recebido cerca de 70 mil turistas, número superior à estimativa inicial de 30 mil visitantes.
A viagem também foi associada a datas simbólicas, como os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, os 180 anos da Sociedade Geográfica Russa, os 20 anos do BRICS e o bicentenário das relações diplomáticas entre Rússia e Brasil.











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