Programa Cisternas entrega 21,2 mil unidades na Bahia entre 2023 e 2025 e amplia acesso à água no semiárido

Quinta-feira (12/02/2026) — O Programa Cisternas entregou 21.200 unidades na Bahia entre 2023 e 2025, segundo dados do Governo Federal, dentro de uma política nacional de acesso à água em áreas de escassez hídrica. No mesmo período, foram 104,3 mil estruturas concluídas em todo o país, com forte concentração no Nordeste. A iniciativa busca garantir consumo doméstico, produção agrícola e abastecimento de equipamentos públicos, com tecnologias de baixo custo e participação das comunidades na execução das obras.

Retomada do programa e crescimento das entregas

A execução do programa na Bahia apresentou crescimento expressivo ao longo dos três anos analisados. Foram 1.300 cisternas entregues em 2023, número que saltou para 10.900 em 2024 e chegou a 9 mil unidades em 2025.

Na comparação entre 2025 e 2022, quando apenas 870 cisternas haviam sido concluídas no estado, o aumento foi de 934%, segundo dados oficiais. O resultado coloca a Bahia como o segundo estado do Nordeste com maior número de entregas desde 2023, atrás apenas do Ceará, que recebeu 28,9 mil unidades.

Em escala nacional, o programa registrou 48,9 mil cisternas concluídas em 2025, ante 6,7 mil em 2022, o que representa crescimento de 630%. Do total entregue desde o início do atual mandato presidencial, 88,6% das estruturas estão no Nordeste.

Estrutura nacional e metas do programa

O Programa Cisternas é voltado a famílias rurais com renda per capita de até meio salário mínimo, além de equipamentos públicos em áreas atingidas por seca ou falta regular de água. Para serem contempladas, as famílias devem estar inscritas no Cadastro Único.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o programa opera por meio de tecnologias sociais de baixo custo, com participação das comunidades nas obras. No atual ciclo, há 189 mil unidades contratadas, dentro de uma meta total de 219 mil.

Os projetos abrangem 1.037 municípios em 19 estados, executados por 30 parcerias institucionais, que somam R$ 1,7 bilhão em investimentos. Desde 2003, o programa contabiliza 1,34 milhão de cisternas entregues em todo o país.

Tipos de tecnologias e usos das cisternas

O programa adota diferentes modelos de reservatórios, de acordo com a finalidade:

  • Cisternas de 16 mil litros: voltadas ao consumo humano, como água para beber, cozinhar e higiene.
  • Cisternas de 52 mil litros: destinadas à produção agrícola e dessedentação animal.
  • Cisternas para escolas rurais: voltadas ao abastecimento de unidades de ensino.
  • Sistemas multiuso e comunitários: utilizados principalmente em regiões da Amazônia.

No semiárido, a tecnologia predominante é a cisterna de placas, que capta e armazena água da chuva para utilização durante períodos de estiagem.

Impactos relatados em comunidades rurais

Relatos de beneficiários indicam mudanças na rotina de famílias e escolas atendidas pelo programa.

Na Ilha de Marajó (PA), a instalação de 260 cisternas em escolas do município de Salvaterra reduziu a interrupção de aulas causada pela falta de água, especialmente em períodos sem energia elétrica para bombeamento.

No município de Morada Nova (CE), o agricultor Francisco Regivaldo Assunção passou a contar com uma cisterna para consumo doméstico e outra destinada à produção agrícola, o que ampliou o cultivo de frutas e hortaliças.

Experiências semelhantes foram registradas em estados como Maranhão, Paraíba e Ceará, onde produtores relatam aumento da produção, geração de renda e maior segurança hídrica.

Tecnologia social e geração de renda local

O conceito de tecnologia social é central na execução do programa. As obras são realizadas com mão de obra escolhida nas próprias comunidades, com capacitação oferecida aos moradores e pedreiros envolvidos.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, o modelo contribui para:

  • Geração de emprego local
  • Capacitação técnica das famílias
  • Fortalecimento da economia comunitária

Além do acesso à água, o programa é articulado com outras políticas públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que garante compra de produtos da agricultura familiar para abastecer escolas, cozinhas comunitárias e bancos de alimentos.

Impactos sociais e sanitários

De acordo com o governo federal, o programa apresenta efeitos indiretos em indicadores sociais. Entre os impactos citados estão:

  • Redução de doenças de veiculação hídrica
  • Queda da mortalidade infantil
  • Ampliação da produção agroalimentar
  • Geração de renda para famílias rurais

A política pública é voltada especialmente ao semiárido brasileiro, região considerada prioritária pela frequência de estiagens prolongadas e dificuldades históricas de acesso à água.


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