PF, INEMA e IBAMA desarticulam ponto ilegal de barbatanas de tubarão na Bahia e apreendem material de espécies ameaçadas

Uma ação conjunta da Polícia Federal, do INEMA e do IBAMA resultou nesta quinta-feira (12/02/2026) na desarticulação de um ponto clandestino de beneficiamento e armazenamento de barbatanas de tubarão no município de Rodelas, no norte da Bahia. A operação, baseada em troca de informações de inteligência entre os órgãos, identificou sete pessoas envolvidas na atividade ilegal e apreendeu 1,583 kg de barbatanas de diversas espécies, incluindo exemplares ameaçados de extinção. Os suspeitos foram conduzidos à delegacia da PF em Juazeiro e autuados por crimes ambientais, receptação qualificada e corrupção de menores.

Estrutura clandestina operava na zona rural

A investigação identificou que o imóvel, localizado em área rural, funcionava como uma unidade improvisada de secagem e preparo de barbatanas de tubarão. Imagens aéreas obtidas pelos órgãos ambientais confirmaram a presença de sete indivíduos atuando no interior do espaço.

Durante a abordagem, foram identificados quatro brasileiros, incluindo um menor de idade, e três cidadãos chineses. Segundo os agentes, um dos estrangeiros aparentava exercer função de coordenação da atividade ilícita, o que levanta a hipótese de articulação com redes internacionais de comércio ilegal.

No local, os agentes encontraram barbatanas em diferentes estágios de secagem, indicando que o espaço era utilizado de forma sistemática para beneficiamento e armazenamento do material, etapa intermediária antes da comercialização.

Mercado internacional impulsiona crimes ambientais

As barbatanas de tubarão possuem elevado valor no mercado internacional clandestino, especialmente em países asiáticos, onde são utilizadas em produtos alimentícios e medicinais. Essa demanda impulsiona práticas ilegais de captura e mutilação de animais marinhos.

Uma das técnicas associadas a esse comércio é o chamado finning, método em que as nadadeiras são removidas e o animal é descartado no oceano ainda vivo. Essa prática é considerada altamente prejudicial ao equilíbrio ambiental e contribui diretamente para o declínio populacional de diversas espécies.

A legislação ambiental do Brasil proíbe expressamente a captura dirigida de tubarões e criminaliza o armazenamento, transporte, beneficiamento ou comercialização de partes desses animais sem autorização. A pena pode incluir multa e reclusão, dependendo da gravidade da infração.

Prisões em flagrante e análise do material apreendido

Os suspeitos foram conduzidos à Delegacia da Polícia Federal em Juazeiro, onde foram autuados em flagrante. As acusações incluem:

  • Crime contra a fauna
  • Receptação qualificada
  • Corrupção de menores

O material apreendido será submetido à análise técnica pelos órgãos ambientais para identificação das espécies e eventual rastreamento da origem.

Segundo a Polícia Federal, a operação integra uma estratégia mais ampla de combate ao tráfico de partes de animais silvestres e às estruturas logísticas que sustentam esse mercado ilegal.

Integração institucional amplia capacidade de fiscalização

A atuação conjunta entre Polícia Federal, INEMA e IBAMA reflete uma abordagem integrada de repressão a crimes ambientais. Esse modelo permite combinar recursos de investigação criminal com expertise técnica ambiental.

A cooperação também amplia a capacidade de monitoramento e identificação de atividades ilícitas em regiões remotas, como áreas rurais e zonas de difícil acesso, frequentemente utilizadas por organizações criminosas.

Além da repressão, as ações contribuem para a coleta de dados e fortalecimento de políticas públicas de proteção à biodiversidade.


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