A Confederação Geral do Trabalho (CGT) convocou greve geral contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei, com paralisação prevista para o dia em que a Câmara dos Deputados da Argentina debater o projeto, o que pode ocorrer 19 a 25 de fevereiro de 2026. A mobilização reúne entidades sindicais nacionais e categorias do setor de transporte.
A decisão foi anunciada após a aprovação preliminar do texto no Senado da Argentina, na quinta-feira (12/02/2026), etapa que permitiu o avanço da proposta para análise dos deputados. O governo argumenta que a medida busca reduzir custos empresariais e ampliar a flexibilidade nas relações de trabalho.
Sindicatos afirmam que as mudanças podem resultar em redução de direitos, salários e garantias trabalhistas, além de restringir a atuação das entidades representativas.
Adesão de categorias estratégicas
Entre as organizações que confirmaram participação estão a Unión Tranviarios Automotor, que representa motoristas de ônibus, além de sindicatos ferroviários e trabalhadores de trens. A Confederación Argentina de Trabajadores del Transporte também declarou adesão.
Com a presença dessas categorias, a paralisação pode afetar serviços de transporte urbano, intermunicipal e ferroviário, impactando deslocamentos em grandes centros, incluindo Buenos Aires e região metropolitana.
As centrais sindicais planejam atos públicos e concentração nas proximidades do Congresso no dia do debate legislativo.
Protestos e segurança
Durante o início das discussões no Parlamento, na quarta-feira (11/02/2026), milhares de manifestantes se reuniram ao redor do prédio legislativo. O policiamento de choque utilizou canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar o grupo.
Os atos ocorreram em meio à tramitação do texto e evidenciaram a resistência de setores organizados do movimento trabalhista às alterações propostas.
Não há balanço oficial consolidado sobre detenções ou feridos relacionados às ações de segurança naquele dia.
Pontos centrais da reforma
O projeto prevê revisão dos regimes de indenização por demissão, com objetivo de reduzir encargos para empregadores. Também propõe restrições ao poder de negociação sindical e mudanças nos contratos de trabalho.
Entre os dispositivos mais debatidos está a modificação do sistema de licença médica, com redução da remuneração em casos de doença ou acidente não relacionado à atividade laboral, medida contestada por entidades sindicais.
O texto ainda permite pagamento de salários em moeda estrangeira, possibilidade de remuneração por bens ou serviços e flexibilização de férias e jornadas.
Mudanças na jornada e horas extras
A proposta estabelece ampliação da jornada diária para até 12 horas e introduz um sistema de banco de horas, pelo qual horas adicionais podem ser compensadas com folgas futuras, substituindo o pagamento direto de horas extras.
Segundo o governo, a alteração busca adaptar contratos às necessidades produtivas das empresas. Sindicatos argumentam que a medida pode resultar em extensão da carga de trabalho sem compensação financeira imediata.
O debate na Câmara deve definir se o texto será aprovado integralmente, alterado por emendas ou devolvido ao Senado.
*Com informações da Sputnik News.










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