Na quinta-feira, 19/02/2026, o Governo da Bahia informou que realizou a maior edição do Programa Ouro Negro desde a sua criação, com investimento recorde e presença ampliada de blocos afro, afoxés e outras manifestações de matriz africana nos circuitos do Carnaval e em festas populares no interior do estado. Ao completar 18 anos, a política pública alcança sua fase de maturidade, com R$17 milhões destinados a 134 entidades culturais, sendo 95 delas no Carnaval de Salvador.
O programa é executado pelas secretarias estaduais de Cultura (SecultBA) e de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), com o objetivo de garantir a presença de expressões afro-baianas na maior festa popular do estado. Durante os seis dias de folia, o incentivo viabilizou desfiles de blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae, blocos de índio e apresentações de capoeira.
De acordo com o secretário de Cultura, Bruno Monteiro, o crescimento do programa reforça o papel central das manifestações afro-brasileiras na identidade cultural da Bahia. A iniciativa integra o conjunto de ações do Carnaval 2026, que, segundo estimativas oficiais, movimentou cerca de R$7,5 bilhões na economia baiana e gerou mais de 200 mil empregos diretos e indiretos, sendo R$2,5 bilhões apenas em Salvador.
Investimento recorde e expansão para o interior
Em 2026, o Programa Ouro Negro ampliou seu alcance para além do Carnaval da capital, contemplando também festas populares e eventos tradicionais no interior do estado. Entre os beneficiados estão a Lavagem do Bonfim, as festas de Santo Amaro e Itapuã, além da Micareta de Feira de Santana.
O investimento total de R$17 milhões garantiu apoio a 134 entidades culturais de matriz africana, consolidando o programa como uma das principais políticas públicas de valorização da cultura afro-baiana. A iniciativa busca não apenas viabilizar desfiles carnavalescos, mas também fortalecer atividades socioculturais realizadas durante todo o ano.
Democratização do acesso e presença nos circuitos
Outro eixo do programa em 2026 foi a ampliação territorial das ações, com presença das entidades nos principais circuitos do Carnaval de Salvador:
- Circuito Dodô (Barra–Ondina)
- Circuito Osmar (Campo Grande–Praça Castro Alves)
- Circuito Batatinha (Centro Histórico)
Além dos circuitos tradicionais, o programa também chegou a circuitos de bairros, como:
- Garcia (Riachão)
- Nordeste de Amaralina (Mestre Bimba)
- Itapuã (Circuito das Águas)
- Liberdade (Mãe Hilda Jitolu)
Segundo a Secretaria de Cultura, a estratégia busca democratizar o acesso à festa, garantindo atrações sem cordas e ampliando o contato das novas gerações com as tradições culturais de matriz africana.
Blocos afro mantêm protagonismo cultural
Entre as entidades contempladas, os blocos afro seguiram como principais vitrines da cultura afro-baiana. Grupos com projeção nacional e internacional, como Olodum, Ilê Aiyê, Cortejo Afro, Didá, Malê Debalê e Muzenza, receberam apoio para seus desfiles.
Representantes das entidades destacaram a importância da continuidade do programa para a manutenção das atividades culturais e sociais ao longo do ano, incluindo oficinas de percussão, dança e ações educativas.
Afoxés preservam musicalidade e religiosidade
Os afoxés, expressão ligada às tradições do candomblé, também participaram com entidades tradicionais, como:
- Filhos e Filhas de Gandhy
- Korin-Efan
- Filhos do Congo
Lideranças do segmento afirmam que o programa trouxe estabilidade financeira e permitiu a continuidade das atividades, garantindo a presença anual dos grupos no Carnaval.
Blocos de índio e diversidade cultural
Os blocos de índio, com décadas de tradição no Carnaval de Salvador, também foram contemplados. Entre eles, destacam-se:
- Apaches do Tororó
- Commanche do Pelô
Representantes das entidades afirmam que o apoio público tem sido determinante para a sobrevivência e organização dessas agremiações, permitindo a produção de fantasias, adereços e ações culturais permanentes.
Reggae e samba fortalecem tradições populares
O reggae, consolidado na Bahia desde os anos 1980, marcou presença com blocos como Filhos de Jhá e Ska Reggae, reforçando a diversidade musical do Carnaval.
No samba, blocos como Alvorada, Alerta Geral e Filhos de Marujo mantiveram a tradição do gênero, que completa 110 anos em 2026. Entidades destacam que o programa é essencial para custear trios elétricos, fantasias e atrações, além de estimular a profissionalização das agremiações.
Capoeira integra programação cultural
A capoeira também esteve presente na programação do Ouro Negro, com destaque para o grupo Mangangá Capoeira, liderado por Tonho Matéria. Segundo o mestre, o programa permite a ampliação das atividades culturais e a difusão da tradição ao longo do ano.
Política pública de valorização cultural
Criado em 2008, o Programa Ouro Negro foi instituído como política pública de valorização das manifestações culturais afro-baianas. A iniciativa é reconhecida pela Lei nº 13.182/2014, que criou o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia.
O programa passou por sucessivos ajustes ao longo dos anos, a partir de avaliações e diálogos com as entidades culturais, consolidando-se como instrumento de preservação das tradições e de incentivo à participação das manifestações de matriz africana no Carnaval e em festas populares.









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