Papa Leão XIV pede jejum de palavras ofensivas e reforça escuta na Quaresma de 2026

Segunda-feira (23/02/2026) – O Papa Leão XIV divulgou a mensagem oficial para a Quaresma de 2026 com o tema “Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão”, na qual convida os fiéis a praticarem não apenas a abstinência alimentar, mas também o “jejum da língua”, com o objetivo de reduzir palavras ofensivas e ampliar o espaço para a escuta do próximo.

O Pontífice apresenta a Quaresma como período privilegiado de recolhimento espiritual, em que os cristãos são chamados a recolocar Deus no centro da vida e a renovar a fé por meio de um caminho de conversão interior. Segundo a mensagem, esse processo começa com a abertura à Palavra divina e com uma atitude de escuta atenta e humilde.

A proposta central do documento é que a prática tradicional do jejum seja ampliada para incluir o cuidado com a linguagem, especialmente em um contexto social marcado por conflitos, julgamentos precipitados e discursos agressivos.

Escuta como fundamento da conversão

O Papa destaca, em primeiro lugar, a importância da escuta como sinal de abertura ao outro e à Palavra de Deus. De acordo com a mensagem, a escuta da Escritura na liturgia educa os fiéis a perceberem a realidade com maior sensibilidade, especialmente diante do sofrimento humano e das injustiças sociais.

Segundo o Pontífice, as Sagradas Escrituras ajudam a discernir, entre as múltiplas vozes presentes no cotidiano, aquelas que expressam dor, exclusão e necessidade de resposta concreta. Essa atitude de escuta, afirma, é o primeiro passo para uma conversão autêntica.

O texto pontifício também ressalta que a escuta não deve se restringir à dimensão espiritual, mas precisa se traduzir em atenção concreta ao próximo, especialmente aos mais vulneráveis.

O jejum como disciplina espiritual e social

Na segunda parte da mensagem, o Papa explica que o jejum é uma prática concreta que envolve o corpo e ajuda a ordenar os desejos e apetites, mantendo viva a fome e a sede de justiça. Segundo ele, a abstinência quaresmal deve ser vivida com fé e humildade, evitando qualquer forma de ostentação espiritual.

O Pontífice adverte que o jejum perde seu sentido evangélico quando se transforma em motivo de vaidade ou superioridade moral. Por isso, propõe que a prática inclua outras formas de renúncia, capazes de promover crescimento espiritual e responsabilidade social.

Entre essas formas, o Papa destaca a abstinência de palavras que ferem o próximo, classificando-a como uma prática concreta e frequentemente negligenciada.

O “jejum da língua” e a cultura da gentileza

Leão XIV convida os fiéis a “desarmar a linguagem”, renunciando a expressões agressivas, julgamentos temerários, calúnias e críticas dirigidas a pessoas ausentes. O objetivo, segundo o texto, é transformar a comunicação em instrumento de reconciliação e construção de paz.

O Papa recomenda que os cristãos aprendam a medir as palavras e cultivem a gentileza em todos os ambientes: família, trabalho, redes sociais, debates políticos, meios de comunicação e comunidades religiosas.

Segundo a mensagem, a mudança no modo de falar pode contribuir para substituir discursos de ódio por palavras de esperança, promovendo relações mais justas e fraternas.

Dimensão comunitária da Quaresma

O documento também enfatiza que a Quaresma possui uma dimensão coletiva, que deve ser vivida nas paróquias, famílias e comunidades religiosas. O Papa afirma que o caminho quaresmal precisa ser partilhado, com práticas comuns de escuta da Palavra e de jejum.

Nesse contexto, o Pontífice destaca a importância de ouvir não apenas a mensagem bíblica, mas também o clamor dos pobres e da terra, transformando essa escuta em compromisso concreto.

Ao concluir a mensagem, o Papa exorta os fiéis a pedirem a graça de uma Quaresma que torne os ouvidos mais atentos a Deus e aos que sofrem, e reafirma o compromisso de construir uma sociedade fundada na solidariedade e no amor ao próximo.


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