Feira de Santana, sexta-feira (20/02/2026) – A Cooperativa dos Produtores Rurais de Feira de Santana (Cooperfeira) iniciou uma agenda estratégica de aproximação com instituições financeiras e promoveu reunião com a superintendência estadual do Banco do Nordeste na Bahia para discutir medidas concretas de ampliação do acesso ao crédito rural, com foco específico na pecuária da região.
O encontro contou com a presença do superintendente do banco na Bahia, Pedro Lima Neto, e do gerente da agência de Feira de Santana, Jefferson Góes. Pela cooperativa, participaram o presidente Beto Falcão e membros da diretoria, além de representantes do poder público municipal. O objetivo central foi identificar gargalos no financiamento agropecuário e estruturar soluções que permitam maior inclusão produtiva dos pecuaristas.
A iniciativa ocorre em um contexto de demanda crescente por capital para custeio, investimento e modernização das propriedades rurais, sobretudo entre produtores médios, segmento considerado estratégico para a dinâmica econômica do interior baiano.
Diagnóstico: barreiras técnicas e falta de informação
Durante a reunião, Beto Falcão apresentou as principais demandas dos cooperados, destacando dificuldades recorrentes no acesso às linhas de financiamento, bem como lacunas informativas quanto aos produtos disponíveis para a pecuária.
Segundo a cooperativa, muitos produtores encontram entraves na elaboração de projetos técnicos e na compreensão das exigências bancárias, o que limita o volume de operações formalizadas. A entidade defendeu uma atuação mais próxima do banco junto aos produtores médios, faixa relevante da economia rural local e responsável por parcela significativa da produção pecuária regional.
A avaliação compartilhada pelos participantes aponta que o crédito existe, mas sua efetivação depende de melhor orientação técnica, qualificação de projetos e disseminação adequada das linhas disponíveis.
Encaminhamentos práticos definidos na reunião
Como resultado imediato do encontro, o Banco do Nordeste anunciou três medidas operacionais voltadas à ampliação do acesso ao financiamento:
- Curso de capacitação já em março, destinado a elaboradores de projetos, com foco em operações acima de R$ 100 mil;
- Seminário técnico para apresentação detalhada das linhas de crédito voltadas à agropecuária;
- Estudo de criação de linha específica para financiamento de equipamentos vinculados à Expofeira.
A capacitação de profissionais para elaboração de projetos é considerada estratégica, uma vez que operações de maior porte exigem documentação técnica estruturada, condição indispensável para aprovação e liberação de recursos.
O seminário, por sua vez, terá a finalidade de esclarecer dúvidas sobre critérios, prazos, garantias e taxas aplicáveis às diferentes modalidades de financiamento rural, ampliando a transparência do processo.
Condições de financiamento e apoio técnico
O banco informou que financia a aquisição de animais para recria e engorda por meio de projeto simplificado, modalidade que busca reduzir a burocracia para o produtor.
Nesses casos, a avaliação técnica da propriedade — incluindo capacidade de alimentação do rebanho e disponibilidade hídrica — é realizada por engenheiro do próprio banco, sem custo adicional ao produtor, medida que tende a reduzir despesas e acelerar a tramitação das operações.
Para operações de até R$ 100 mil, por meio do programa Agroamigo, voltado à agricultura familiar, o projeto técnico e financeiro é elaborado gratuitamente, com acesso a juros incentivados, ampliando as condições de inclusão de pequenos produtores no sistema formal de crédito.
Participação institucional e articulação regional
Além dos representantes da Cooperfeira e do Banco do Nordeste, participaram da reunião o secretário municipal de Agricultura, Silvaney Araújo, o secretário de Governo e presidente da UNAGRO Bahia, Neto Bahia, e os diretores da cooperativa Agenor Campos e Celso Pereira.
A presença de autoridades municipais e lideranças setoriais indica tentativa de articulação institucional coordenada, envolvendo cooperativa, poder público e instituição financeira, com o propósito de fortalecer a cadeia produtiva local.
Para Beto Falcão, a agenda representa um passo objetivo para reduzir barreiras técnicas e ampliar o acesso dos pecuaristas de Feira de Santana e região às linhas de financiamento governamentais, com potencial de impacto direto na geração de renda e na consolidação do setor agropecuário regional.








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