A deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA), presidente do diretório estadual do PSB na Bahia, afirmou neste sábado (21/02/2026) não haver fundamento nas especulações sobre uma possível filiação do senador Angelo Coronel (PSD) ao partido para disputar a reeleição ao Senado nas eleições de 2026. Em declaração pública, a parlamentar destacou que não houve convite formal da direção nacional da legenda, contestando interpretações divulgadas em meios políticos e reafirmando que o partido permanece integrado ao bloco governista liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT).
A manifestação ocorre em meio à crescente movimentação no cenário político baiano em torno da formação das chapas majoritárias para 2026, especialmente após o senador Jaques Wagner (PT) antecipar publicamente a composição defendida pelo grupo governista para a disputa estadual.
Lídice da Mata nega convite do PSB a Angelo Coronel
A deputada afirmou que não identifica qualquer sinal concreto de articulação interna para receber o senador Angelo Coronel na legenda. Segundo Lídice, a narrativa de que o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, teria convidado Coronel para ingressar no partido não corresponde aos fatos conhecidos pela direção estadual.
“Eu acho que isso não tem sentido. Isso está divulgado como se o presidente João Campos tivesse convidado o Coronel para vir para o partido. Eu não imagino que essa possibilidade exista”, declarou.
A parlamentar também mencionou a presença de João Campos na Bahia no último dia 7 de fevereiro, quando participou das celebrações do aniversário do PT, evento no qual o partido reafirmou o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato à reeleição em 2026.
De acordo com Lídice da Mata, durante essa agenda política o dirigente nacional do PSB não fez qualquer referência à possibilidade de filiação de Angelo Coronel, o que reforça, na avaliação da deputada, a inexistência de tratativas nesse sentido.
“João esteve presente numa reunião com possíveis candidatos nossos, pessoas que estão entrando no partido para serem candidatos a deputado federal e deputado estadual. Em nenhum momento fez qualquer referência a essa proposta”, afirmou.
PSB integra bloco que apoia chapa governista
Lídice da Mata também reiterou que o PSB da Bahia permanece alinhado ao campo político que sustenta o governo estadual, integrando o conjunto de forças que apoiam a formação da chapa majoritária defendida pelo senador Jaques Wagner.
Segundo Wagner, a estrutura da candidatura governista para as eleições de 2026 deverá reunir:
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Jerônimo Rodrigues (PT) — candidato à reeleição ao Governo da Bahia
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Geraldo Júnior (MDB) — candidato à vice-governadoria
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Rui Costa (PT) — candidato ao Senado
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Jaques Wagner (PT) — candidato ao Senado
A composição, ainda informal, tem sido apresentada como expressão de continuidade do grupo político que governa o estado desde 2007, quando o PT assumiu o comando do Executivo baiano.
Nesse contexto, a eventual entrada de Angelo Coronel no PSB para disputar uma vaga ao Senado seria incompatível com o desenho político já anunciado pelo grupo governista, uma vez que a chapa majoritária prevê duas candidaturas petistas ao Senado.
Rompimento político de Angelo Coronel com o grupo governista
A discussão sobre a filiação partidária do senador Angelo Coronel ocorre em meio ao distanciamento político entre o parlamentar e o núcleo dirigente do governo estadual.
Coronel, eleito senador em 2018 pelo PSD com apoio da coalizão liderada pelo PT, passou a adotar posições críticas em relação à condução política do governo Jerônimo Rodrigues, especialmente em disputas internas por espaços políticos e na definição das candidaturas majoritárias para 2026.
Nos últimos meses, interlocutores do senador têm sinalizado insatisfação com a possibilidade de exclusão de sua candidatura à reeleição dentro da base governista, sobretudo após o anúncio da chapa defendida por Jaques Wagner.
Esse cenário abriu espaço para especulações sobre novas alianças partidárias e possíveis reposicionamentos no tabuleiro político baiano. Entre as hipóteses discutidas nos bastidores está a eventual migração do senador Angelo Coronel (PSD) para outra legenda, o que poderia viabilizar sua candidatura à reeleição ao Senado fora da configuração defendida pelo grupo governista.
Uma alternativa considerada pelo senador seria a formação de uma chapa de oposição liderada por ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo da Bahia, tendo João Roma (PL) como candidato ao Senado. Nesse arranjo, Coronel poderia buscar espaço político em uma composição alternativa ao bloco governista.
A movimentação também pressiona o posicionamento de outras lideranças, como o ex-deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos). Diante do novo desenho político, Nilo afirma que pretende manter o projeto de disputar o Senado com candidatura independente, ainda que o cenário de alianças permaneça em processo de definição.
Disputa antecipada pelo Senado movimenta cenário político
A antecipação das articulações para 2026 evidencia a centralidade da disputa pelas duas vagas ao Senado na política baiana.
Historicamente, as eleições senatoriais no estado costumam mobilizar acordos amplos entre partidos da base governista, já que o pleito simultâneo para duas cadeiras intensifica as negociações internas.
Nesse contexto, a definição prévia de dois nomes petistas para o Senado — Rui Costa e Jaques Wagner — altera o equilíbrio político dentro da coalizão que sustenta o governo estadual, provocando tensões entre partidos aliados e lideranças que também aspiram disputar o cargo.
As declarações de Lídice da Mata indicam que, ao menos no momento, o PSB não pretende alterar sua posição no arranjo político da base governista, tampouco abrir espaço para uma candidatura alternativa ao Senado dentro da legenda.

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