Na domingo (01/03/2026), durante a abertura das sessões legislativas ordinárias do Congresso argentino, o presidente Javier Milei apresentou um discurso de 1h42, marcado por críticas a opositores, empresários e governadores, além da promessa de envio de 90 pacotes de reformas estruturais. Apesar da duração, não houve detalhamento técnico ou anúncios imediatos de medidas.
Somente na parte final da fala, o chefe do Executivo informou que cada um dos nove ministérios preparou dez projetos, que seriam enviados ao Parlamento ao longo dos próximos nove meses. Segundo ele, o calendário prevê propostas mensais voltadas à reestruturação institucional do país.
O presidente argumentou que a quantidade de iniciativas não representaria concentração de poder, mas sim uma estratégia de transformação administrativa e econômica.
Pacotes de reformas e ausência de detalhes
Entre as áreas mencionadas, Milei citou reformas tributária, eleitoral, educacional, do Código Civil e Comercial, do Código Alfandegário e normas de defesa do consumidor e concorrência. Contudo, não apresentou cronograma específico, metas ou textos preliminares.
A falta de informações técnicas gerou questionamentos entre parlamentares sobre a viabilidade de análise de um volume elevado de projetos em curto prazo. O governo indicou apenas que as propostas serão enviadas gradualmente.
O discurso também reiterou a intenção de reduzir regulações estatais e ampliar a desburocratização, pontos centrais do programa econômico defendido pela atual gestão.
Abertura comercial e cenário econômico
Milei afirmou que manterá a abertura da economia às importações, mesmo diante de críticas de setores industriais. Ele citou dados do Banco Mundial para sustentar que a Argentina apresenta baixo grau de integração comercial.
Representantes empresariais têm apontado fechamento de empresas, redução do consumo e perda de empregos como efeitos da concorrência externa. Ainda assim, o presidente declarou que a fase mais severa da crise já teria sido superada.
Dados econômicos apresentados no discurso indicam queda da inflação anual de 211,4% para 31,5% entre 2023 e 2025, mas com alta mensal recente, além de crescimento concentrado nos setores de energia, mineração e serviços financeiros.
Relação com o Congresso e confrontos verbais
O presidente classificou o atual Parlamento como “o mais reformista da história”, após mudanças na composição resultantes das últimas eleições legislativas. O governo conseguiu aprovar projetos como reforma trabalhista e alterações na legislação penal.
Desde o início do mandato, Milei vetou sete das 11 leis aprovadas pelo Legislativo, com parte dos vetos revertida. A base governista ampliou presença na Câmara e no Senado, aproximando-se de maiorias estratégicas.
Durante o pronunciamento, foram registradas interrupções com provocações, ironias e críticas diretas a adversários políticos e empresários, com uso de termos depreciativos. A fala foi estruturada em três blocos: cenário herdado, resultados do governo e plano de reformas.
Indicadores fiscais e desafios
O governo sustenta que houve eliminação do déficit fiscal, controle de preços e retomada do crescimento. Entretanto, analistas observam que o superávit não considera despesas com dívidas e obras públicas paralisadas, o que altera o resultado primário.
O crescimento econômico permanece concentrado em setores com menor geração de empregos, enquanto indústria e comércio apresentam retração. O desemprego e a queda do consumo seguem entre as principais preocupações sociais.
Sem medidas detalhadas, o impacto concreto das reformas anunciadas dependerá da tramitação parlamentar e do conteúdo dos projetos a serem apresentados.
*Com informações da RFI.








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