Nesta terça-feira (04/03/2026), quarto dia de escalada aberta no Oriente Médio, Israel afirmou ter iniciado uma nova onda de ataques contra o Irã, mirando lançadores de mísseis, defesas aéreas e “outras infraestruturas”, enquanto os Estados Unidos disseram ter atingido mais de 2.000 alvos desde o início das operações militares no sábado (28/02). Em paralelo, um grupo de direitos humanos (HRANA) afirmou que 1.097 civis morreram no Irã desde 28/02, com 5.402 feridos, e o embaixador iraniano na ONU declarou que Teerã “duvida da utilidade de negociações” com Washington, aprofundando a percepção de fechamento da via diplomática.
Nova onda de ataques e impacto em Teerã
As Forças de Defesa de Israel (IDF) disseram ter iniciado uma “ampla” ofensiva, alegando foco em locais de lançamento de mísseis, sistemas de defesa aérea e infraestruturas associadas ao aparato militar iraniano. Na capital, a destruição de um prédio governamental de vários andares foi apontada por checagem de imagens e satélites como resultado provável de ataque aéreo, com indícios de demolição quase completa do edifício.
O avanço militar ocorre após a fase inicial do conflito em que EUA e Israel atacaram o Irã no sábado (28/02) e, segundo o conteúdo apresentado, o aiatolá Ali Khamenei foi morto. As ações seguintes intensificaram a instabilidade institucional iraniana e adicionaram incerteza sobre a cadeia de comando e o processo de sucessão no topo do regime.
No plano operacional, Israel também afirmou ter destruído centenas de lançadores de mísseis iranianos, citando, no mesmo período, o emprego de grande volume de munições em ataques simultâneos no Irã e no Líbano. A leitura implícita é a de uma campanha destinada a reduzir a capacidade de resposta do Irã e, ao mesmo tempo, conter frentes associadas ao seu arco de alianças regionais.
Mortes de civis, funerais e disputa sobre alvos
O quadro humanitário ganhou centralidade com a divulgação, por parte da HRANA, de que 1.097 civis morreram no Irã desde 28/02, incluindo 181 crianças menores de 10 anos, além de milhares de feridos, com menção a ataques contra bases militares, centros médicos e áreas residenciais. O próprio grupo ressalvou que outras mortes relatadas ainda estariam em verificação.
Um dos episódios mais sensíveis, segundo o material, foi o suposto ataque que atingiu uma escola de meninas em Minab no sábado (28/02), com autoridades locais afirmando que três mísseis atingiram o prédio e que ele ficava a cerca de 600 metros de uma base da Guarda Revolucionária Islâmica. A cobertura relata funerais com participação de centenas de pessoas e a comoção pública, mas também registra que a BBC não conseguiu verificar de forma independente o total de mortos divulgado pelo governo iraniano.
Do lado americano, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os EUA não atacariam deliberadamente uma escola, rejeitando incentivo ou interesse em atingir infraestrutura civil. A diferença entre versões, nesse ponto, reforça a disputa narrativa típica de guerras contemporâneas: atribuição de responsabilidade, contestação sobre intencionalidade e tentativa de limitar custos políticos internacionais.
Estreito de Ormuz, energia e choque nos mercados
A dimensão econômica aparece com força na frente marítima. Após o anúncio iraniano de fechamento do Estreito de Ormuz, uma autoridade ligada à Guarda Revolucionária teria dito que a passagem estava “fechada” e ameaçado reagir contra navios que tentassem atravessar. O conteúdo destaca que cerca de 20% do consumo diário mundial de petróleo passa pela rota, tornando qualquer interrupção um evento de alto impacto.
Diante do risco à navegação, Donald Trump declarou que os EUA escoltariam petroleiros pelo Estreito de Ormuz “se necessário”, além de mencionar medidas de seguro e garantias para o comércio marítimo no Golfo. A sinalização indica tentativa de demonstrar controle e reduzir pânico de mercado, ainda que a própria necessidade de escolta revele um ambiente de ameaça persistente.
No reflexo imediato, o texto aponta que o preço de referência do gás natural na Europa subiu 33% no dia, alcançando o patamar mais alto desde janeiro de 2023. Mesmo sem detalhar toda a cadeia de transmissão, o movimento sugere precificação de risco: guerra prolongada no Golfo tende a elevar custos de energia e seguros, com efeitos em inflação e atividade econômica.
Líbano, Hezbollah e a ampliação regional do conflito
A guerra transbordou com novos episódios no Líbano. Israel teria emitido alertas de evacuação para mais de dez vilarejos e cidades, pedindo que civis se afastassem ao menos 1 km de áreas associadas ao Hezbollah. O Líbano informou seis mortos em ataques israelenses no sul do país, segundo o material.
No mesmo eixo, Israel e Hezbollah continuaram trocando ataques. O Hezbollah afirmou ter atacado uma base naval em Haifa, enquanto o Exército israelense reportou detecção de projéteis e interceptações. Explosões também foram relatadas em Beirute, ampliando o temor de uma frente libanesa mais intensa.
Israel ainda afirmou ter atingido “aproximadamente 60 alvos” do Hezbollah — depósitos de armas, centros de comando e lançadores — consolidando a lógica de atacar simultaneamente capacidade (infraestrutura e arsenais) e liderança (comandantes), para elevar o custo da retaliação.
Ataques e segurança no Golfo: Dubai, Catar e Arábia Saudita
No Golfo, o conteúdo menciona um ataque de drone próximo ao consulado dos EUA em Dubai, com incêndio em um estacionamento adjacente e ausência de feridos. Rubio confirmou o episódio e afirmou que instalações diplomáticas estariam sob ataque direto, destacando que parte do pessoal havia sido retirada previamente.
O Catar informou a prisão de 10 suspeitos acusados de operar para a Guarda Revolucionária Islâmica, incluindo sete supostamente encarregados de coletar informações sobre infraestrutura vital e militar e três com treinamento no uso de drones. O relato inclui confissões em interrogatórios, conforme a agência estatal do país.
A Arábia Saudita, por sua vez, declarou prontidão para adotar medidas necessárias para defender sua segurança e apoiar aliados diante de eventuais ataques. Em conjunto, esses movimentos reforçam a percepção de que a guerra já impacta o dispositivo de segurança regional — seja por ações diretas, seja por operações de contrainteligência e prevenção.
Tensões com aliados europeus e ameaça de retaliação comercial contra a Espanha
A crise também contaminou a relação entre Washington e aliados. O conteúdo registra que Trump ameaçou “cortar todo o comércio” com a Espanha depois que o premiê Pedro Sánchez negou o uso de bases para ações contra o Irã, classificando os ataques como intervenção “injustificada e perigosa” e fora do direito internacional.
Em paralelo, a cobertura descreve uma Europa descoordenada, preocupada com evacuações e com o choque de energia, mas sem posição unificada clara. França, Alemanha e Reino Unido teriam emitido declaração conjunta sobre “medidas defensivas”, enquanto divergências internas na União Europeia foram evidenciadas por mensagens públicas distintas entre chancelerias e liderança do bloco.
A França anunciou reforço militar no Mediterrâneo Oriental, incluindo envio do porta-aviões Charles de Gaulle e uma fragata com sistemas de defesa aérea, citando objetivo “estritamente defensivo” e a necessidade de proteger parceiros e interesses nacionais na região.
Brics divididos diante da guerra no Irã
Entre os países do Brics, as reações também foram divergentes. Segundo o conteúdo, Brasil, China e Rússia condenaram oficialmente os ataques iniciais de EUA e Israel, enquanto Índia adotou linguagem de preocupação com escalada e segurança de civis, sem condenação direta dos bombardeios, e países árabes integrantes do bloco teriam criticado, sobretudo, os ataques iranianos contra seus territórios e bases.
O material aponta que o Brasil divulgou duas notas: uma condenando os ataques de 28/02 e outra condenando medidas que violem soberania de terceiros, manifestando solidariedade a países do Golfo atingidos por retaliações iranianas. Também registra declaração do assessor Celso Amorim, classificando como inaceitável a morte de um líder em exercício.
A análise apresentada no texto sugere que a expansão do Brics, ao incluir países do Oriente Médio, aumentou a representatividade, mas elevou o nível de tensão interna por agendas regionais incompatíveis, reduzindo a probabilidade de respostas coletivas em crises agudas.
*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agências Brasil, Reuters, RFI, Sputnik e BBC Brasil.








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