O Governo da Bahia autorizou nesta sexta-feira (13/03/2026) o início do processo de licitação para uma nova etapa de requalificação urbana no Centro Antigo de Salvador, com obras previstas na Rua da Ajuda e em um trecho da Rua do Tesouro. A intervenção, anunciada pelo governador Jerônimo Rodrigues durante agenda no Palacete Tirachapéu, na Rua Chile, prevê a retirada da fiação aérea, a implantação de redes subterrâneas de energia e telecomunicações, a recuperação do pavimento histórico e a ampliação das calçadas, em um investimento inicial de R$ 3,4 milhões. A execução ficará sob responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), e integra uma estratégia mais ampla de valorização patrimonial, qualificação da infraestrutura e estímulo à dinamização econômica da área histórica da capital baiana.
Requalificação avança sobre vias históricas do Centro Antigo
A nova intervenção anunciada pelo governo estadual concentra-se em duas vias de forte valor simbólico e urbanístico para Salvador: a Rua da Ajuda e parte da Rua do Tesouro. O objetivo central é combinar preservação do patrimônio histórico com modernização da infraestrutura urbana, em uma região que vem sendo reposicionada como polo de circulação, turismo, serviços e investimentos privados.
Durante o anúncio, Jerônimo Rodrigues informou que a medida formalizada foi a autorização para a licitação da obra. Segundo ele, o anteprojeto deverá ser publicado no Diário Oficial no dia 21 de março, para que, posteriormente, a empresa vencedora elabore o projeto executivo e, só então, seja emitida a ordem de serviço. O governador também afirmou que o planejamento foi dividido em três etapas, com outros dois trechos ainda em fase de formulação.
A declaração reforça a ideia de que a intervenção não será isolada, mas parte de um programa escalonado de recuperação do Centro Antigo. Ao enfatizar a revitalização da história da cidade, o governo procura associar a obra não apenas à melhoria física das ruas, mas a uma política pública de revalorização da memória urbana de Salvador.
Obras incluem pavimento histórico, acessibilidade e redes subterrâneas
O projeto prevê uma requalificação completa das vias, com serviços voltados tanto à recuperação estética quanto à funcionalidade do espaço urbano. Um dos pontos centrais é a substituição do pavimento asfáltico por paralelepípedos, em uma tentativa de resgatar a configuração histórica original das ruas e reforçar a identidade arquitetônica do Centro Antigo.
Também estão previstas a recuperação e ampliação das calçadas, com aplicação de piso em concreto lavado e instalação de piso tátil, medida voltada à melhoria das condições de acessibilidade. Trata-se de um aspecto relevante em áreas históricas, onde a adaptação da infraestrutura contemporânea costuma exigir compatibilização cuidadosa entre conservação do patrimônio e atendimento às exigências de mobilidade urbana.
Outro eixo da intervenção será a implantação de vala técnica para acomodar redes de energia e telecomunicações em estruturas subterrâneas. A medida permitirá a retirada da fiação aérea, apontada como um dos fatores que mais comprometem a leitura visual do conjunto arquitetônico da região. Além do ganho estético, a solução tende a oferecer melhores condições de organização e manutenção da infraestrutura urbana.
Integração com concessionárias e revisão de serviços urbanos
A proposta anunciada pelo governo também envolve a revisão das redes de água e esgoto, em articulação com a Embasa, além de alinhamento técnico com concessionárias e operadoras responsáveis por energia, gás, telefonia e internet. Entre os agentes mencionados estão Neoenergia Coelba, Bahiagás e empresas de telecomunicações.
Essa coordenação é decisiva para evitar intervenções fragmentadas, um problema recorrente em centros urbanos antigos, onde obras sucessivas e desconectadas frequentemente comprometem o resultado final. Ao integrar diferentes serviços em uma mesma frente de requalificação, o Estado tenta reduzir retrabalho e assegurar maior racionalidade técnica na execução.
O projeto inclui ainda a instalação de novos postes de iluminação pública, com a finalidade de reforçar a segurança e qualificar o uso do espaço urbano. Em áreas de forte circulação turística e relevância histórica, iluminação adequada não é mero detalhe: ela interfere diretamente na percepção de segurança, na permanência de pessoas e na vitalidade econômica do território.
Governo vincula intervenção à política de revitalização da área histórica
O anúncio desta sexta-feira foi apresentado como continuidade de um conjunto mais amplo de ações do Governo da Bahia para o Centro Antigo de Salvador. Segundo os dados informados, mais de 350 ruas já foram requalificadas na região ao longo dos últimos anos, sendo mais de 90 apenas na atual gestão estadual.
Esse volume de intervenções é utilizado pelo governo para sustentar a narrativa de continuidade administrativa e de consolidação de uma política de recuperação urbana voltada ao patrimônio histórico da capital. A requalificação de vias, nesse contexto, aparece como instrumento de recomposição do espaço público e de incentivo à ocupação econômica de áreas tradicionalmente marcadas por esvaziamento ou degradação.
A nova etapa também dialoga com experiências recentes, especialmente a intervenção na Rua Chile, considerada a primeira rua do Brasil. Ali, medidas semelhantes — com renovação do pavimento e implantação de redes subterrâneas — foram adotadas com o propósito de valorizar o conjunto arquitetônico e melhorar a ambiência urbana. A referência funciona como vitrine do modelo que o governo pretende replicar em outros trechos do Centro Antigo.
Rua Chile e Palacete Tirachapéu como vitrines da estratégia urbana
A escolha do Palacete Tirachapéu como local do anúncio não foi casual. O edifício tornou-se um dos empreendimentos emblemáticos do processo recente de reocupação e valorização da Rua Chile e de seu entorno, concentrando atividades econômicas e usos que reforçam a percepção de recuperação da área.
Ao situar o anúncio nesse espaço, o governo associa a intervenção pública à capacidade de atrair investimentos privados e de estimular novas ocupações comerciais e turísticas. A lógica é clara: primeiro vem a infraestrutura; depois, o capital privado encontra ambiente mais favorável para atuar. É a velha engrenagem urbana, sem romantismo e sem truque de palco.
O sócio-diretor do empreendimento, Paulo Marques, destacou justamente esse ponto ao afirmar que a ação contribui para o fomento ao turismo e à economia local. Segundo ele, a melhoria da infraestrutura abre caminho para novos investimentos e para a instalação de novos empreendimentos na região em curto prazo.
Preservação patrimonial e economia local aparecem como eixos do discurso oficial
A presidente em exercício da Conder, Larissa Britto, afirmou que a proposta articula dois elementos considerados centrais: o resgate da identidade histórica do Centro Antigo, por meio da retomada do pavimento em paralelepípedos, e a qualificação urbanística associada ao rebaixamento das redes de energia e telecomunicações.
A fala resume bem a orientação conceitual do projeto. De um lado, o governo busca reafirmar o compromisso com a preservação do patrimônio urbano. De outro, tenta responder a demandas contemporâneas de funcionalidade, acessibilidade, ordenamento visual e eficiência dos serviços públicos. Em centros históricos, esse equilíbrio raramente é simples. Quando mal conduzido, vira maquiagem cara; quando bem conduzido, reorganiza o espaço e reposiciona a área na vida econômica da cidade.
No discurso oficial e empresarial, as obras aparecem ainda como vetor de fortalecimento do turismo e de dinamização da economia local. Essa associação faz sentido em Salvador, onde o patrimônio histórico não é apenas legado cultural, mas também ativo econômico. A qualificação das ruas, da paisagem e da infraestrutura pode ampliar a atratividade da região para visitantes, comerciantes, investidores e novos usos urbanos.
Desafios da execução e expectativa sobre as próximas etapas
Apesar do anúncio e da autorização da licitação, a execução efetiva das obras ainda dependerá do cumprimento das etapas administrativas e técnicas previstas. Isso inclui a publicação do anteprojeto, a definição da empresa vencedora, a elaboração do projeto e a posterior emissão da ordem de serviço.
Esse cronograma revela que a intervenção ainda está em fase preliminar, o que exige cautela na leitura de seus efeitos imediatos. Em políticas urbanas, sobretudo em áreas tombadas ou sensíveis do ponto de vista patrimonial, a diferença entre anunciar e entregar costuma ser larga. A boa engenharia institucional não se mede em solenidade, mas em obra concluída com padrão técnico e manutenção posterior.
Também será decisivo acompanhar como o governo conduzirá as duas etapas seguintes mencionadas por Jerônimo Rodrigues. A consistência da política de requalificação dependerá não apenas deste trecho inicial, mas da capacidade de formar continuidade territorial, evitando ilhas de intervenção cercadas por degradação persistente.











Deixe um comentário