O Brasil assumiu, na quinta-feira (09/04/2026), a presidência da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), aliança que reúne 24 países da América do Sul e da África, com foco na manutenção do Atlântico Sul livre de conflitos armados, armas nucleares e disputas geopolíticas. A reunião ocorreu na Escola Naval, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
Durante a abertura do encontro de ministros e vice-ministros, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou a posição brasileira contrária à expansão de conflitos internacionais para a região. O discurso ocorreu em meio ao cenário global marcado por guerras e tensões em diferentes regiões.
A presidência brasileira terá duração de três anos, sucedendo Cabo Verde, e deverá priorizar agendas relacionadas à segurança marítima, cooperação internacional e sustentabilidade ambiental.
Zopacas reforça compromisso com paz e cooperação internacional
A Zopacas foi criada em 1986 pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de promover a paz e impedir a presença de armas nucleares e de destruição em massa no Atlântico Sul. O bloco reúne países como Brasil, Argentina e Uruguai, além de nações da costa oeste africana.
Durante o encontro, Mauro Vieira afirmou que a região deve permanecer afastada de disputas externas, destacando que mares e oceanos devem ser espaços de cooperação e não de conflito.
O ministro também mencionou preocupações do governo brasileiro com o aumento de conflitos armados no cenário internacional e seus impactos indiretos, como a elevação de preços de energia e alimentos.
Segurança marítima e combate a crimes transnacionais
Entre os temas prioritários discutidos na reunião estão o combate ao tráfico de drogas por via marítima, a pirataria e a pesca ilegal, considerados desafios comuns aos países integrantes da aliança.
A cooperação entre os países membros busca fortalecer ações conjuntas de vigilância e controle no Atlântico Sul, ampliando a capacidade de resposta a ameaças que afetam a segurança regional.
O Brasil destacou a importância de estratégias integradas para enfrentar esses problemas, considerando a extensão do litoral dos países envolvidos, especialmente na América do Sul e na África.
Proteção ambiental e acordos internacionais
Outro eixo central da presidência brasileira é a proteção do meio ambiente marinho. Durante o encontro, foi anunciada a previsão de assinatura da Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul, que estabelece diretrizes para prevenção e controle de danos ambientais.
O ministro Mauro Vieira também informou que o Brasil pretende apoiar a criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul, proposta a ser discutida em reunião da Comissão Internacional da Baleia.
As iniciativas buscam alinhar preservação ambiental e desenvolvimento sustentável, com participação conjunta dos países membros.
Cooperação técnica e atuação internacional do Brasil
A atuação brasileira na Zopacas também envolve a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, que desenvolve projetos em parceria com países da aliança.
As ações incluem iniciativas nas áreas de combate à fome, agricultura familiar, formação profissional, apoio a micro e pequenas empresas e desenvolvimento econômico, com base em demandas apresentadas pelos países parceiros.
Segundo o governo, os projetos são desenvolvidos de forma voluntária e adaptados às prioridades de cada país, com foco na troca de experiências e fortalecimento institucional.
*Com informações da Agência Brasil.








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