O Papa Leão XIV ordenou, no sábado (02/05/2026), quatro novos bispos auxiliares para a Diocese de Roma durante celebração realizada na Basílica de São João de Latrão, sede da diocese romana, diante de cerca de 2.500 fiéis. Na homilia, o pontífice afirmou que os novos bispos devem exercer o ministério episcopal como serviço, unidade e proximidade pastoral, com atenção especial aos pobres, peregrinos, visitantes e pessoas rejeitadas pela sociedade, para que encontrem na Igreja a maternidade que, segundo ele, expressa seu rosto autêntico.
Leão XIV ordena quatro bispos auxiliares para a Diocese de Roma
Os novos bispos auxiliares ordenados por Leão XIV são dom Stefano Sparapani, dom Alessandro Zenobbi, dom Andrea Carlevale e dom Marco Valenti. A celebração ocorreu no final da tarde de sábado, após o canto do Veni, Creator Spiritus e a apresentação dos eleitos, conforme o rito litúrgico da ordenação episcopal.
Na homilia, o Papa destacou que a Igreja de Roma possui uma vocação singular para a universalidade e a caridade, em razão de seu vínculo com Cristo e de sua tradição apostólica ligada a Pedro e Paulo. Segundo Leão XIV, aproximar-se de Cristo significa também aproximar-se dos outros e crescer na unidade.
O pontífice afirmou que a ordenação dos quatro bispos auxiliares tem caráter comunitário, pois eles surgem do próprio povo e do presbitério romano. A missão, segundo ele, será exercida em comunhão com o Cardeal Vigário e a serviço da Diocese de Roma.
Papa defende ministério episcopal como serviço, paz e unidade
Ao se dirigir diretamente aos novos bispos, Leão XIV pediu que não se deixem guiar pela lógica dos privilégios, da ambição ou da busca por posições de destaque. O pontífice afirmou que o ministério episcopal deve refletir Cristo, que “não veio para ser servido, mas para servir”.
O Papa também exortou os bispos auxiliares a serem homens de paz e unidade, capazes de harmonizar diferenças, acolher, ouvir e perdoar. Para Leão XIV, a missão episcopal em Roma exige capacidade de diálogo e presença pastoral em uma diocese marcada por realidades sociais amplas, populosas e diversas.
Em um dos trechos centrais da homilia, o pontífice afirmou que os novos bispos serão profetas se souberem compor, com “graça e misericórdia”, os diferentes espaços da cidade e da diocese. A referência reforça uma compreensão tradicional do episcopado como função de governo pastoral, mas também como serviço espiritual voltado à comunhão e à evangelização.
A “pedra rejeitada” como centro da mensagem pastoral
Leão XIV estruturou parte da homilia em torno da imagem bíblica da “pedra rejeitada”, citando a Primeira Carta de Pedro e o Salmo 118. Segundo o Papa, Cristo é a pedra rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e transformada em pedra angular.
A partir dessa imagem, o pontífice afirmou que a missão da Igreja de Roma deve estar voltada especialmente para aqueles que a sociedade rejeita ou marginaliza. Ele disse que, em Cristo, os rejeitados redescobrem sua dignidade e se reconhecem chamados a participar do Reino de Deus.
O Papa afirmou ainda que a Igreja deve se opor, com a vida e com a palavra, a projetos que “esmagam os fracos”, desrespeitam a dignidade humana e transformam os que ficam para trás em “lixo da história”. A declaração insere a ordenação episcopal em um horizonte social e pastoral mais amplo, no qual a evangelização é apresentada como defesa da dignidade e da fraternidade.
“Ninguém deve se considerar rejeitado por Deus”, afirma o Papa
Leão XIV pediu aos novos bispos que alcancem as “pedras rejeitadas” de Roma e anunciem que ninguém está excluído da Igreja nem da fraternidade entre os seres humanos. O pontífice afirmou que “ninguém, absolutamente ninguém, deve se considerar rejeitado por Deus”.
A mensagem foi direcionada especialmente aos que vivem à margem da sociedade, aos pobres, aos peregrinos e aos visitantes que chegam à capital italiana de diferentes partes do mundo. O Papa afirmou que essas pessoas devem encontrar, nos habitantes de Roma, em suas instituições e em seus pastores, a maternidade que representa o rosto autêntico da Igreja.
O pontífice também recomendou aos novos bispos que apoiem sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e leigos engajados no apostolado, para que não se sintam sozinhos no exercício de suas funções. Segundo Leão XIV, cabe aos bispos reacender a esperança nos diversos ministérios e recordar às comunidades a beleza do Evangelho.
Evangelização, caridade e presença pastoral em Roma
A ordenação dos quatro bispos auxiliares reforça a estrutura pastoral da Diocese de Roma, cuja realidade combina responsabilidades locais e significado universal para a Igreja Católica. Como Bispo de Roma, o Papa exerce uma função que ultrapassa a administração diocesana e se projeta sobre toda a comunidade católica mundial.
Nesse contexto, a escolha de novos auxiliares indica a necessidade de ampliar a presença pastoral em uma cidade atravessada por desafios sociais, religiosos e migratórios. Roma é simultaneamente capital italiana, sede da Santa Sé, destino de peregrinações e espaço urbano marcado por desigualdades.
A homilia de Leão XIV evidenciou que a atuação dos novos bispos deverá estar associada à evangelização, ao serviço aos pobres, à escuta comunitária e à unidade eclesial. A mensagem também reforçou a compreensão de que a autoridade episcopal, na tradição católica, não se limita ao governo administrativo, mas exige testemunho, proximidade e responsabilidade pastoral.











Deixe um comentário