Prefeitos de municípios da Chapada Diamantina voltaram, nesta terça-feira (05/05/2026), a repudiar a declaração atribuída ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto, segundo a qual “prefeitos não representam nada”. As críticas foram feitas durante a realização do Programa de Governo Participativo (PGP 2026) da pré-candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), em Seabra, no centro da Bahia. Gestores como Wilson Cardoso, prefeito de Andaraí e presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Gil, prefeito de Ibicoara, e Dr. Lucas, prefeito de Souto Soares, afirmaram que a fala desconsidera a legitimidade eleitoral dos chefes do Executivo municipal e reforçaram o peso das lideranças locais na disputa estadual de 2026. O encontro em Seabra integrou a agenda do PGP nos territórios de identidade da Bahia e reuniu lideranças políticas, movimentos sociais, parlamentares e prefeitos da região.
Prefeitos da Chapada criticam declaração de ACM Neto
A declaração atribuída a ACM Neto provocou nova reação entre prefeitos alinhados ao grupo político do governador Jerônimo Rodrigues. Durante o evento em Seabra, os gestores municipais afirmaram que a frase expressa distanciamento da realidade administrativa dos municípios baianos e da dinâmica eleitoral no interior do estado.
O prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, afirmou que a base governista reúne atualmente mais de 360 prefeitos e sustentou que a mobilização dos gestores municipais tem impacto direto sobre o processo eleitoral. Segundo ele, prefeitos motivados mobilizam vereadores, lideranças comunitárias e bases locais, compondo uma estrutura considerada decisiva em disputas majoritárias.
“Nós temos hoje mais de 360 prefeitos na nossa base, e quando o prefeito está motivado não perde eleição nenhuma, isso é histórico. O prefeito motivado, motivando seu município, suas bases, seus vereadores, que é de uma importância muito grande, é uma eleição garantida no primeiro turno”, declarou Wilson Cardoso.
Wilson Cardoso associa apoio municipal à força eleitoral de Jerônimo
A fala de Wilson Cardoso reforça a estratégia governista de apresentar a adesão municipal como ativo político na pré-campanha de Jerônimo Rodrigues. O prefeito de Andaraí, além de gestor municipal, ocupa posição institucional na representação dos municípios baianos, o que amplia o peso político de sua manifestação no debate público.
Ao mencionar o número de prefeitos na base governista, Cardoso buscou associar capilaridade territorial, articulação política e capacidade de mobilização eleitoral. Na política baiana, essa relação entre governo estadual e prefeituras costuma ser central para a organização de campanhas, sobretudo em regiões marcadas por forte dependência de obras, serviços públicos, convênios e presença institucional do Estado.
A crítica também expõe uma linha de confronto recorrente entre governo e oposição: de um lado, o grupo de Jerônimo procura apresentar-se como aliado dos municípios; de outro, a oposição tenta disputar espaço em bases locais, sobretudo em regiões onde o peso dos prefeitos é determinante para a formação de palanques.
Prefeito de Souto Soares vê “falta de sintonia” da oposição
O prefeito de Souto Soares, Dr. Lucas, classificou a declaração atribuída a ACM Neto como “infeliz”. Para ele, a fala indicaria uma desconexão do pré-candidato da oposição com as lideranças municipais dos 417 municípios da Bahia.
“Isso mostra a falta de sintonia do pré-candidato da oposição com as lideranças dos 417 municípios da Bahia. Ao contrário do nosso governador Jerônimo, que está em sintonia com os prefeitos, e é assim que se governa”, afirmou Dr. Lucas.
A manifestação do gestor reforçou o discurso de que a relação entre governo estadual e prefeituras deve ser tratada como elemento central da administração pública. Em estados de grande extensão territorial, como a Bahia, prefeitos funcionam como interlocutores diretos das demandas locais, especialmente nas áreas de saúde, educação, infraestrutura, assistência social e mobilidade regional.
Gestor de Ibicoara defende legitimidade do voto municipal
O prefeito de Ibicoara, Gil, também reagiu à declaração atribuída a ACM Neto. Ele classificou a fala como “lamentável” e afirmou que o prefeito possui legitimidade porque foi escolhido diretamente pela população.
“Ele foi muito infeliz ao dizer que o prefeito não tem importância, porque o prefeito foi eleito com o voto do povo. A união dos prefeitos vai fazer com que Jerônimo governe mais uma vez a Bahia”, disse Gil.
A declaração destaca um ponto institucional relevante: o prefeito é a autoridade política mais próxima do cidadão. Em muitos municípios, especialmente no interior, a prefeitura concentra a porta de entrada para serviços essenciais e atua como principal mediadora entre a população e os governos estadual e federal.
PGP 2026 em Seabra amplia articulação territorial do governo
O episódio ocorreu no contexto do PGP 2026, apresentado pelo grupo governista como instrumento de escuta territorial para elaboração de diretrizes de governo. A plenária em Seabra reuniu lideranças da Chapada Diamantina e integrou a segunda etapa dos “Encontros com o Futuro”, agenda voltada à construção do programa político-administrativo para o próximo ciclo estadual.
Segundo informações divulgadas sobre o encontro, participaram da plenária o governador Jerônimo Rodrigues, o vice-governador Geraldo Júnior, o senador Otto Alencar, a presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Ivana Bastos, parlamentares, prefeitos, lideranças sociais e representantes de movimentos populares.
A realização do PGP na Chapada Diamantina também reforça a tentativa do governo estadual de manter presença política nos territórios de identidade da Bahia, modelo de organização regional utilizado para estruturar demandas locais e orientar políticas públicas em áreas como infraestrutura, educação, saúde, turismo, agricultura e desenvolvimento social.











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