O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira (11/05/2026) que apresentou aos Estados Unidos uma proposta baseada no fim da guerra no Oriente Médio, no desbloqueio de ativos iranianos congelados e na retirada de restrições impostas aos portos do país. A resposta de Teerã foi considerada “totalmente inaceitável” pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaïl Baghai, a proposta iraniana reivindica apenas “direitos legítimos” do país. Entre os principais pontos apresentados estão o fim dos conflitos na região, especialmente no Líbano, a liberação de ativos financeiros bloqueados há anos e o encerramento das medidas americanas contra o sistema portuário iraniano.
A imprensa oficial iraniana afirmou que Teerã considera as exigências dos Estados Unidos equivalentes a uma “capitulação”. O governo iraniano também indicou disposição para discutir seu programa nuclear dentro de um prazo de 30 dias, mas rejeitou propostas relacionadas ao desmantelamento de equipamentos nucleares e à suspensão prolongada do enriquecimento de urânio.
Irã propõe acordo parcial sobre enriquecimento de urânio
De acordo com informações publicadas pelo jornal The Wall Street Journal, o Irã aceita diluir parte de seu urânio enriquecido e transferir o restante para um “país terceiro”. No entanto, o governo iraniano rejeita uma moratória de 20 anos sobre o enriquecimento nuclear.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em sua rede social Truth Social que teve acesso à resposta dos “representantes do Irã” e declarou não ter aprovado o conteúdo apresentado. Segundo Trump, a proposta iraniana é “totalmente inaceitável”.
Em resposta, o porta-voz iraniano Esmaïl Baghai classificou a proposta apresentada por Teerã como “legítima e generosa”. O governo iraniano também afirmou que o documento aborda garantias relacionadas à segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
Conflito no Líbano amplia tensão regional
O Irã condicionou parte das negociações ao fim da guerra na região, principalmente no Líbano, onde Israel mantém operações militares contra o grupo Hezbollah, aliado de Teerã. Apesar de uma trégua anunciada em 16/04/2026, os confrontos continuam.
Segundo informações divulgadas pela imprensa oficial iraniana, mais de 2.700 pessoas morreram no Líbano desde 02/03/2026, incluindo crianças, socorristas e jornalistas, em operações conduzidas pelo Exército israelense.
As negociações diplomáticas para reduzir a tensão regional tiveram apenas uma rodada formal até o momento, realizada em 11/04/2026, em Islamabad, no Paquistão, com mediação do governo paquistanês.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou no domingo que a guerra contra o Irã “não terminou” e afirmou que o objetivo israelense continua sendo retirar de Teerã seus estoques de urânio enriquecido e limitar a capacidade militar de grupos aliados iranianos.
França e Reino Unido discutem missão no Estreito de Ormuz
Os governos da França e do Reino Unido anunciaram uma reunião por videoconferência marcada para terça-feira (12/05/2026) com ministros da Defesa de cerca de 40 países interessados em participar de uma missão de segurança no Estreito de Ormuz.
O objetivo do encontro será discutir contribuições militares para uma força internacional destinada a proteger navios mercantes e garantir a livre navegação na região, considerada estratégica para o transporte global de petróleo e gás.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a França não considera um “envio” direto de tropas ao estreito, apesar do anúncio anterior sobre o deslocamento do porta-aviões Charles de Gaulle para o golfo. Já o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou a proposta internacional como uma missão “pacífica e defensiva”.
O Reino Unido confirmou o pré-posicionamento do destróier HMS Dragon no Oriente Médio. Teerã reagiu advertindo que qualquer presença militar francesa ou britânica no Estreito de Ormuz receberá uma “resposta decisiva e imediata” das Forças Armadas iranianas.
Estreito de Ormuz concentra impasse internacional
O bloqueio do Estreito de Ormuz tornou-se um dos principais focos de tensão internacional após confrontos envolvendo Estados Unidos e Irã. A região é considerada estratégica para o comércio marítimo internacional, principalmente no transporte de hidrocarbonetos.
Segundo autoridades internacionais, cerca de 1.500 navios e aproximadamente 20 mil tripulantes permanecem retidos na região devido às restrições e aos riscos de segurança.
No domingo (10/05/2026), um navio de transporte foi atingido próximo à costa do Catar. O Irã declarou que a embarcação utilizava bandeira americana e pertencia aos Estados Unidos, mas não assumiu formalmente responsabilidade pelo ataque.
Os Estados Unidos e países do Golfo apresentaram ao Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução exigindo que o Irã deixe de “impedir” a navegação no estreito. A Rússia, aliada de Teerã, indicou que poderá bloquear a proposta.
Impasse diplomático mantém cenário de instabilidade
As negociações entre Washington e Teerã seguem sem avanço concreto, enquanto o bloqueio aos portos iranianos imposto pelos Estados Unidos permanece em vigor desde 13/04/2026.
O aumento da tensão no Estreito de Ormuz elevou preocupações sobre impactos econômicos internacionais, principalmente relacionados ao abastecimento energético e ao transporte marítimo global.
Ao mesmo tempo, as discussões diplomáticas continuam envolvendo temas como o programa nuclear iraniano, a presença militar internacional no golfo e os conflitos regionais no Líbano e em outras áreas do Oriente Médio.
*Com informações da RFI.











Deixe um comentário